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Panda ou Uno? Fiat toma decisão polêmica ao chamar seu novo carro de Argo X

Apesar da expectativa por nomes icônicos do passado, montadora preferiu proteger a reputação de seus clássicos; executivos da marca falam a respeito

26 jul 2026 - 05h30
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Em terra de automóveis cujos nomes são uma mistura confusa de letras e números, quem tem uma boa alcunha é rei. É com esse foco que a Fiat trabalhou para o seu principal lançamento do ano: o Argo X, previsto para chegar ao mercado em setembro.

Curiosamente, o novo modelo em nada lembra o hatchback de mesmo nome. Trata-se de um veículo derivado do europeu Grande Panda, construído sobre a plataforma Smart Car (CMP) — a mesma arquitetura que substitui a base do Argo anterior. O modelo nasce com a nada modesta missão de ser um divisor de águas para a montadora e, ao longo do tempo, tornar-se um ícone da marca no país.

Fiat ouviu o consumidor para decidir por Argo X

Frederico Battaglia, vice-presidente da marca Fiat, aponta que a decisão foi resultado de extensas pesquisas de mercado. "Ouvimos muito o cliente real, não apenas o público das redes sociais. O nome tem uma excelente aceitação", garante. Ainda assim, o executivo admite que a escolha não foi simples.

"Tínhamos bons argumentos para todos os cenários: tanto para mantê-lo como Argo X quanto para apostar no nome Panda", revela Battaglia. Ele conta que a empresa levou tempo até bater o martelo — o que explica por que o nome demorou a vazar. Apenas nos últimos meses a imprensa automotiva começou a especular que o projeto reaproveitaria um nome já conhecido.

Stellantis evita "matar carros rápido demais"

"O Argo é um sucesso de vendas, sendo o terceiro automóvel mais emplacado do Brasil", destacou Zola ao confirmar o batismo. Apenas no primeiro semestre de 2026, a geração atual registrou mais de 46 mil emplacamentos. O presidente da Stellantis reforça que, com o Argo X, a estratégia é justamente prolongar o ciclo de vida dos produtos da casa.

"Em pesquisas passadas, descobrimos que o crescimento da Fiat só não era maior porque o público tinha a percepção de que descontinuávamos nossos produtos rápido demais", revelou Zola, citando casos como o Punto e o Bravo, que tiveram trajetórias curtas. "Isso destruía o valor de revenda do carro. Agora, garantimos que nossos modelos tenham vida longa."

Além da força atual do hatch, há um fator estratégico velado. Embora a liderança da empresa não admita publicamente, ressuscitar nomes como Uno ou Palio traria um barulho publicitário imediato, mas com alto risco: se o novo projeto não decolar, a montadora mancha não apenas o lançamento, mas também o legado de dois dos maiores ícones de sua história.

Estadão
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