Ganso relembra "palmadas" da infância em almoço familiar
- Samir Carvalho
- Direto de Santos
A família de umas das principais revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, o meia Paulo Henrique Ganso, do Santos, abriu as portas de casa para a reportagem do Terra. A mãe, dona Maria Creuza, 56, o pai, Julio de Lima, 58, os irmãos, Julio Chagas, 29, e Paula de Lima, 31 anos, se reuniram para um almoço de família, que contou com a presença do camisa 10 do time da Vila Belmiro.
Entretanto, antes do almoço organizado especialmente por Dona Creuza, preparado com um tempero típico da comida do Pará, estado natal da família, Ganso e os familiares contaram várias histórias dos parentes. A entrevista não deixou dúvidas que o sucesso do meia, que está sendo cogitado para defender a Seleção Brasileira na Copa da África, começa dentro de casa.
Se não fosse a estrutura familiar e o esforço de Dona Creuza, a torcida santista certamente não poderia desfrutar da boa fase do time alvinegro. Diferente da maioria dos atletas de futebol, Ganso foi criado em uma família de classe média, na cidade de Ananindeua, no Pará. Com os recursos já adquiridos, Paulo Henrique e seus irmãos puderam sempre estudar em escola particular.
"Todos meus filhos foram criados em escola particular. Vejo o resultado em todos. Não tenho orgulho só do Paulo Henrique. A mais velha casou, o Papito e a Paula se formaram", disse Dona Creuza.
O curioso é que a educação familiar é utilizada hoje para gerenciar a carreira de Paulo Henrique Ganso. Paula, por exemplo, é advogada e costuma sempre analisar os contratos do atleta antes de qualquer assinatura. "Nós damos uma olhada para saber se está tudo 'ok' com os documentos", comentou Paula.
Ganso administra o salário, mas conta com a ajuda do pai Julio e do irmão Papito, que são formados em contabilidade. "O Paulo toma conta, mas a gente o ajuda na administração", afirmou Julio, que além de contador é aposentado da Petrobras. Questionado sobre sua função, dona Creuza disse que utiliza a linha dura de educação para comandar a família.
"A minha função é olhar a todos. Sempre cobrei bastante e batia quando era preciso. Até hoje sempre ligo para ele (Ganso) quando ele não está em casa. O pai nunca fez isso (bateu nos filhos) e sempre deixou essa função para mim. Ele (Ganso) sempre era o que apanhava mais. Mas hoje vemos o resultado, já que ele é muito carinhoso e ótimo filho", disse dona Creuza.
O meia santista não escondeu que sempre apanhou da mãe quando era merecido. "Eu apanhava demais", disse o jogador, que nunca se esqueceu da surra que tomou aos 12 anos por estar namorando. "Nós brincávamos de 'cai no poço', uma brincadeira de criança, que sempre acaba com um beijo. E eu consegui beijar uma amiga. Fiquei todo feliz e contei para o meu pai. Mas quando minha mãe ficou sabendo, ela me bateu, pois achava que eu era muito novo para beijar as meninas", completou.
Dinheiro escondido
Apesar da linha dura na educação dos filhos, Dona Creuza não mediu esforços para fazer de Paulo Henrique Ganso um atleta de sucesso. A mãe acompanha o filho em busco do sonho desde os seis anos de idade, quando Ganso já demonstrava intimidade com a bola.
Creuza, inclusive, foi quem viajou com Paulo Henrique para a cidade de Santos. Mesmo antes do meia ser aprovado nos testes, ela já tinha alugado um apartamento para os dois ficarem na Baixada Santista. "Como ele é o caçula e todos já estavam encaminhados, eu já tinha empregada e bastante tempo para se dedicar a carreira do Henrique (como é chamado Ganso na família)", disse dona Creuza.
Julio, pai do jogador, admitiu que dona Creuza pegava dinheiro escondido de sua carteira para comprar chuteiras para o atleta no inicio da carreira. "Uma vez ele foi treinar no Paysandu, e perguntaram se ele era rico quando viram a chuteira bonita que estava no pé dele", disse a irmã, Paula.
Além de comprar várias chuteiras para o atual camisa 10 do Santos, dona Creuza chegou, inclusive, a pegar dinheiro do marido para comprar o uniforme completo da Tuna Luso, quando Ganso jogava nas categorias de base do clube paraense. Se não bastasse, ela também comprou uma máquina de costura e fazia os coletes e as bermudas térmicas para os meninos que jogavam no time.
"Ela pegava tudo escondido, mas eu ficava feliz, porque tinha o melhor para jogar. Ela fazia isso para melhorar minha condição de trabalho. Eles me ajudaram muito a ser um jogador profissional. Tive momentos difíceis na vida e eles me ajudaram", disse Paulo Henrique.