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Voto da CBF em congresso da Fifa foi uma retaliação aos EUA

País é responsável por devassa no grupo político que comanda a Confederação

15 jun 2018
10h13
atualizado às 10h14
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A polêmica em que se envolveu o presidente da CBF, coronel Antônio Nunes, com seu voto no 68º Congresso da Fifa, na quarta (13), a favor da candidatura de Marrocos para o Mundial de 2026 e não da sede conjunta entre Estados Unidos, Canadá e México foi uma medida em represália aos EUA. Ele quis marcar posição contra as investigações da Justiça norte-americana que resultaram na condenação de um ex-presidente da CBF por crimes de corrupção – José Maria Marin – e levou a Fifa a banir outro presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, por supostamente ter cometido os mesmos delitos de Marin.

Figura decorativa na CBF, que assumiu a presidência após a exclusão de Del Nero por ser o vice mais idoso da confederação, o coronel Nunes jamais deu um passo na entidade sem consultar o próprio Del Nero e o presidente recém-eleito, Rogério Caboclo.

Antonio Nunes, atual presidente da CBF, em solenidade da CBF
Antonio Nunes, atual presidente da CBF, em solenidade da CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF / Divulgação

De acordo com o relato, ao Terra, de um presidente de federação estadual de futebol que está na Rússia, Del Nero e Caboclo sabiam do voto de Nunes pró-Marrocos, atitude que abriu uma crise na relação da CBF com a Confederação Sul-Americana de Futebol e com a confederação que reúne os países do Caribe e da América do Norte. Havia um acordo entre essas entidades de que os 10 países sul-americanos com direito a voto no congresso optariam pela candidatura tríplice. Um deles, porém, ruiu a corda: o Brasil, via CBF.

“Ele quis fazer um afago ao Del Nero, votando contra os Estados Unidos, e o Caboclo sabia disso. Mas a repercussão do caso pegou todos de surpresa. E a situação piorou com as declarações desastrosas do coronel depois do incidente”, contou ao Terra outro dirigente de federação, que integra a comitiva da CBF na Rússia.

Assim que acabou a votação, na quarta, o coronel tentou justificar seu gesto, recebido pelos demais sul-americanos como uma traição:

“Os Estados Unidos já sediaram uma vez, né? O México vai para a terceira Copa. Eles (Marrocos) nunca foram sede de uma Copa”, disse, sem responder, porém, por que havia se comprometido antes em seguir a recomendação da Conmebol em apoiar a Copa na América do Norte.

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Fonte: Terra
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