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Boxeador gera revolta na Itália com tatuagens neonazistas

Michele Broili surpreendeu rival ao aparecer para lutar exibindo símbolos fascistas no corpo; marroquino o derrotou e foi tratado como herói

21 set 2021 14h02
| atualizado às 15h21
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Uma luta de boxe na Itália causou enorme revolta na população e seguidores da nobre arte no fim de semana. A torcida que acompanhava o confronto entre Michele Broili e Hassan Nourdine se surpreendeu ao descobrir que Broili tem várias tatuagens neonazistas pelo corpo. Ao jornal La Stampa, Nourdine, de 34 anos, afirmou que ficou chocado quando entrou no ringue e viu as tatuagens do seu adverário. Pensou em não lutar. Nourdine nasceu no Marrocos e foi tratado como herói por ter vencido o título da categoria superpena na cidade de Trieste, nordeste da Itália.

Michele Brioli gerou enorme revolta ao entrar no ringue com tatuagens neonazistas no corpo
Michele Brioli gerou enorme revolta ao entrar no ringue com tatuagens neonazistas no corpo
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

Autoridades esportivas locais investigam agora como um boxeador que tem uma tatuagem de uma bandeira com a inscrição SS, referente a Scutzstaffel (Esquadrão de Proteção) do Partido Nazista, foi permitido de se associar à Federação Italiana de Boxe, que recebeu duras críticas pela falta de ação no caso.

Outros símbolos foram percebidos pelos internautas que acompanhavam a luta no site da Gazzetta dello Sport, o maior jornal esportivo da Itália. Entre as tatuagens no corpo de Broili, estava o número 88, um código numeral supremacista para a expressão Heil Hitler (Salve, Hitler, na tradução) e um símbolo da unidade paramilitar que ajudou a comandar campos de concentração na Alemanha nazista, chamado de totenkopf. Antes da disputa, Broili ainda fez a saudação fascista para sua equipe.

"Eu acho essas tatuagens obscenas. Não há justificativa. A Federação Italiana de Boxe deveria ter percebido desde o começo que esse boxeador tinha essas simpatias. Incitar o ódio é punível por lei", disse Nourdine. O regime nazista de Adolf Hitler foi responsável pelo Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

A Federação Italiana de Boxe divulgou um comunicado dizendo que todos seus membros devem se distanciar de qualquer comportamento discriminatório e que o caso será destinado ao corpo de justiça esportivo. A federação, no entanto, não explicou por que não tomou uma atitude antes do torneio de boxe de domingo. Aos 28 anos, Broili já havia disputado 16 lutas profissionais antes de perder para Nourdine.

Além de correr o risco de ser expulso da federação de boxe, o lutador pode ser alvo de uma investigação criminal da polícia de Trieste, segundo relatos da mídia italiana. A lei do país não permite menções ao fascismo, uma infração que pode levar a até dois anos de prisão. O problema é que a legislação é pouco aplicada. Além disso, os investigadores devem provar que Broili fez o gesto neste contexto, o que torna uma punição mais difícil.

"Michele (Broili) apenas fala sobre esporte e apenas quer praticar o esporte. Michele é o protótipo de atleta que acorda às quatro da manhã para treinar", disse Denis Conte, técnico do lutador à Agência Ansa. Testemunhas relataram que torcedores de Broili cantaram músicas nazistas e trocaram saudações até sua chegada no ringue. "Para mim, isso não é normal. Mas não posso negar que vencer alguém com aquelas tatuagens é uma vitória que vale o dobro", afirmou Nourdine.

Estadão
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