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BYD diz que tem gente vendendo "híbrido fake" no Brasil e fala para Volkswagen "aprender" com a Ford

VP da fabricante chinesa, Alexandre Baldy critica rivais que oferecem híbridos leves, defende regras mais rígidas para benefícios fiscais e rebate fala de Ciro Possobom sobre carros chineses

8 jun 2026 - 12h17
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Depois de ultrapassar fabricantes tradicionais no varejo, bater recordes com o Dolphin Mini e transformar seus carros eletrificados em assunto recorrente nas ruas, a BYD agora quer ocupar, de fato, o posto de protagonista que dita tendências e faz análises críticas sobre o resto do mercado.

É o que demonstra Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da fabricante de origem chinesa no Brasil. Em conversa com o Jornal do Carro sobre o momento da marca durante o lançamento do Sealion 7, o executivo criticou rivais que vendem carros com sistemas híbridos leves.

Sem citar diretamente a Stellantis, mas mirando justamente no tipo de tecnologia MHEV usado por marcas do grupo (como Fiat e Peugeot), Baldy chamou os produtos de "híbridos fake".

"Tem gente no mercado vendendo carro que não é híbrido como híbrido, levando o consumidor a um ledo engano", afirmou.

Distorção no mercado

A declaração toca em um dos pontos mais sensíveis do mercado brasileiro. Com a popularização dos eletrificados, várias fabricantes passaram a usar a eletrificação como argumento comercial. O problema, segundo Baldy, é que nem todo carro com algum tipo de assistência elétrica deveria ser tratado como híbrido pelo consumidor e muito menos por políticas públicas.

"O que nós precisamos é ter respeito pelo consumidor. Há marcas que já lançaram carros que se dizem híbridos, mas não entregam performance, sustentabilidade, não reduzem emissões e não melhoram o consumo para serem considerados carros híbridos. Isso faz com que distorções ocorram", disse.

Baldy citou o rodízio em São Paulo e os descontos ou isenções de IPVA concedidos por alguns estados a carros eletrificados. Para o executivo, veículo que não traz ganho significativo de sustentabilidade não deveria ter os mesmos benefícios de um híbrido pleno ou plug-in.

"Veja o rodízio na cidade de São Paulo. Não se poderia permitir um carro que não ganha em sustentabilidade, que não mitiga emissões, que é o motivo do rodízio, de se valer do benefício", afirmou. "Assim como também políticas públicas em estados que têm hoje isenções ou reduções de IPVA para carros que são híbridos. Estes devem ser concedidos, desde que sejam para híbridos de verdade."

BYD quer proteger posição

A BYD sabe que virou referência de eletrificação no Brasil e quer proteger esse território. A marca cresceu quase 90% no primeiro quadrimestre e, em abril, chegou à liderança do varejo nacional, com 14.911 unidades entregues nessa modalidade. O resultado surpreendeu até a própria empresa.

"Foi uma surpresa e motivo de celebração. Não esperávamos chegar à liderança nesse momento, de forma antecipada", salientou Baldy.

Segundo o vice-presidente da BYD, o desempenho fortalece a operação local diante da matriz chinesa. Em outras palavras, vender muito no Brasil vira argumento interno para pedir mais investimento, mais produto e mais estrutura.

A referência é a Jim Farley, CEO global da Ford, que já elogiou publicamente a evolução dos carros chineses, especialmente em tecnologia e experiência de uso. Para Baldy, a leitura de Possobom sobre a indústria chinesa seria limitada.

"Então, se esse CEO pudesse aprender um pouco mais com alguns exemplos globais, ele certamente teria uma opinião mais elaborada."

A frase resume bem o novo momento da BYD no Brasil. A marca não está apenas vendendo mais. Está entrando na briga institucional, comercial e narrativa contra fabricantes que dominaram o país por décadas.

Só que, agora, a BYD já não fala como promessa. Fala como líder de varejo. O discurso, por conseguinte, tem ainda mais peso.

Estadão
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