Salva-vidas segue profissão do pai nas arenas de rodeio
Quando o peão cai de cima do touro, a chance de ser atingido pelo animal é alta. Nessa hora, o boi precisa ser distraído para que o competidor se levante e termine a prova em segurança. Esse é o trabalho do salva-vidas de rodeio, indispensável no esporte.
A profissão ganhou reconhecimento no Brasil graças aos irmãos Antônio Carlos, o Django, e Deusecler Damasceno, o Meio-Quilo, da cidade de Pirapozinho (SP). Aos 58 anos, 35 deles dedicados à atuação nas arenas, Django é pioneiro da função de salva-vidas no país (o paulista morou nos Estados Unidos e lá aprendeu algumas técnicas para distrair o touro). Talento que acompanhou o filho, Ramon, de 21 anos.
Pelo terceiro ano seguido em Barretos, Ramon se orgulha da antiga profissão do pai (atualmente, Django é juiz de rodeio). "Meu pai é o meu grande ídolo, foi o pioneiro. Desde pequeno eu convivia com o trabalho dele e sempre ficava encantado", disse à imprensa.
O jovem começou na profissão aos 12 anos atuando em categorias mirins. Com a separação dos pais, quase abandonou a função a pedidos da mãe, que se preocupava com a segurança do filho. "Eu entendia a preocupação dela, mas não quis parar, sempre gostei", explicou.
Ramon falou que nunca pensou em fazer outra coisa e que o trabalho pode deixar marcas inesquecíveis. "Não temos troféus, mas temos algumas cicatrizes e machucados que nos fazem lembrar a vida de cada peão que salvamos", disse. "Hoje, acompanho meu tio (Deusecler) e me sinto realizado em dar continuidade ao trabalho dele", contou.
Na 57ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (440 quilômetros de São Paulo), nove salva-vidas participam das montarias em touros, sendo dois da família Damasceno: Ramon e Deusecler.