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Nissan e Honda vão compartilhar 'cérebro' dos carros a partir de 2029

Mesmo após desistirem da fusão, montadoras anunciam que irão desenvolver em conjunto centrais eletrônicas, sistema operacional e softwares para veículos de nova geração

2 set 2026 - 12h41
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Resumo
Nissan e Honda firmaram um acordo para compartilhar a base eletrônica e softwares de seus carros a partir de 2029, visando reduzir custos, acelerar o desenvolvimento e competir com rivais chinesas. A parceria surge após o fracasso nas negociações de fusão entre as fabricantes, que continuarão independentes na criação de seus modelos, unificando apenas as centrais e os sistemas de processamento que atuam como o cérebro digital dos automóveis.

Nissan e Honda anunciaram nesta segunda-feira, 31, acordo para desenvolver e padronizar a estrutura eletrônica de seus próximos automóveis. As primeiras aplicações estão previstas para o ano fiscal de 2029 (que, no Japão, termina em março do ano seguinte).

Este é um claro movimento das fabricantes a fim de enfrentar as rivais chinesas. Nissan e Honda prometem criar uma base digital comum para seus futuros modelos. O trabalho inclui centrais eletrônicas, o sistema operacional dos veículos e os programas responsáveis pelo funcionamento e pela comunicação entre diferentes equipamentos do automóvel.

Entre os componentes desenvolvidos entre Nissan e Honda estarão centrais capazes de reunir e processar informações de vários sistemas do carro, além de módulos dedicados ao controle de áreas específicas. Esses equipamentos funcionarão como uma espécie de cérebro eletrônico, concentrando tarefas que hoje ficam em unidades distintas.

O acordo não significa que os futuros carros de Nissan e Honda serão iguais. A intenção é compartilhar a estrutura tecnológica que sustenta os sistemas eletrônicos, permitindo que cada empresa desenvolva seus próprios modelos e recursos sobre uma base padronizada.

Com isso, Nissan e Honda esperam encurtar os ciclos de desenvolvimento, reduzir custos e ganhar escala na produção de componentes. A parceria também deve facilitar a criação de novas tecnologias de conectividade, eletrificação e assistência à condução.

Parceria entre Honda e Nissan sobreviveu à tentativa frustrada de fusão

A aproximação entre as rivais Nissan e Honda começou em março de 2024, justamente com os estudos sobre uma parceria estratégica voltada à eletrificação e à inteligência veicular. Em agosto daquele ano, as empresas ampliaram as conversas e passaram a pesquisar conjuntamente tecnologias para carros com sistemas centralizados e controlados por software. Também avaliaram cooperação em baterias, motores elétricos, inversores e até no compartilhamento de modelos.

A Mitsubishi, que tem a Nissan como uma de suas principais acionistas, também aderiu posteriormente às discussões sobre a parceria estratégica. O novo acordo para o desenvolvimento de centrais eletrônicas e programas, porém, envolve apenas Nissan e Honda.

Em dezembro de 2024, a aproximação ganhou contornos mais ambiciosos. As duas empresas assinaram um memorando para estudar uma possível fusão, que seria realizada por meio da criação de uma holding conjunta. A negociação previa a manutenção das marcas, mas colocaria a Honda em posição predominante na administração do novo grupo.

As conversas foram encerradas em fevereiro de 2025. Durante as negociações, a Honda chegou a propor uma mudança no formato da operação. Em vez de ambas ficarem sob uma holding, a Nissan passaria a ser sua subsidiária. Diante da falta de consenso, as empresas desistiram da integração.

O fim da fusão, contudo, não interrompeu a parceria nas áreas de eletrificação e tecnologia. O novo acordo mostra que Nissan e Honda continuarão independentes, mas pretendem dividir justamente uma das etapas mais caras e complexas do desenvolvimento de seus próximos automóveis.

Estadão
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