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BYD vende Dolphin Mini a preço de Kwid para ganhar novo mercado

Com descontos de até 15% em versões voltadas a frotistas e pequenos empresários, montadora busca crescer em um segmento dominado por Fiat e Volkswagen

18 jan 2026 - 13h00
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Depois de ganhar tração no varejo brasileiro, a BYD decidiu avançar sobre a outra metade do mercado: as vendas diretas. A estratégia passa pela oferta de versões mais baratas de seus principais modelos — inclusive do Dolphin Mini — com preços próximos aos de carros de entrada a combustão, como Renault Kwid e Fiat Mobi.

Em dezembro do ano passado, a BYD já havia alcançado a quinta posição no varejo nacional no acumulado dos doze meses de 2025 e chegou a ocupar momentaneamente o segundo lugar mensal no último mês do ano.

Agora, o foco está em empresas frotistas, taxistas, motoristas de aplicativo, clientes PCD e pequenos empresários. A meta declarada é atingir 10% de participação nas vendas diretas no Brasil.

"Quando eu cheguei, a BYD tinha quase 10% de participação no varejo, mas apenas 1% a 1,5% nas vendas diretas. Sendo que esse canal hoje representa cerca de 50% do mercado. Havia uma oportunidade muito clara de crescimento", afirma Fábio Lage, diretor comercial da BYD do Brasil.

E para conseguir tal marca, a chinesa investe em condições especiais para os consumidores da modalidade de venda direta.

BYD reduz preços das versões GL para PJ

Para ganhar escala nesse canal, a BYD passou a priorizar as versões GL de seus modelos, que não trazem sistemas avançados de assistência à condução (Adas) e, por isso, têm menor apelo ao consumidor final. Em contrapartida, recebem preços agressivos para empresas e vendas com benefícios fiscais.

Com desconto de até 15%, os valores passaram a ser:

  • Dolphin Mini GL: de R$ 118.990 para R$ 101.141;
  • BYD King GL: de R$ 169.990 para R$ 144.491;
  • Song Pro GL: de R$ 189.990 para R$ 161.491.

Nesse novo patamar, o Dolphin Mini GL passa a disputar espaço diretamente com o Kwid E-Tech, tabelado em R$ 99.990. Já o King GL se aproxima da faixa de SUVs compactos a combustão, enquanto o Song Pro GL encosta no preço de modelos como o Toyota Yaris Cross XRE, ainda em pré-venda.

Para quem roda intensamente na cidade — como motoristas de aplicativo ou táxi —, o argumento da BYD é que um sedã médio elétrico, mais espaçoso e bem equipado, pode ser mais racional do que um SUV compacto básico, como um Volkswagen Tera High, que tem preço bem semelhante (R$ 144.390).

Dolphin Mini entra no território dos carros de entrada

Produzido no Brasil desde outubro, o Dolphin Mini se tornou o principal símbolo da estratégia. Em vendas diretas com isenção de IPI e ICMS, como nos casos de táxi e PCD, o preço final pode cair ainda mais, aproximando-se do território ocupado por carros populares a combustão.

Segundo a marca, a aposta está no custo total de propriedade. Revisões mais espaçadas, custo energético inferior ao da gasolina e isenção ou redução de IPVA em diversos estados ajudam a compensar o preço de compra mais alto.

"O cliente emocional vai para a versão topo. Já o cliente racional faz a conta do custo total de propriedade. Para ele, criamos versões específicas, com preço mais competitivo, mantendo rentabilidade semelhante à do varejo", diz Lage.

Vendas diretas ganham peso no mercado

Em 2025, de acordo com a Fenabrave, organização que representa as concessionárias, o mercado brasileiro de automóveis ficou praticamente dividido entre varejo (52,8%) e vendas diretas (47,2%). Foi nesse ambiente que a BYD encontrou espaço para acelerar sua presença, sobretudo após o início da montagem nacional de carros em Camaçari (BA) e a criação de versões específicas para clientes pessoa jurídica.

Só em dezembro, a marca emplacou cerca de 5,4 mil unidades via vendas diretas, sendo:

  • 1,8 mil Dolphin Mini GL;
  • 1,6 mil Song Pro GL;
  • 400 unidades do King GL.

O desempenho levou a BYD a fechar dezembro com 16,7 mil veículos faturados, crescimento de cerca de 70% sobre a média mensal anterior. Se o ritmo atual for mantido, a empresa pode chegar perto de vender em 2026 200 mil carros por ano, patamar que a colocaria entre as cinco maiores marcas do País.

As marcas que dominam as vendas diretas no Brasil

Apesar do avanço, a BYD ainda enfrenta um mercado bastante concentrado. Em 2025, as líderes em vendas diretas foram:

  • Fiat - 20,89%;
  • Volkswagen - 20,43%;
  • Chevrolet - 11,93%;
  • Hyundai - 10,03%;
  • Jeep - 7,99%;
  • Renault - 7,39%;
  • Toyota - 4,52%;
  • Nissan - 3,73%;
  • Citroën - 3,55%.

Meta é equilibrar varejo e vendas diretas

Para 2026, a BYD projeta 240 mil carros vendidos no Brasil, o dobro do volume registrado em 2025. A divisão pretendida segue próxima ao padrão do mercado: cerca de 55% no varejo e 45% nas vendas diretas.

Para sustentar esse crescimento, a marca também planeja ampliar sua rede de concessionárias de 200 para 300 pontos ainda neste ano.

Estadão
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