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Confira 7 filmes de terror com carros para assistir na sexta-feira 13 (ou quando bem entender)

Para quem acha que susto é 'jump scare' de streaming barato, apresentamos o pavor movido a gasolina, ódio e sem seguro contra terceiros; confira

15 mar 2026 - 12h08
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Olá, entusiasta do caos e do bom cinema. Se você acha que o azar de uma sexta-feira 13 se resume a passar debaixo de uma escada, você claramente não tem prestado atenção no retrovisor.

Enquanto a massa "pipoqueira" espera o 31 de outubro para usar fantasias cafonas, nós, iniciados no horror, sabemos que o perigo real não usa máscara de borracha: ele usa pneus radiais e bebe gasolina adulterada. Portanto, esqueça as bruxas de Salem. O verdadeiro pacto com o demônio é feito sob o capô.

Para celebrar este dia de puro deleite macabro, separei uma lista de máquinas que fariam Jason Voorhees, o assassino da franquia "Sexta-Feira 13?, trocar o facão por uma chave de roda.

Então vamos nessa. Solte o freio de mão e tente não morrer.

1. Christine - O Carro Assassino (1983)

A parceria entre John Carpenter e Stephen King é o equivalente cinematográfico a misturar uísque de centeio com pólvora. O Plymouth Fury 1958 não é apenas um vilão. É uma femme fatale de duas toneladas que não aceita ser trocada por nenhuma "modelo" mais nova. A cena da regeneração, onde o carro se desamassa sozinho sob o olhar hipnotizado do jovem Arnie, é uma das metáforas mais potentes sobre como a obsessão por objetos pode devorar a alma de um homem.

O que realmente eleva "Christine" é a trilha sonora minimalista de sintetizadores do próprio Carpenter, que pulsa como um coração mecânico. O carro tem mais personalidade e presença de tela do que 90% dos elencos de filmes de terror atuais.

O Plymouth Fury não te atropela por maldade pura, ele te atropela porque você é um obstáculo entre ele e o seu dono. É o amor tóxico levado às últimas consequências, embalado em cromo e vermelho "sangue de boi".

2. Black Cadillac (2003)

Este aqui é para quem tem o paladar refinado para o suspense de confinamento. A ideia de ser perseguido por um Cadillac Fleetwood Series 75 em uma estrada gelada é o pesadelo de qualquer um que já teve medo de ficar parado no acostamento à noite. O filme bebe da fonte de clássicos como "A Morte Pede Carona". Não à toa, carrega uma bela dose de testosterona e paranoia oitentista.

Não se deixe enganar pela simplicidade do título. Estamos diante de uma das maiores monstruosidades do cinema B. O Lincoln Continental Mark III, modificado por George Barris, é uma peça de design brutalista. Sem maçanetas e com uma grade frontal que parece emular um sorriso sádico, o veículo parece ter sido forjado no próprio inferno, e não em uma linha de montagem de Detroit.

O filme é um festival de absurdos deliciosos, como o carro invadindo um desfile escolar ou "insultando" as vítimas com sua buzina ensurdecedora. O ponto alto da obra é sua a ambiguidade. Aqui temos o mal puro, autopropelido, que desafia as leis da física e da lógica. É basicamente um filme de tubarão, mas onde o oceano é o deserto da Califórnia e o predador tem 400 cv de potência e um apetite insaciável por pedestres.

4. Híbrido (2011)

Esqueça a pauta ESG. O "Híbrido" em questão é uma aberração biomecânica. O Chevrolet Nova 1976, quarta geração, preto fosco é, na verdade, um organismo predador que se disfarça de automóvel para atrair presas humanas.

É uma premissa que beira o ridículo, mas que funciona se você aceitar entrar no jogo da ficção suja e de baixíssimo orçamento. O filme transforma a oficina mecânica em um labirinto onde o caçador pode estar escondido sob qualquer lona.

A crítica ácida aqui vai para a nossa dependência das máquinas. O carro muda de forma, assumindo as feições de um Chevrolet C10 ou de um Mercury Colony Park, atacando o machismo e a mediocridade dos personagens que o rodeiam.

Em suma, "Híbrido" é um "filme de monstro" onde a criatura tem carburador e uma dieta rica em ferro (literalmente). Se você sempre achou que o seu carro te olhava de um jeito estranho na garagem, este filme vai validar sua paranoia.

