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Ruins de revenda: saiba quais são os carros que mais perdem valor e encalham nas lojas

Levantamento aponta para depreciações que passam 30% - principalmente no segmento de luxo

10 jun 2026 - 05h29
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Um dos dados que podem determinar a compra de um carro é o quanto ele é fácil (ou difícil) de revender, além de quanto perde de valor. Pensando nisso, o Jornal do Carro consultou especialistas sobre quais são os modelos mais críticos nesses aspectos.

Mesmo a partir de diferentes metodologias para medição a depreciação de um veículo, os modelos premium estão entre os mais desvalorizados do mercado de seminovos. No cálculo da Indicata, por exemplo, um Porsche Panamera perdeu 30,8% de seu valor em dois anos.

A empresa calcula a depreciação da seguinte forma: compara o valor de anúncio de um modelo com três anos de uso e 60.000 km rodados em relação à versão zero quilômetro. O cálculo é feito a partir de base de dados com 600 mil mil carros à venda no Brasil.

Utilizando essa metodologia, a empresa constatou que, entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, o veículo mais desvalorizado do país foi o Panamera. Chama a atenção que os oito carros que mais desvalorizam no País são premium.

A segunda e a terceira posições pertencem, respectivamente, aos Land Rover Discovery e Discovery Sport. Os SUVs da marca britânica registraram depreciação de 28,8% e 23,6%.

Audi e-tron (-22,6%) e Jaguar E-Pace (-21,2%) ocupam a quarta e a quinta posições, sendo seguidos por dois modelos da Mercedes-Benz: GLE (-19,8%) e GLC (-14,8%). O Kia Carnival fecha o top 8, com desvalorização de 13%.

Metodologias diferentes, mesma tendência

Utilizando uma metodologia mais tradicional para medir a depreciação, é possível observar que os veículos mais desvalorizados são outros, incluindo carros menos luxuosos.

A Auto Avaliar calcula a desvalorização com base nos preços da Tabela Fipe, utilizando seminovos lançados entre 2023 e 2025. Dessa forma, o modelo que mais perdeu valor entre novembro de 2025 e abril de 2026 foi o Honda Civic, com redução de 20,7%.

O BMW X5 aparece na segunda posição, com queda de 19,5%, enquanto o terceiro colocado é o utilitário Citroën Jumpy, com desvalorização de 18,7%.

Fechando o top 5, há outro modelo de luxo e mais um sedã médio. O Porsche Cayenne ocupa a quarta posição, com depreciação de 13,7%, enquanto o Caoa Chery Arrizo 6 é o quinto, com 12,5%.

Carros que encalham na revenda

Mas a desvalorização não é o único fator que define o mercado de seminovos. A Indicata ranqueou os oito modelos com o pior giro de estoque no país. São carros que viram micos nas mãos de concessionários e lojistas por causa da demora na revenda.

A empresa utiliza o MDS (Market Days Supply), indicador que mostra por quantos dias o estoque atual seria suficiente para atender a demanda do mercado.

De acordo com o levantamento da Indicata, o seminovo com o pior giro de estoque do país é o BMW X7 com até dois anos de uso, registrando MDS de 184.

O top 3 ainda conta com o Jeep Compass diesel (até dois anos de uso), com MDS de 150, e o Volvo XC90 (com cinco anos ou mais), com MDS de 145.

Na lista dos oito modelos com pior giro de estoque, há ainda dois veículos que também aparecem entre os mais desvalorizados. O Kia Carnival ocupa a sexta posição, com MDS de 116, enquanto o BMW X5 — segundo mais desvalorizado no levantamento da Auto Avaliar — aparece em oitavo, com MDS de 113.

Alguns modelos de carros são pesadelos nas mãos de concessionários e lojistas.
Alguns modelos de carros são pesadelos nas mãos de concessionários e lojistas.
Foto: Alex Silva/Estadão. / Estadão

Mercados regionais contam histórias diferentes

Embora as duas pesquisas utilizem uma base nacional, cada estado tem uma dinâmica própria, o que pode favorecer ou prejudicar tanto a depreciação quanto o giro de estoque dos veículos.

Como exemplo, a Indicata cita as picapes de cabine dupla, que apresentam comportamentos diferentes em mercados como São Paulo e Campo Grande, refletindo diretamente o perfil de compra de cada região.

Algo semelhante também ocorre com o Jeep Compass (2023-2025). A Auto Avaliar calculou que o preço médio do modelo no país é de R$ 151.524. Entretanto, no Paraná o SUV apresenta valorização de 1,27%, enquanto em São Paulo e Santa Catarina os índices são de 0,5% e 0,4%, respectivamente.

Em outros locais, porém, o modelo registra desvalorização. Um Compass nas mesmas condições apresenta queda de 1,5% em Pernambuco e de 1,2% em Minas Gerais. O caso mais extremo foi registrado no Amapá, onde o modelo pode sofrer desvalorização de 5,7%.

Os dados mostram que fatores regionais podem alterar significativamente o comportamento de um mesmo veículo no mercado de usados, influenciando tanto sua valorização quanto sua liquidez no mercado de seminovos.

Estadão
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