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Mundial de 2026 bate recordes e tem final mais assistida da história

Entre recordes de público e audiência, expansão do torneio, protagonismo político de Donald Trump e restrições migratórias, o Mundial de 2026 deixa um legado que vai muito além dos gramados.

20 jul 2026 - 10h10
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Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

A maior e mais assistida Copa do Mundo da história chegou ao fim neste domingo (19), coroando a Espanha como campeã após a vitória sobre a Argentina no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A decisão também entrou para a história por contar, pela primeira vez em um Mundial, com um show musical no intervalo, em um formato inspirado no Super Bowl.

A Copa de 2026 já havia começado marcada por novidades. Foi a primeira edição disputada em três países - Canadá, Estados Unidos e México - e também a primeira com a participação de 48 seleções, 16 a mais do que no formato utilizado entre 1998 e 2022.

Ao longo de mais de um mês de competição, o torneio bateu recordes de público, audiência e engajamento digital. Mas também foi marcado por polêmicas políticas, dificuldades migratórias e questionamentos sobre a crescente proximidade entre a Fifa e o governo do presidente americano, Donald Trump.

Calcula-se que a final entre Espanha e Argentina tenha sido acompanhada por cerca de 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo, somando as transmissões pela televisão e pelas plataformas de streaming. Caso a projeção seja confirmada, esta terá sido a final mais assistida da história das Copas, superando o alcance de aproximadamente 1,5 bilhão de espectadores registrado na decisão do Catar, em 2022.

Dentro do MetLife Stadium, os 80.663 lugares foram ocupados. A arena recebeu quase 484 mil torcedores ao longo de seis partidas e terminou o torneio com o maior público acumulado entre todas as sedes.

A Copa de 2026 também estabeleceu um novo recorde de público presencial. Mais de 6,5 milhões de torcedores passaram pelos estádios dos três países, tornando esta a edição mais assistida presencialmente da história. A taxa média de ocupação das arenas foi de 99,7%.

Nas plataformas digitais, a Fifa também registrou números inéditos. Mais de 20 bilhões de visualizações de vídeos foram contabilizadas nas redes sociais da entidade durante a competição.

A mobilização foi além dos estádios. As Fifa Fan Festivals espalhadas pelas cidades-sede receberam mais de 7,7 milhões de visitas, mostrando que o torneio conseguiu atrair não apenas turistas estrangeiros, mas também moradores dos Estados Unidos e do Canadá, países onde o futebol não ocupa tradicionalmente o mesmo espaço que em outras partes do mundo.

Impacto econômico

Em Nova York, bares e restaurantes registraram forte aumento no movimento durante os jogos, com casas lotadas para acompanhar as partidas. O impacto econômico, no entanto, não foi uniforme.

O setor hoteleiro teve um desempenho bem abaixo das expectativas. A projeção inicial era de que a Copa gerasse cerca de US$ 300 milhões em receitas adicionais para os hotéis da cidade. A estimativa mais recente indica que esse aumento deve ficar em torno de US$ 150 milhões, metade do previsto.

Entre todas as sedes, o Estádio Cidade do México teve a maior média de público por partida. Foram aproximadamente 80,8 mil torcedores por jogo, com um total de mais de 404 mil espectadores em cinco confrontos.

O sucesso comercial e de público fortaleceu a avaliação positiva da Fifa sobre o novo formato da competição. A edição de 2026 foi a primeira com 48 seleções e 104 partidas, mas a entidade já discute uma expansão ainda maior.

A Fifa analisa a possibilidade de elevar o número de participantes para 64 seleções a partir de 2030. A mudança aumentaria o total de partidas para 128 e permitiria que quase um terço das 211 federações filiadas à entidade disputasse o Mundial.

A Copa de 2030 já terá uma configuração inédita. Espanha, Portugal e Marrocos serão as sedes principais, enquanto Uruguai, Argentina e Paraguai receberão partidas comemorativas do centenário da competição. Caso a expansão seja aprovada, será o maior torneio já organizado pela Fifa.

A presença de Trump

O presidente Donald Trump também acabou se tornando um dos protagonistas da Copa, ainda que a final tenha sido a primeira partida do torneio a que ele assistiu presencialmente.

Trump esteve no MetLife Stadium ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino, participou da cerimônia de premiação e aproveitou o evento para reforçar a parceria entre a Casa Branca e a entidade responsável pelo futebol mundial.

Ao longo da competição, o presidente americano já havia protagonizado uma das principais polêmicas do torneio. Trump revelou que telefonou para Infantino para pedir a revisão da suspensão do atacante americano Folarin Balogun, expulso durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia.

Dias depois, a Fifa reverteu a punição, permitindo que o jogador voltasse a campo. A decisão, considerada inédita, provocou críticas de dirigentes e especialistas e levantou questionamentos sobre uma possível interferência política nas regras esportivas.

A controvérsia se estendeu até a cerimônia de encerramento. Depois de entregar a taça ao capitão espanhol ao lado de Infantino, Trump permaneceu no palco durante a celebração da equipe campeã.

Mesmo após o presidente da Fifa deixar o local e jogadores indicarem que aquele seria o momento da foto exclusiva da seleção, Trump atravessou o palco e se posicionou ao lado dos atletas espanhóis. A cena repercutiu nas redes sociais e na imprensa internacional.

A relação próxima entre Trump e Infantino ficou evidente durante todo o Mundial. O presidente da Fifa agradeceu publicamente o apoio da Casa Branca e afirmou que o sucesso comercial e logístico do torneio não teria sido o mesmo sem a colaboração do governo americano.

Infantino também entregou a Trump um simbólico "Prêmio da Paz", em reconhecimento ao que classificou como iniciativas diplomáticas promovidas pelo presidente. A homenagem reforçou os questionamentos sobre a proximidade entre a direção da entidade e o presidente dos EUA.

Política migratória deixa marcas

Se dentro dos estádios não houve operações do ICE, como chegou a ser especulado antes do início do Mundial, as rígidas políticas migratórias do governo Trump acabaram deixando marcas nos bastidores da competição. O caso mais emblemático foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escalado pela Fifa para atuar no torneio, mas impedido de entrar nos Estados Unidos ao desembarcar em Miami. As autoridades americanas alegaram questões de segurança e o árbitro acabou excluído da Copa antes mesmo do início dos jogos.

As restrições também afetaram diretamente a seleção do Irã. Sem autorização para permanecer em território americano durante a fase de grupos, a equipe foi obrigada a estabelecer sua base em Tijuana, no México, e cruzar a fronteira antes de cada partida disputada nos Estados Unidos. A logística foi duramente criticada pela comissão técnica e pelos jogadores, que denunciaram desgaste físico, dificuldades de preparação e tratamento desigual em relação às demais seleções. O técnico Amir Ghalenoei chegou a classificar o Irã como "a equipe mais oprimida desta Copa", enquanto o capitão Mehdi Taremi acusou a Fifa de não garantir condições equivalentes às oferecidas aos outros participantes.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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