Muller diz que caos político não pode ser desculpa no São Paulo: 'Jogador tem que assumir a culpa'
Ex-atacante conversou com o Terra e analisou o momento do Tricolor Paulista
Muller, ídolo do São Paulo, afirma que os problemas políticos do clube não justificam o mau desempenho em campo, critica a qualidade do elenco e cobra contratações urgentes para evitar riscos no Brasileirão.
Ídolo do São Paulo, Muller acredita que a ‘página tem que virar’ quanto aos problemas políticos nos bastidores do Morumbi, após a renúncia de Julio Casares. Mesmo tendo se posicionado pela saída do ex-presidente na reta final de seu mandato, o ex-jogador afirma que o caos dos últimos meses não pode ser uma desculpa para o desempenho dentro de campo.
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“O cenário político que o clube passa não afeta o campo. Se o Corinthians tivesse perdido a Copa do Brasil no ano passado, todo mundo diria isso, né? O Corinthians foi campeão da Copa do Brasil e os problemas políticos ficaram no extracampo. Mesma coisa o São Paulo. Até porque já foram resolvidos”, diz em entrevista ao Terra.
Para Muller, os jogadores atuais precisam assumir sua parcela de culpa e a nova diretoria precisa contratar jogadores ‘de qualidade e tarimbados’ para o restante da temporada.
“Essa desculpa, o são-paulino como eu, não pode aceitar. Essa desculpa é muito vazia. O jogador tem que assumir a sua culpa, a sua responsabilidade e saber que a dificuldade será grande, Porém, vai ter que enfrentá-la”, continua.
Sem mudanças dentro de campo, o ídolo tricolor teme uma luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O São Paulo estreia na competição na próxima quarta-feira, 28, contra o Flamengo, no Morumbi.
“O São Paulo tem um elenco curto, não tem muita qualidade, e os seus principais jogadores atualmente estão fora de forma por conta da pré-temporada que não existiu. Acho que esse somatório de coisas, principalmente a pré-temporada, vai fazer o São Paulo sofrer no Campeonato Brasileiro”, projeta.
Se o São Paulo quiser um campeonato mais tranquilo, Muller acredita que o presidente Harry Massis Junior precisa trabalhar pela contratação de, ao menos, cinco jogadores de alto nível. Para ele, laterais para os dois lados, meio-campistas de criação e um jogador de beirada são as maiores necessidades do momento, além de um reserva à altura de Jonathan Calleri.
“Acho que esta consciência tem que ter agora, enquanto a janela está aberta, porque vai chegar daqui a um momento que o São Paulo vai contratar no desespero, e contratar no desespero você contrata mal e gasta mais”, explica.
Com o elenco que considera escasso, Muller diz que ainda é cedo para avaliar o trabalho de Hernán Crespo. O técnico argentino assumiu o São Paulo em junho do ano passado, após a saída de Luis Zubeldía.
“O Crespo tem que ser cobrado a partir dessa temporada, deste ano. Porque ele está no começo do trabalho, está pegando o São Paulo desde o início. Não se cobra um treinador por um resultado, uma vitória ou uma derrota. Se cobra pela temporada. Até a parada para a Copa do Mundo, a gente vai avaliar o trabalho do Crespo, se é bom, se é ruim, se é médio”, analisa.
Os estrangeiros do São Paulo
Em um elenco tricolor do qual diz não ter nenhum amigo, Muller recentemente se envolveu em uma ‘treta’ com Robert Arboleda ao criticar os jogadores estrangeiros do São Paulo. Agora, ele reforçou que seu problema não é contra os atletas de fora, mas, sim, com os ‘medianos’.
“O Calleri é um bom jogador para o São Paulo? É. O Arboleda mesmo é um bom jogador para o São Paulo? É. O Alan Franco é um bom jogador para o São Paulo? É. Agora, o restante não posso dizer o mesmo. A maioria dos estrangeiros do São Paulo são jogadores medianos".
Como exemplo de boas contratações, o ex-atacante também mencionou Jorge Carrascal, Gonzalo Plata e Nicolás de la Cruz, do Flamengo. Em contrapartida, reforçou a crítica a alguns do São Paulo: “O São Paulo contratou o Cédric [Soares], Enzo [Díaz]. Para mim, são jogadores que não podem vestir a camisa do São Paulo, mas eles estão lá”.
A culpa dessas contratações, porém, Muller coloca nos dirigentes são-paulinos: “São jogadores ruins e caros. Para contratar um jogador assim, prefiro promover a garotada da base e contratar jogadores brasileiros bons. Já que vai custar caro, invista num jogador brasileiro bom. Um estrangeiro bom é bem-vindo, claro. Agora, vir um jogador estrangeiro para compor elenco, discordo. Elenco se compõe com base”.
Passado em Palmeiras, Santos e Corinthians
Mais do que analisar o atual momento do Tricolor Paulista, Muller respondeu sobre sua história no São Paulo. Com a camisa tricolor, o ex-camisa 7 conquistou o bicampeonato da Libertadores, bi Mundial, bi do Brasileirão e o tetra do Paulistão.
Posteriormente, no entanto, ele vestiu as camisas de Palmeiras, Santos e Corinthians. Embora alguns torcedores não gostem da passagem do ex-jogador pelos rivais, ele não vê isso como algo que apague sua história com o clube.
De acordo com Muller, inclusive, as idas para Palmeiras e Santos só aconteceram porque o São Paulo o rejeitou. No Palestra Itália, ele fez história ao formar o ataque dos 100 gols com Rivaldo, Djalminha e Luizão, no Paulistão de 1996.
“Se o São Paulo fechou as portas para mim, vou ficar chorando na rua da amargura? Não. Eu sou jogador, tenho que jogar. Por isso que eu fui para o Palmeiras e para o Santos. Só fui porque o São Paulo fechou as portas para mim. Joguei no Palmeiras, uma seleção, conquistamos o Paulista em 96. Marquei uma história maravilhosa no Palmeiras com um timaço. E está lá, aquela história no Palmeiras ninguém vai apagar. E a minha história no São Paulo ninguém vai apagar. Quando está conquistada, a história fica eternamente gravada”, afirma.
Diferentemente das idas para Palmeiras e Santos, a ida para o Corinthians aconteceu sem qualquer conversa com o São Paulo. Na época jogador do Cruzeiro, ele recorda que foi para o Timão por um pedido do amigo Vanderlei Luxemburgo.
@terraesportes Muller fez história com a camisa do São Paulo, mas também jogou em Palmeiras, Corinthians e Santos. Agora, Alisson pode deixar o Tricolor rumo a um rival, e recebeu um conselho do ex-atacante. #TerraEsportes#Muller#Corinthians#SãoPaulo#Alisson #Futebol ♬ som original - Terra Esportes
Agora, assim como Muller fez no passado, um outro jogador identificado pode vestir a camisa do Corinthians. Campeão da Copa do Brasil e da Supercopa, Alisson negocia com o rival, e tem o apoio do ex-atacante para concretizar a transferência.
“O Crespo não vê o Alisson com bons olhos. Se o jogador quer jogar e o Dorival gosta dele, tem que ir. Ele vai ficar sem jogar no São Paulo? Acredito que ele tem que ir mesmo. O treinador gosta dele, e lá ele vai jogar como titular. Por que ele vai ficar de reserva no São Paulo, sendo que ele pode ser titular em outro clube? A história jamais é manchada quando se conquista”, completa.