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Já dirigimos: novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance de 843 cv

Acelerando em uma pista para aviões: novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance custa R$ 1.650.000 e faz de 0 a 100 km/h em 2s9 com V8 híbrido

15 jun 2024 - 08h00
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Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Foto: Gabriel Marazzi/Guia do Carro

Como imaginaríamos um automóvel que tenha 843 cv de potência e 150 kgfm de torque? Um superesportivo daqueles que causam torcicolo e mau jeito na coluna na hora de entrar e sair do cockpit? Ou um daqueles modelos tão baixos que dá até medo de circular por vias públicas? Se for um Mercedes-Benz, porém, não é difícil crer que todo esse desempenho possa estar relacionado a um comportado quatro-portas.

Comportado, no entanto, não é a melhor definição para o Mercedes-AMG GT 63 S E Performance, pois basta apertar um pouco mais o pé direito que um estúpido coice catapulte o carro para a frente, enquanto o corpo do pretenso piloto é pressionado contra o encosto do banco, ao mesmo tempo em que sua visão sofre uma breve estremecida.

Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Foto: Gabriel Marazzi/Guia do Carro

Não imaginei os sintomas acima, experimentei por mim mesmo, ontem, em duas breves aceleradas na pista de taxiamento de um aeroporto no interior de São Paulo, durante o Catarina Aviation Show, uma espécie de “salão do automóvel” para aviões. Esse novo cupê de quatro portas, preparado pela Mercedes-AMG, marca de desempenho da Mercedes-Benz, e com a mesma tecnologia E Performance da Fórmula 1 para conjuntos híbridos, é atualmente o modelo mais potente da história da marca.

Essa potência toda é resultado da combinação do já conhecido motor V8 4.0 biturbo de 639 cv com um motor elétrico instalado no eixo traseiro de 204 cv, o que leva o Mercedes-AMG GT 63 S E Performance a acelerar de zero a 100 km/h em apenas 2s9. E nem precisei acreditar nesse número divulgado pelo fabricante, pois fui conferir e, na segunda acelerada que dei na pista, fiz a marca de 3s07, pouco superior à divulgada pelo fabricante devido ao peso extra do técnico que me acompanhou, para explicar como acionar o sistema Race Start. Na primeira acelerada, sem acionar esse sistema, consegui fazer algo como 4s0.

Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Foto: Gabriel Marazzi/Guia do Carro

A tecnologia híbrida, a grande novidade nesse AMG, é a responsável pelo impacto que esses menos de três segundos causam em um piloto acostumado com grandes acelerações. Isso porque o motor a combustão leva algumas frações de segundo desde a imobilidade para chegar à rotação de torque, enquanto que no motor elétrico o torque é instantâneo. Daí a violência imediata nesses três segundos de aceleração.

Explicar com detalhes como funciona todo o sistema híbrido AMG E Performance exigiria uma aula de complexa eletrônica, mas é possível entender seus aspectos mais básicos. Para máximo rendimento do motor elétrico, que está posicionado no eixo traseiro do veículo, um sistema de transmissão de duas velocidades aproveita seu melhor torque até seu limite de rotação de 13.500 rpm. Assim, quando a segunda marcha é engrenada automaticamente, o motor elétrico tem sua rotação reduzida e recupera seu torque. É assim que se obtém aquele pico de torque a partir da imobilidade do veículo.

Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Foto: Gabriel Marazzi/Guia do Carro

A bateria do AMG GT S E Performance tem capacidade de 70 kW de potência mecânica contínua e 150 kW de potência mecânica máxima, descarregada nas acelerações por apenas dez segundos. Essa bateria de 1.200 células e 400 volts foi projetada não para autonomia, mas sim para fornecimento rápido de energia. Mas é possível uma condução totalmente elétrica por até 33 km. Para garantir a temperatura ideal de funcionamento de cerca de 45 graus, essa bateria tem um sistema que utiliza 14 litros de líquido de arrefecimento.

Todo o sistema de transmissão funciona com a atuação dos dois motores na tração integral, enviando potência para o eixo dianteiro apenas quando necessário. E é possível dirigir puramente em modo elétrico com tração nas quatro rodas.

Com todas essa complexa tecnologia híbrida, elétrica e eletrônica, o nosso tão querido motor a combustão interna parece ter ficado em segundo plano. Mas não. O V8 4.0 biturbo é uma jóia mecânica, com dois turbocarregadores twin-scroll, acionando o câmbio de nove marchas AMG SpeedShift MCT 9G, com embreagem úmida no lugar de um conversor de torque, e a tração integral AMG Performance 4MATIC+, com distribuição de torque sob demanda.

Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Novo Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Foto: Mercedes/Divulgação

Com todos os sistemas de controle disponíveis para os automóveis atuais, o Mercedes-AMG GT S E Performance pode ter o controle de tração e estabilidade controlado pelo motor elétrico, evitando a intervenção do motor a combustão pelo ESP convencional. Assim o motor a combustão pode ser utilizado com torque mais alto e com potência reduzida, que pode ser utilizada para carregar a bateria.

Bem, toda essa complexa teoria tecnológica parece ter sido aplicada muito bem no Mercedes-AMG GT S E Performance e, por causa disso, não precisamos ficar pensando nela na hora de aproveitar todo o desempenho desse belo esportivo. Nem que o belo automóvel custa a bagatela de R$ 1.650.000! Pelo menos não foi o que pensei, na hora de acelerar lá naquele aeroporto. Só estava interessado em atingir o mais breve possível a icônica velocidade de 100 km/h, o que aconteceu em alguns piscares de olhos. Ou melhor, pensando bem, eu nem pisquei.

Guia do Carro
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