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Como o Proálcool transformou o Brasil no 1º e único país com carros movidos a álcool

A partir da crise do petróleo, surgiu a tecnologia flex que atrai mais de R$ 140 bilhões em investimentos e equipa 85% da frota brasileira

19 nov 2025 - 22h40
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Não importa a marca. O futuro do carro no Brasil passa por modelos híbridos flex. A tecnologia vai absorver boa parte do investimento de mais de R$ 140 bilhões que as montadoras fazem no país. E isso só é possível porque, 50 anos atrás, o governo criou o Proálcool - Programa Nacional do Álcool.

A iniciativa, implementada em novembro de 1975, era uma resposta à crise energética global com a escalada do preço do petróleo. Na época, o objetivo do Brasil era reduzir a dependência do combustível fóssil, mas a empreitada acabou criando algo bem mais valioso: uma cadeia de valor e política energética de longo prazo.

"De uma crise, nasceu uma alternativa verde, reconhecida hoje no mundo com sua matriz renovável e aplicável nos veículos flex brasileiros", observa Marcus Vinícius Aguiar, presidente da AEA, Associação de Engenharia Automotiva, que surgiu justamente como consequência do programa.

Igor Calvet, presidente da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos), também celebra a iniciativa. "Hoje, mais de 85% da nossa frota circulante é flex, o que nos permite descarbonizar de forma imediata, sem depender exclusivamente da eletrificação", aponta.

A seguir, o Jornal do Carro conta as diferentes etapas da política criada há cinco décadas que acabou por abrir espaço para a tecnologia.

1- As primeiras experiências com o carro a álcool

Ainda no início dos anos 1970, antes mesmo do começo oficial do Proálcool, o Brasil já testava o álcool como combustível para carros. Oficinas e retíficas de motores receberam do governo autorização para converter veículos ao uso da solução, mas a base técnica era fraca.

Esses empreendimentos alteravam o avanço da ignição, velas, elevavam a vazão do combustível e trocavam a bateria por uma de maior capacidade. A mudança, no entanto, criava problemas técnicos, já que aspectos essenciais, como a taxa de compressão do motor, não era adaptada.

2- Proálcool: soberania energética e desafios técnicos

A partir de 1977, o Brasil entra no que é vista como segunda fase do Proálcool, com envolvimento de diferentes elos da engenharia brasileira, incluindo fabricantes de veículos, de autopeças, universidades e governo. Um marco dessa fase foi a padronização do combustível. Até então, eram três tipos de álcool, utilizados sem tanto rigor técnico.

Em 1979, a Fiat lança no Brasil o primeiro carro a álcool produzido em série do mundo 147, apelidado de Cachacinha por causa do aroma característico do escapamento. O modelo é tido como um passo importante para a engenharia local e um marco para o que depois se tornaria o desenvolvimento do carro flex.

3- Chegou a vez do carro flex

Com as variações de preço do álcool combustível por causa das entressafras, o carro movido puramente ao combustível enfrentou restrição por parte dos consumidores. Isso mudou com a chegada dos veículos flex, em 2003, no Volkswagen Gol.

O modelo funcionava a gasolina, etanol ou qualquer proporção da mistura. Assim, o consumidor podia escolher o melhor quando variações de preços aconteciam. Dois anos depois do lançamento, em 2005, a solução já equipava 80% dos carros novos.

4- O futuro (e o presente) são do carro híbrido flex

O próximo passo da tecnologia começou a ser traçado em 2019, quando a Toyota lançou o primeiro carro híbrido flex do mundo, uma versão do Corolla. Desde então, todas as montadoras com produção local já lançaram ou ainda começarão a oferecer no país carros com soluções equivalentes.

5- Aliado na redução da pegada de carbono

O ciclo energético do etanol tem emissão de carbono bastante inferior à gasolina. Estudo do BCG em parceria com a Anfavea, associação que representa as montadoras, divulgado no fim de outubro, mostra que o Brasil é o país em que os veículos têm menor pegada de carbono em todo o mundo.

O trabalho avalia todo o ciclo de vida dos carros, desde a extração de matérias-primas, fabricação de componentes, produção do automóvel e seu uso no dia a dia. A matriz energética limpa do Brasil e a opção do etanol como combustível dão enorme contribuição ao bom resultado.

Estadão
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