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Partidas em Wimbledon estão sob investigação por manipulação de resultados

A Agência Internacional de Integridade do Tênis investiga 'possível irregularidade nos padrões de apostas'

14 jul 2021 11h31
| atualizado às 12h24
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Duas partidas do Torneio de Wimbledon viraram alvo de investigação por causa de supostas manipulações de resultados, segundo a ITIA (Agência Internacional de Integridade do Tênis). Em questão, estão um jogo de simples realizado no início da competição em Londres e um duelo de duplas masculino.

No primeiro caso, uma quantia de cinco dígitos teria sido apostada no fim do segundo set para adivinhar o resultado exato do terceiro set. Além disso, outra aposta foi feita sobre o número de games de saque. Ambas foram bem-sucedidas. Os paostadores ganharam e isso não seria muito comum. O jornal Die Welt informou que um jogador alemão estava envolvido na partida de simples, mas não fazia parte ainda da investigação.

Já no outro jogo, havia altas apostas contra os favoritos em horas irregulares. Isso porque após ganharem o primeiro set, as odds, termo usado para explicar a chance de algo acontecer, da derrota da dupla aumentaram. Também fugindo ao padrão comum das casas de apostas. Foi nesse exato momento que as apostas foram feitas, gerando um lucro muito maior aos apostadores.

"É importante observar que um alerta por si só não é evidência de manipulação de resultados no tênis. Quando a análise de um alerta de correspondência sugere atividade corrupta, a ITIA conduz uma investigação completa e confidencial", disse um porta-voz da agência à BBC, a TV estatal da Inglaterra. Ele ainda adicionou que "dois alertas foram providenciados a nós da indústria de apostas indicando possíveis padrões de apostas irregulares".

O tenista argentino Franco Feitt foi banido para sempre do esporte pela instituição após admitir, em abril, que manipulou nove jogos entre 2014 e 2018. Dois meses depois, a tenista russa Yana Sizikowa foi presa por supostamente manipular uma partida durante a edição de Roland Garros do ano passado. A atleta nega qualquer ação irregular.

Esse é um problema recorrente no mundo do tênis e que ainda não foi resolvido. É por isso que a ITIA foi criada neste ano para tentar solucionar as violações e impedir que mais casos aconteçam nos torneios. Desde 2008, a TIU, Unidade de Integridade do Tênis, era um 'braço' independente da ITF, Federação Internacional de Tênis, responsável por monitorar essa questão, até que foi substituído pela Agência Internacional de Integridade do Tênis.

MANIPULAÇÃO

A manipulação de resultados é muito comum principalmente nos níveis menores do tênis. As premiações são muito mais baixas, e os jogadores geralmente não possuem patrocinadores. Por isso, ter um incentivo financeiro para perder uma partida às vezes pode vale mais do que competir pelo prêmio maior, até para quem participa dos torneios principais. Pelo menos para esses atletas. Não é. Por exemplo, quem perde na primeira rodada de Wimbledon recebe 65 mil euros (R$ 390 mil). O vencedor de tudo leva para casa 2,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 14 milhões). Mas não justifica.

Desde 2002, a elite do esporte, como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic, conquistou 60 dos 76 torneios disputados. O último a levantar um troféu fora do trio foi o austríaco Dominic Thiem, no Aberto dos Estados Unidos de 2020. Porém, na ocasião, o suíço e o espanhol não estavam presentes, e o sérvio foi desclassificado após, sem intenção, acertar uma bola em uma das juízas.

JOGOS OLÍMPICOS

Preocupado com o crescimento das apostas esportivas no Brasil, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) está lançou um conjunto de regras e ações para evitar e combater a manipulação de resultados. Os mecanismos de controle contra fraudes esportivas já serão válidos para os Jogos de Tóquio e preveem desde advertências até suspensões e banimentos do atleta que descumprir as regras.

"Temos uma preocupação com a Olimpíada por ser na Ásia. Lá tem muita aposta, a Ásia é o centro mundial das apostas esportivas. É cultural deles", disse ao Estadão o diretor jurídico do COB, Luciano Hostins. "A manipulação de competições ligadas às apostas é considerada no meio desportivo mundial uma das maiores ameaças à integridade do esporte. Não seria diferente no contexto dos Jogos Olímpicos."

Entre os esportes olímpicos, o tênis é um dos que vem registrando o maior número de casos de manipulação nos últimos anos. A demanda é tanta que as principais entidades da modalidade no mundo formaram a Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês). Um dos casos investigados pela TIU foi o do brasileiro João Souza. Feijão, como é conhecido, acabou sendo banido do esporte profissional e multado em US$ 200 mil (quase R$ 1 milhão) no início de 2020.

Estadão
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