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Direção autônoma da Tesla tem sério problema de segurança, diz entidade

Euro NCAP, que avalia a segurança de carros novos na Europa, critica sistema FSD por induzir confiança excessiva ao motorista e não assumir total responsabilidade

1 abr 2026 - 14h00
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Sistemas avançados de assistência à condução viraram argumento de venda e até mesmo território de disputa narrativa. De um lado, montadoras prometem um futuro autônomo. Do outro, reguladores tentam garantir que ninguém pule etapas. No meio disso tudo, o recado do Euro NCAP sobre a Tesla cai como uma bomba.

O alvo da entidade que avalia a segurança de carros novos na Europa é o Full Self-Driving (FSD), pacote mais avançado de assistência ao condutor da montadora. Para Richard Schram, diretor técnico do Euro NCAP, há um problema central que vai além da tecnologia em si. Para o especialista, o risco não está só no sistema, mas na expectativa que ele cria.

Schram disse à imprensa da Oceania que o FSD é "impressionante", mas carrega um perigo estrutural. Motivo? A dependência excessiva do motorista. Em suma, se o carro parece dirigir sozinho, o cérebro humano tende a desligar. E é aí que mora o perigo.

Justamente por isso, o Euro NCAP não compra a ideia de "direção totalmente autônoma", pelo menos não da forma como o FSD é vendido hoje. Na prática, o sistema ainda exige supervisão constante do motorista, algo que entra em conflito direto com o nome e com a percepção do usuário.

Para o órgão europeu, existe uma linha clara. Já que trata-se de assistência, o condutor tem de estar no controle. A automação, por sua vez, é responsabilidade da montadora. E é nesse limbo que o FSD vive atualmente.

O diretor do Euro NCAP foi ainda mais direto ao sugerir o que gostaria de ver na prática. Se a Tesla quer chamar o sistema de "autônomo", então que assuma responsabilidade total por qualquer incidente. Como isso não acontece, o entendimento do órgão é que a montadora precisa garantir que o motorista continue engajado na condução.

Europa fecha o cerco contra o FSD

Não é por acaso que o FSD ainda não chegou oficialmente à Europa. O continente tem uma das regulamentações mais rígidas do mundo quando o assunto é segurança veicular, passando das diferenças de sinalização entre países até critérios mais rígidos para sistemas automatizados.

Na prática, isso significa que o que é aprovado nos Estados Unidos e na Oceania não necessariamente passa pelo crivo europeu. E os posicionamentos do Euro NCAP tem impacto real no jogo. As avaliações da entidade influenciam diretamente a percepção de segurança dos carros e, por conseguinte, vendas.

Riscos no mundo real

Um caso que ocorreu no Texas ilustra exatamente o ponto levantado pelo Euro NCAP. Uma motorista entrou com processo milionário contra a Tesla após colidir com uma barreira de concreto enquanto utilizava o sistema. Segundo a defesa, ela tentou retomar o controle ao perceber a trajetória errada, mas não houve tempo.

Do outro lado, Elon Musk, chefão da Tesla, afirmou que os dados do veículo indicam que o sistema havia sido desativado quatro segundos antes do impacto. Na teoria, uma eternidade. Na prática, tempo insuficiente para salvar uma situação que já saiu do controle.

Não à toa, o episódio ajuda a evidenciar o maior dilema dos sistemas semiautônomos: a transição de controle. Não é sobre o carro "dirigir bem". É sobre o momento em que ele deixa de dirigir.

E é aí que a crítica do Euro NCAP ganha peso. Sistemas que exigem supervisão constante, mas operam de forma altamente automatizada, criam um cenário perigoso. O motorista vira um espectador até ser convocado, de repente, a assumir o volante em uma situação crítica.

Estadão
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