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O outro lado do olímpico Engenhão: assaltos assombram bairro

Silvio Barsetti / Especial para Terra
23 mai 2016
10h26
atualizado às 11h12
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No início da noite de quinta-feira (19), atletas paralimpicos de vários países deixavam o Engenhão após um evento-teste quando um homem foi interceptado por um assaltante que lhe apontou uma pistola na esquina das ruas Dr Padilha e Arquias Cordeiro, duas das que formam o quadrilátero do estádio olimpico. Sem celular, relógio, documentos e dinheiro, ele acabou acolhido por moradores antes de seguir para casa.

Valdinir Torres, 80 anos, é dono de um bar vizinho ao Engenhão e diz ter medo por causa da ação frequente de criminosos na localidade
Valdinir Torres, 80 anos, é dono de um bar vizinho ao Engenhão e diz ter medo por causa da ação frequente de criminosos na localidade
Foto: Silvio Barsetti / Especial para Terra

O Terra ouviu mais de uma dezena de queixas de quem mora ou trabalha ao lado do Engenhão sobre casos repetidos de roubos e furtos no bairro do Engenho de Dentro. E com o tema segurança pública, encerra nesta segunda-feira (23) uma série de reportagens sobre problemas crônicos do entorno do Engenhão não solucionados com a chegada dos Jogos.

Líderes comunitários do Engenho de Dentro, na zona norte carioca, estão convencidos de que houve recentemente apenas uma maquiagem em alguns pontos do bairro.

Persistem a coleta irregular de lixo; e a falta de água e os córregos de esgoto a céu aberto, notadamente na comunidade Camarista Méier; a pavimentação precária de vias públicas; e o estado de abandono de bens culturais. E se avolumam as queixas de inúmeros moradores com interdições polêmicas e sem aviso prévio de algumas ruas da região.

Moradores do Engenho de Dentro, bairro que abriga o estádio olímpico, esperavam ver concretizadas as promessas feitas pela Prefeitura de trazer benefícios permanentes com a realização do evento, mas, às vésperas  desse, a população ainda se queixa de inúmeros problemas
Moradores do Engenho de Dentro, bairro que abriga o estádio olímpico, esperavam ver concretizadas as promessas feitas pela Prefeitura de trazer benefícios permanentes com a realização do evento, mas, às vésperas desse, a população ainda se queixa de inúmeros problemas
Foto: Silvio Barsetti / Especial para Terra

A prefeitura do Rio vendeu desde o início do projeto olimpico a expectativa de que os Jogos trariam inúmeros benefícios para a cidade. Isso tinha muito a ver com o bairro do Engenho de Dentro, que sempre esteve no centro das atenções das autoridades locais e do Comitê Rio 2016 por abrigar o Estádio Olimpico João Havelange, o Engenhão, o coração da olimpiada carioca.

O assalto da quinta-feira decorreu, em parte, do estado de abandono do prédio que pertenceu a uma escola pública e que hoje está destivada. Fica ao lado das ruínas de um galpão do Museu do Trem. O Terra mostrou na semana passada o matagal que crescia ali - um eventual esconderijo para assaltantes. O que mais intriga é que área é geminada ao estádio olimpico. Foi exatamente daquele terreno que o ladrão pulou para cometer o crime.

O medo no entorno do Engenhão também está estampado em denúncias anônimas registradas em muros do bairro. Na Rua Dr Padilha pode-se ler 'área de assaltos', a menos de 100 metros do estádio. Em outra rua, a Comendador João Carneiro, um portão de garagem serve de alerta. Está lá grifado 'risco de assalto', bem ao lado de um bar, cujo dono, Valdinir de Faria Torres, 80 anos, não sabe mais a quem recorrer.

Terreno abandonado de escola desativada, geminada ao Engenhão, serve de esconderijo para ladrões que atuam no entorno do estádio
Terreno abandonado de escola desativada, geminada ao Engenhão, serve de esconderijo para ladrões que atuam no entorno do estádio
Foto: Silvio Barsetti / Especial para Terra

"Não existe sossego. Nada mudou com a Olimpíada e o Engenho de Dentro continua abandonado. A gente sabe que durante os Jogos não vai acontecer nada. Com um policial a cada meio metro, é fácil. Quero ver é depois."

Um dos acessos ao Engenhão é feito por uma tavessia por baixo da linha férrea. Fica a menos de 200 metros do estádio, mas o pequeno túnel de pedestres não vai ser utilizado pela família olímpica (atletas, delegações e profissionais credenciados). Isso talvez explique seu estado geral - muros pichados, sem iluminação, com lixo acumulado, sem câmeras de monitoramento e um risco iminente de assaltos.

O aposentado Rubens Viana, 82 anos, passa por ali diariamente. Mas evita o local à noite. "É muito perigoso, e sempre a gente ouve sobre um caso ou outro nessa passagem. E é realmente juntinho do Engenhão. Mas, quer apostar?, durante a Olimpíada vai ter até agente do FBI ali dentro. Mas quando tudo acabar ..."

Rubens Viana, 82, aposentado, diz ter medo de passar pela passagem sob a linha do trem, a menos de 100 metros do Engenhão
Rubens Viana, 82, aposentado, diz ter medo de passar pela passagem sob a linha do trem, a menos de 100 metros do Engenhão
Foto: Silvio Barsetti / Especial para Terra

De acordo com o 3º Batalhão de Policia Militar (responsável pela segurança do bairro), "policiais fazem patrulhamento diário com rondas em viaturas em toda região sob sua responsabilidade, além do baseamento em pontos estratégicos. O  policiamento  da área é planejado de acordo com a mancha criminal, o que possibilita melhor distribuição do efetivo".

A Polícia Militar do Rio solicita que denúncias sejam feitas pelo número 190 ou por meio do Disque Denúncia (2253-1177) e ressalta a importância do registro das ocorrências nas  delegacias, "para que o estudo da mancha criminal possibilite novas estratégias de  policiamento  para o local."

Fonte: Silvio Alves Barsetti
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