Aos 40, Ceni e Dida têm noites históricas e já podem prolongar carreira
Em 22 de janeiro de 1973, em Pato Branco-PR, nascia Rogério Mücke Ceni. Em Irará-BA, dia 7 de outubro do mesmo ano, nascia Nelson de Jesus Silva, o Dida. Quatro décadas depois, em 23 de outubro de 2013, dois dos três goleiros brasileiros mais vitoriosos desde Taffarel - além de Marcos - teriam uma noite histórica. Daquelas que, muitas vezes, faz se repensar situações definidas. Como a aposentadoria.
Em Santiago, Ceni mostrou que está disposto a levar o São Paulo a mais uma Copa Libertadores, agora via Copa Sul-Americana. Segundo dados do Footstats, na vitória por 4 a 3 contra a Universidad Católica-CHI, Rogério realizou simplesmente 11 defesas. É seu maior índice na atual temporada, quiçá há muitos anos. Algumas intervenções podem ser classificadas como milagrosas e, para são-paulinos mais entusiasmados, Ceni pegou tanto quanto contra o Liverpool-ING no Mundial de 2005.
A lembrança de um título mundial também marcou a noite do gremista Dida. Ao longo de 90 minutos, sua participação foi quase figurativa. Foram três defesas contra o Corinthians, segundo o Footstats. Entretanto, o gigante acordou na hora dos pênaltis: parou Danilo, Edenílson e ainda Alexandre Pato e sua cavadinha na quinta e decisiva cobrança. De seus companheiros de equipe, recebeu uma comemoração efusiva por levar a equipe à semifinal da Copa do Brasil. Como havia sido ao pegar pênaltis pelos corintianos para ganhar o Mundial de Clubes em 2000.
Dida e especialmente Rogério Ceni tinham boas chances de pendurar as luvas em dezembro, mas as atuações de gala acenderam a possibilidade de extensões de contrato. Na Arena do Grêmio e depois da vaga obtida, o presidente Fábio Koff admitiu que o clube deve sentar para falar com o goleiro sobre mais um ano de contrato.
Ceni, depois de um primeiro semestre marcado por muitas falhas, acumula atuações incríveis desde a saída de Ney Franco e especialmente com a chegada de Muricy Ramalho. Ele, que falava abertamente sobre a possibilidade de parar em dezembro, já é alvo de ofensiva de Muricy para jogar ao menos por mais um semestre. A tendência é de uma definição nas próximas semanas.
Com três e duas Copas do Mundo no currículo, respectivamente, Dida e Ceni tiveram, em seu passado recente, situações muito distintas. O goleiro do Grêmio chegou a se aposentar por duas temporadas por falta de ofertas, mas renasceu para o futebol em 2012 com o convite da Portuguesa para jogar o último Campeonato Brasileiro. Não teve, ao longo dos últimos anos, nenhum problema físico importante.
A situação é oposta à de Rogério Ceni, que acusa muitas dores há algum tempo. Em 2009, durante treinamento, o goleiro fraturou o tornozelo esquerdo. No último ano, também teve problema importante no ombro direito. Com menor gravidade, mas até mesmo nesta temporada o goleiro machucou o pé. "Estou contente que, depois de velho para o mundo do futebol, eu ainda receba tanto carinho", disse Ceni no Chile à Foxsports.