Filho de herói argentino na Copa de 86 vive ascensão no tênis e já foi ameaçado por apostadores
Román Burruchaga virou tenista em vez de seguir passos do pai, Jorge Burruchaga, autor do gol do título mundial da seleção argentina em 1986 e carrasco do Grêmio na Libertadores de 1984
Román Burruchaga foi eliminado em sua partida de duplas no Rio Open, ao lado do italiano Andrea Pellegrini, após derrota para os brasileiros João Fonseca e Marcelo Melo. Em simples, contudo, avançou às oitavas ao eliminar o compatriota Camilo Ugo Carabelli e deu sequência à ascensão que tem vivido ao longo das últimas temporadas. Nesta quarta-feira, enfrenta o checo Vit Kopriva.
O sobrenome Burruchaga soa familiar para quem acompanhou o futebol ao longo da década de 1980. Em uma seleção argentina cuja grande estrela era Diego Armando Maradona, foi Jorge Burruchaga, pai de Román, quem marcou o gol do título da Copa do Mundo de 1986 na vitória por 3 a 2 sobre a Alemanha Ocidental. De qualquer forma, a assistência saiu dos pés do camisa 10.
Lenda na Argentina, o ex-meia-atacante foi decisivo também em uma partida que deixou más lembranças no Rio Grande do Sul. Em 1984, dois anos antes de erguer a taça da Copa, fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Independiente no primeiro jogo da final da Libertadores contra o Grêmio, em Porto Alegre. A partida de volta terminou empatada, e o time argentino foi campeão.
O Burruchaga tenista, que completou 24 anos em janeiro, não alcançou o mesmo sucesso que o pai teve no esporte, mas vive seu melhor momento na carreira. Depois de terminar 2025 na 105ª posição do ranking, a mais alta que já alcançou, está entrando no top 100 pela primeira vez graças ao triunfo no Rio Open. Virtualmente, ocupa a 95ª colocação.
"Minha primeira vitória no Rio. Venho de uma família de esportistas porque do lado do meu pai, meu irmão também joga futebol. Mas enfim, eu jogo tênis, sigo minha carreira em geral, por assim dizer, e bem, meu pai ficará muito feliz agora", disse o tenista argentino.
O maior título de Román foi conquistado ano passado, no Brasil: o Challenger 125 da Costa do Sauípe, que voltou a receber um torneio de tênis após 14 anos. Ele teve a chance de repetir a dose no Challenger de Rosário, na Argentina, mas perdeu a final para Ugo Carabelli, de quem se vingou no Rio Open.
As lembranças que ficaram da competição, contudo, foram as ameaças recebidas por Román, conforme relatado por ele mesmo depois da disputa da final. Desde antes das semifinais, contra o taiwanês Chin-Hsin Tseng, ele vinha sendo alvo de mensagens intimidadoras, cujo objetivo era fazer que perdesse de propósito.
"Infelizmente, essas coisas acontecem, e já nos acostumamos com isso. Normalizamos a situação, mas não deveria ser assim. O que aconteceu outro dia não é algo que costuma acontecer; foi algo mais chocante e anormal, por isso aconteceu. Espero que uma solução seja encontrada", afirmou.
"Foi diferente porque recebi várias mensagens com diversos detalhes pessoais sobre mim, por isso digo que foi mais chocante. Quando isso aconteceu, registramos uma queixa para que as apostas fossem canceladas e pudéssemos ficar tranquilos. Eu estava sob proteção policial no sábado e no domingo, quando joguei a final. Estive na delegacia, conversando com o promotor, coisas que eu nunca tinha vivenciado antes", concluiu.
O assunto teve bastante repercussão na Argentina e foi abordado por outros atletas, como Francisco Cerúndolo, melhor sul-americano do ranking da ATP, em 19º lugar. Cerúndolo também disputa o Rio Open e passou pelo compatriota Mariano Navone para avançar às quartas de final.