Capacete mal ajustado, falta de luvas e roupas inadequadas aumentam risco de lesões
Especialistas alertam que capacete mal preso e falta de equipamentos de proteção aumentam gravidade de acidentes
Quando o assunto é segurança sobre duas rodas, o capacete ainda é o item mais importante — mas ele sozinho não resolve tudo. Luvas, jaquetas apropriadas, botas e até protetor de coluna podem fazer diferença na gravidade de lesões em um acidente. E, segundo especialistas em pilotagem, muitos motociclistas ainda negligenciam equipamentos básicos de proteção.
Durante uma ação de formação de instrutores promovida pela Yamaha em parceria com a Prefeitura de São José dos Campos, o instrutor do Yamaha Riding Academy (YRA), Helio Mazzarella, compartilhou com o Jornal do Carro orientações voltadas à prevenção de acidentes e ao uso correto dos equipamentos de segurança.
Segundo ele, um dos erros mais comuns está justamente no uso inadequado do capacete. "Não basta apenas colocar o capacete. Ele precisa ser homologado, estar corretamente ajustado e com a cinta jugular presa", explica.
Principais erros no trânsito
Além da falta de equipamentos adequados, distrações e excesso de confiança seguem entre os fatores mais comuns em acidentes.
Para Mazzarella, a displicência ainda é um dos maiores problemas no trânsito atual. O uso do celular ao pilotar ou dirigir, mesmo por poucos segundos, pode comprometer totalmente o tempo de reação do condutor.
Excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho também aparecem entre as infrações mais frequentes.
"São situações totalmente evitáveis, mas que continuam acontecendo o tempo todo", afirma.
No caso específico das motocicletas, falta de manutenção também contribui para aumentar os riscos.
Direção defensiva ajuda a evitar acidentes
Outro ponto destacado pelo especialista é a condução defensiva. A ideia é antecipar situações de risco antes que elas aconteçam.
Um exemplo citado é a aproximação de cruzamentos e semáforos amarelos. Em vez de acelerar para passar, o comportamento mais seguro é reduzir a velocidade e prever possíveis movimentos de pedestres ou frenagens bruscas.
O mesmo vale para regiões próximas de escolas, ruas movimentadas, rotatórias e áreas de grande fluxo.
Outra recomendação importante é evitar permanecer nos pontos cegos dos veículos ao redor. "Ser visto pelos outros motoristas pode evitar acidentes", resume.
Mazzarella também orienta motociclistas a ocuparem corretamente a faixa de rolamento, preferindo trafegar nas linhas onde passam os pneus dos carros. Segundo ele, isso amplia o campo de visão e aumenta o tempo de reação em situações de emergência.
Pilotagem na chuva exige mudança de comportamento
Em piso molhado, a aderência dos pneus cai consideravelmente, exigindo adaptação imediata da pilotagem.
A recomendação é reduzir velocidade, evitar movimentos bruscos e utilizar os freios de maneira progressiva. Segundo o instrutor, a distribuição ideal de frenagem em motos fica próxima de 60% no freio dianteiro e 40% no traseiro.
Além disso, ele recomenda atenção constante ao entorno do veículo. "O condutor precisa pilotar olhando 360 graus, observando não só o que está à frente, mas também atrás, usando os retrovisores."
Maio Amarelo reforça ações de conscientização
As orientações fazem parte das ações ligadas ao Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização sobre segurança viária.
Criada a partir de uma iniciativa da ONU em 2011, a campanha transformou o mês de maio em referência mundial para debates e ações educativas voltadas à redução de acidentes de trânsito.
Entre as empresas que participam das ações está a Yamaha Motor do Brasil, responsável pelo Yamaha Riding Academy, programa de formação de instrutores e disseminação de técnicas de pilotagem segura criado no País ainda na década de 1990.
Segundo Rafael Lourenço, gerente de Relações Institucionais da Yamaha, a empresa mantém atualmente mais de 120 instrutores ativos em concessionárias e municípios brasileiros.
"Na Yamaha, entendemos a segurança viária como uma responsabilidade compartilhada entre iniciativa privada, poder público e sociedade", afirma.
De acordo com a fabricante, o programa impacta cerca de 20 mil motociclistas por ano por meio de treinamentos, palestras e atividades práticas. Em 2025, as ações já ultrapassaram 35 mil pessoas alcançadas.
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