Em jejum contra cubana, Maria Suelen promete virada no Rio 2016
Ao entrar para lutar a grande final da categoria pesado feminino (+78kg), Maria Suelen Altheman tinha as estatísticas jogando contra ela no tatame. Até a tarde deste sábado, a judoca já tinha enfrentado a campeão olímpica, Idalys Ortiz, quatro vezes, e o retrospecto era ruim para a paulista, que havia perdido todas as disputas. Na busca por reescrever a história, a brasileira entrou só com um pensamento: vencer.
Mas um ippon levou "Sussu", como é carinhosamente chamada pela delegação brasileira, a adiar o sonho de ganhar uma medalha de ouro em um Mundial. Após levar a medalha de prata, a judoca correu para abraçar o marido, o ex-judoca Carlos Honorato, e buscar forças no apoio da torcida, até perceber que a derrota não era o mais importante.
"No começo, eu senti um gostinho amargo. Prata, parece aquela coisa de derrota, mas depois que você para e pensa 'poxa, eu fiz uma final de Mundial', tudo muda. Foi a quinta medalha no feminino, que está com uma campanha maravilhosa nesse Mundial, e só tem a crescer cada vez mais até 2016", disse, lembrando também do apoio do marido.
"A influência dele foi fundamental. Já estamos juntos há sete anos e ele me conhece muito bem. Fiquei muito feliz por ele estar aqui. Me sinto segura com ele. Ganhando ou perdendo, ele e a minha família sempre estão do meu lado, e isso só me fortalece. E competir com o ginásio cheio é maravilhoso. Mesmo com a derrota, a torcida te levanta, te aplaude, e isso é muito bom", disse emocionada a judoca.
Líder do ranking mundial, Suelen não vê a cubana como invencível e promete estudar a adversária e a luta deste Mundial para corrigir os erros e vencer a próxima.
"Eu sei que posso vencê-la. Ali eu errei mesmo, andei para trás, acho que não deveria ter feito isso. Mas na hora da luta, é adrenalina, e muitas vezes a gente não vê o que está fazendo. Agora vou pegar o vídeo e trabalhar para que isso não aconteça mais", falou
Suelen afirmou que conversou com a colega de categoria Rochele Nunes minutos antes da final, na área de aquecimento, já que a companheira havia derrotado Ortiz na final da Universíade de Kazan, em julho, e buscou umas dicas de luta.
"Conversei com ela, mas são atletas diferentes, com jeito diferente de lutar. No judô tem aquela coisa do jogo encaixar com o do adversário. E o meu não bateu até agora com o da cubana. Mas tenho três anos, até a Olimpíada do Rio, para resolver isso", concluiu a medalhista de prata.
As judocas brasileiras foram soberanas no Mundial: antes da prata de Maria Suelen, Rafaela Silva ganhou o ouro na categoria até 57 kg; Érika Miranda, a prata, até 52 kg; e a campeã olímpica, Sarah Menezes, até 48 kg, e Mayra Aguiar, até 78 kg, ficaram com o bronze. No masculino, somente Rafael Silva, o Baby, conquistou uma medalha - a de prata na categoria acima de 100 kg.