5. Encurralado (1971)

Steven Spielberg prova em "Encurralado" que, com um bom roteiro e uma câmera bem posicionada, você não precisa de monstros de CGI para aterrorizar uma plateia.

O Peterbilt 281 é a personificação da força bruta e irracional. O caminhão é basicamente um serial killer rodoviário. O contraste entre o frágil Plymouth Valiant de David Mann (interpretado por Dennis Weaver) e aquela montanha de ferro enferrujado é a luta bíblica de Davi contra Golias com muita fumaça preta.

O que torna "Encurralado" uma obra-prima é o anonimato do caminhoneiro. Vemos apenas seus braços e botas, mantendo o Peterbilt como o único antagonista real. A direção de Spielberg transforma a estrada em uma arena claustrofóbica, onde cada tentativa de ultrapassagem é um flerte com a morte. É um estudo sobre a masculinidade frágil sendo testada por uma força da natureza que não pode ser subornada, nem convencida a parar.

6. Psicose (1960)

Marion Crane guia Ford Custom; ela não sabe o que a espera
Marion Crane guia Ford Custom; ela não sabe o que a espera
Foto: Divulgação / Estadão

A inclusão do Ford Custom 300 1957 nesta lista não é apenas por nostalgia, mas por sua importância na história do suspense. O modelo é o receptáculo do pecado de Marion Crane (Janet Leigh).

Quando ela para naquele pântano, o carro se torna o túmulo de suas esperanças e do dinheiro roubado. O diretor Alfred Hitchcock usa o veículo como uma extensão da jornada moral da protagonista. Tanto é que o Ford começa brilhante e imponente e termina submerso no lodo, assim como a vida de Marion.

A cena em que o carro hesita em afundar no pântano, sob o olhar tenso de Norman Bates, é um momento de pura genialidade cinematográfica. Por alguns segundos, o espectador se pega torcendo para que o "monstro" consiga esconder o crime. É a perversão da empatia que só mestre do suspense sabia manipular.

O Ford não é apenas um meio de transporte. É o peso da culpa que Norman tenta, em vão, enterrar nas profundezas de sua psique distorcida.

7. Rubber, o Pneu Assassino (2010)

Robert, o pneu, curte uma corrida de carros na TV antes da matança
Robert, o pneu, curte uma corrida de carros na TV antes da matança
Foto: Divulgação / Estadão

Este é o ápice do meta-cinema debochado. Um pneu chamado Robert que explode cabeças por meio da telecinese? Sim, é um insulto à lógica, e é exatamente por isso que é brilhante.

O filme abre com um monólogo sobre o "no reason" (a falta de motivo) nas grandes obras do cinema. Exemplo: por que em E.T. o alienígena é marrom? "No reason". O filme de Quentin Dupieux é uma sátira violenta que ataca o desejo do público por explicações mastigadas.

Robert, o pneu, experimenta a vida e descobre a violência, tudo isso enquanto uma plateia dentro do próprio filme assiste à ação com binóculos. É uma experiência surrealista que mistura o "slasher" tradicional de "Sexta-Feira 13? e "Halloween" com a filosofia do absurdo.

O repórter admite: é uma experiência para poucos. No entanto, se você conseguir passar dos primeiros dez minutos sem desligar a TV por puro choque cultural, será recompensado com uma das obras mais ácidas e sangrentas da década.

Bônus: o Oldsmobile Delta 88 de Sam Raimi

Oldsmobile Delta 88 de Sam Raimi
Oldsmobile Delta 88 de Sam Raimi
Foto: Divulgação / Estadão

Para o fã de terror, o Oldsmobile Delta 88 de 1973 é o Santo Graal. Conhecido carinhosamente como "The Classic", ele é o "Easter Egg" definitivo.

Em "Evil Dead", o Olds transporta Ash Williams (Bruce Campbell) para o seu destino de sangue e serras elétricas. Em "Arraste-me Para o Inferno", o carro é o palco de uma das brigas mais nojentas e viscerais contra uma cigana amaldiçoada.

O fato de Raimi colocar esse carro em quase todos os seus filmes, incluindo os da trilogia Homem-Aranha (o Olds é o carro do Tio Ben), mostra um apego quase fetichista pela máquina. O Delta 88 representa o cinema feito com as mãos, com suor, baixo orçamento e personalidade.

O veículo é o lembrete constante de que, no mundo de Sam Raimi, nem mesmo um carro familiar está seguro de se tornar um receptáculo para o mal — ou uma arma contra ele.

Estadão
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