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Dida, Zagallo e Dinamite: Lusa apostou em contratações midiáticas

Clube paulista, que chega ao seu centenário, chamou atenção por investir em contratações de peso ao longo da história; relembre algumas das principais

14 ago 2020
10h10
atualizado às 10h10
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Ao longo de seus 100 anos de história, completados na sexta-feira, 14 de agosto de 2020, a Portuguesa chamou atenção em algumas ocasiões com contratações impactantes, como, o técnico Zagallo, o goleiro Dida e o artilheiro Roberto Dinamite. O Estadão recorda mais detalhes sobre elas.

Zagallo na Portuguesa

Em 29 de dezembro de 1998, o técnico Zagallo foi apresentado oficialmente pela Portuguesa. Na ocasião, o clube vivia um grande momento de sua história: havia sido semifinalista tanto no Paulistão quanto no Campeonato Brasileiro. O treinador, por sua vez, havia sido vice-campeão da Copa do Mundo da França meses antes, com a seleção brasileira.

"O Corinthians ficou 23 anos sem ser campeão e um dia quebrou o tabu. Agora, chegou a vez da Portuguesa [o clube estava sem títulos desde 1973]. Vim para disputar o título e fazer a Portuguesa ser respeitada em todos os sentidos", disse durante a coletiva em que posou para fotos com uma camisa de número 13. O contrato, inicialmente de seis meses, seria pago com a ajuda da patrocinadora Salemco, estimado em R$ 110 mil mensais.

No Campeonato Paulista, foram 16 vitórias, quatro empates e seis derrotas. A Lusa oscilou em diversos momentos: entre vitórias fora de casa contra Guarani (3 a 2) e Corinthians (4 a 2), por exemplo, o time foi goleado pela União Barbarense por 5 a 1 no Canindé. Zagallo foi um dos únicos poupados e aplaudidos pela torcida na saída do jogo, junto a Cesinha e Emerson.

Zagallo chegou à última rodada precisando de um empate diante do Palmeiras, no Palestra Itália, para chegar às semifinais. "Só espero que, desta vez, a Portuguesa não seja prejudicada pelo juiz", reclamava o técnico antes da partida. A Lusa teve três pênaltis, todos convertidos por Hernani, mas não conseguiu parar o alviverde. Derrota por 4 a 3 e eliminação. Mesmo assim, dias depois, o 'Velho Lobo' renovou seu contrato até o fim do ano.

Após uma sequência de sete jogos sem vitória, porém, Zagallo foi demitido na 13ª rodada do Brasileirão, deixando o time na antepenúltima posição, com apenas 12 pontos. "Ocorreram maus resultados por causa da perda de jogadores, o que eu previ há três meses. Sou grato à diretoria da Portuguesa por ter aberto as portas de São Paulo para mim", afirmou o técnico, que havia feito sua primeira e única passagem pelo futebol paulista na carreira.

Dois dias após a saída de Zagallo, sob o comando do interino Juninho Fonseca, a Portuguesa goleou o Juventude, campeão da Copa do Brasil meses antes, por 5 a 0, em Caxias do Sul. O time, porém, não engrenou e terminou o Brasileiro na vice-lanterna - só não foi rebaixado pois o torneio previa a média de pontos com o ano anterior para o descenso.

Roberto Dinamite, ídolo da colônia lusa

Aos 35 anos de idade, Roberto Dinamite foi contratado pela Portuguesa. O empréstimo do atacante ocorreu durante o Campeonato Brasileiro de 1989 e teve o apoio do técnico Antônio Lopes.

No dia de sua recepção no Canindé, em 9 de agosto de 1989, Dinamite almejava marcar ao menos 23 gols com a camisa 10 (o número foi uma de suas exigências) e prometia "muita luta com meus novos companheiros e muitos gols para ajudar a Portuguesa a ganhar o título brasileiro". A maior parte de seus salários, estimados em 80 mil novos cruzeiros à época, seriam pagos pela patrocinadora Hudson.

Sua estreia foi em um amistoso contra a Caldense-MG, em 3 de setembro de 1989, quando marcou os dois gols da vitória lusitana. Ficou em 3º na artilharia do Brasileirão, com nove gols, e ajudou a Portuguesa a passar da 1ª fase e ficar com a 7ª colocação geral.

Parte dos dirigentes da Lusa eram favoráveis a um aumento salarial para tentar manter Dinamite no clube, mas ele acabou retornando ao Vasco pouco depois do fim do Brasileirão, com uma boa média: 11 gols em 18 jogos.

A volta aos gramados de Dida

Em 25 de maio de 2012, a Portuguesa anunciou a contratação de Dida, então com 38 anos. O goleiro estava sem entrar em campo desde sua dispensa do Milan, cerca de dois anos antes. "O Brasileiro é difícil, o nosso conjunto ainda vai demorar um pouco para se entrosar, mas chego, sim, para ser campeão", sonhava, em sua apresentação.

À época, a Lusa vivia uma crise no gol. Após o afastamento de Weverton, titular na campanha do título da Série B no ano anterior, o técnico Jorginho promoveu Rodrigo Calaça à posição de titular. O jogador não inspirou confiança e foi criticado principalmente após falha que rendeu empate ao Linense, na penúltima rodada do Paulistão. Weverton recebeu a titularidade de volta, mas não impediu a derrota e o rebaixamento à série A-2 em seu último jogo.

Apesar de ter disputado algumas partidas em futebol de areia, Dida estava fora de forma e sua estreia ocorreu apenas um mês depois, em vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, na 6ª rodada da Série A. Titular absoluto, o arqueiro foi crucial para a permanência da equipe na 1ª divisão, na 16ª colocação, e foi ovacionado pelos torcedores adversários nos jogos contra Corinthians e Cruzeiro, seus ex-clubes. Após o Brasileirão, Dida acertou com o Grêmio e se despediu do Canindé afirmando que "foi uma passagem muito especial".

Outros goleiros de renome tiveram passagens marcantes pela Portuguesa. Em 1988, o clube contratou Waldir Peres, já aos 37 anos de idade. Em dezembro de 1990, o uruguaio Rodolfo Rodriguez, após longas passagens por Nacional e Santos, e um período de três anos no Sporting de Portugal, assinou com a Lusa.

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Estadão
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