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Testamos o novo Golf GTI no rali — e descobrimos por que ele é o 'pior' carro para a prova

Com 245 cv e acerto dinâmico afiado, o hatch da Volkswagen é divertido demais para quem é obrigado a andar devagar

31 jul 2026 - 17h01
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Disputar a terceira etapa do Troféu Rally Clássico São Paulo de Golf GTI parecia uma ótima ideia na teoria. Hatches esportivos existem para isso mesmo: servir na labuta diária e divertir no fim de semana - seja em um track day, uma estrada vicinal sinuosa ou um rali de regularidade.

E rali de regularidade, todos sabem, é o tipo de prova automobilística que se encaixa na categoria Raid, de Regularidade Absoluta em Itinerário Desconhecido. Logo, o objetivo não é ser rápido, mas manter as médias horárias pré-estabelecidas pela direção da prova.

Isso quer dizer que em determinado trecho da prova, por exemplo, é preciso seguir a 63 km/h por 4,7 quilômetros para então, de repente, reduzir aos 48 km/h e mantê-los por mais 5,7 km. Depois de contornar a rotatória e pegar a terceira saída, velocímetro cravado nos 37 km/h até a placa "Bem-vindo a São Roque"; a partir daí, 55 km/h até o segundo posto à esquerda. Vence um rali de regularidade quem obtiver as menores margens de erro ao passar pelos pontos de controle.

Golf GTI é inimigo das velocidades baixas

Dependendo do percurso - a última etapa, no sábado (27), teve quase 200 km -, passa-se uma grande parte do dia rodando. Fora o tempo que se aguarda para a largada, que ocorre com um minuto de intervalo entre cada competidor.

Foi momento ideal para me ajeitar ao volante do principal esportivo da Volkswagen e apreciar os privilégios de sua cabine, como o sistema de som Harman Kardon de 480W e o charmoso banco com revestimento xadrez, que ampara firmemente costas, lombar e pernas (ainda que para essas lhe falte extensor de assento, mimo que já deveria vir de série no principal esportivo da marca).

Enquanto o navegador analisava o percurso indicado pelas tulipas - os símbolos na planilha de navegação que mostram o caminho -, pude configurar o painel de instrumentos de 10,2 polegadas ou parear o celular com a central multimídia de 12,9 polegadas.

A arte de perder a prova a bordo de um carrão

Terceiro carro a largar, desistimos depois de aproximadamente 30 segundos de prova. E a culpa é toda do Golf GTI - mais especificamente do 2.0 turbo de 245 cv de potência e 37,7 kfgm de torque, acoplado a um câmbio DSG (automatizado de dupla embreagem) de sete marchas.

Que até saberia se comportar a 52 km/h por 3,5 km antes da próxima tulipa indicar curva levemente acentuada à esquerda feita a 39 km/h. Ocorre que, dirigindo um Golf GTI, qualquer um em plena lucidez aproveitaria as estradas sinuosas daquela prova para...dirigir apropriadamente um Golf GTI.

Golf GTi já é cinquentão

Quando a 46ª edição do Salão de Frankfurt abriu seus portões, em 11 de setembro de 1975, o Golf GTI foi revelado como "o Volkswagen mais rápido de todos os tempos". Ao desembarcar nas concessionárias alemãs, no início do ano seguinte, vendeu dez vezes mais do que o volume planejado para o primeiro ano.

Com 110 cv, faixas laterais, forração xadrez nos bancos e punho da alavanca de câmbio no formato de bola de golfe, talvez seja um companheiro mais comportado para a próxima etapa do rali - dessa vez até o fim.

Estadão
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