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Lucas Braathen faz história com ouro no slalom gigante na Olimpíada de Inverno

14 fev 2026 - 13h40
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O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen fez história no esporte sul-americano ao ‌conquistar a medalha de ouro no slalom gigante olímpico, em meio a uma forte nevasca no sábado.

Nenhum atleta do continente havia conquistado uma medalhade qualquer cor em qualquer modalidade nos Jogos de Inverno, mas o atleta de 25 anos corrigiu isso com duas descidas incríveis na pista Stelvio, superando o suíço Marco Odermatt por 0,58 segundos.

"Não consigo nem acreditar na realidade", disse Pinheiro Braathen, que mudou de nacionalidade da Noruega após abandonar brevemente o esporte em 2023, antes da ⁠cerimônia de medalhas.

"Estou apenas tentando sentir alguma emoção aqui e traduzi-la em palavras, embora seja absolutamente impossível. Eu só queria ‌esquiar como a pessoa que sou."

Os acordes da clássica canção Mas Que Nada ecoaram pela área de chegada enquanto Pinheiro Braathen era saudado pelos brasileiros na arquibancada e ao lado da pista.

Nas praias do Rio de Janeiro, as caipirinhas ‌certamente estariam fluindo para o mais recente e improvável herói esportivo deste ‌país apaixonado por futebol.

"Este resultado sem precedentes mostra que o esporte brasileiro não tem limites", postou o presidente ⁠Luiz Inácio Lula da Silva no X.

Pinheiro Braathen não surgiu do nada.

Ele foi campeão da Copa do Mundo de slalom em 2023 e atualmente está em segundo lugar na recomendação geral, atrás de Odermatt.

Mas ninguém imaginava que o brasileiro abriria uma vantagem enorme de 0,95 segundo sobre Odermatt com o número um no peito, em uma primeira descida magistral que deixou seus rivais perplexos, com apenas sete deles a menos de dois segundos dele.

A menos que ocorresse uma queda ou ‌uma recuperação extraordinária de Odermatt, parecia que nada poderia impedi-lo de conquistar uma medalha de ouro histórica na segunda descida, com ‌o tempo fechando.

Odermatt, campeão de slalom ⁠gigante em Pequim em 2022, aumentou ⁠a pressão com uma segunda descida impressionante para assumir a liderança, deixando o último homem, Pinheiro Braathen, a 54 portas da glória.

Saindo ⁠da cabine de largada com seu característico capacete prateado, ele perdeu ‌parte de sua vantagem com algumas curvas ‌irregulares, mas com os olhos fixos na medalha de ouro, o brasileiro evitou qualquer calamidade.

Depois de cruzar a linha, Pinheiro Braathen caiu na neve antes de se levantar e erguer seus esquis para a torcida em polvorosa.

Em seguida, ele procurou seu pai norueguês, Bjorn, que o apresentou ao esporte quando era criança, para um abraço ⁠emocionado antes de começar sua comemoração com o samba, sua marca registrada.

Depois de subir ao pódio, ele comemorou com o hino do Brasil tocando pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno e lágrimas de alegria começaram a cair.

SEM OURO PARA ODERMATT

Para Odermatt, força dominante do esqui alpino por cinco temporadas, isso significa voltar para casa sem uma medalha de ouro, tendo chegado a Bormio como favorito para conquistar vários ‌títulos.

Ele ficou fora do pódio na descida, ficando em quarto lugar, antes de ganhar a prata na combinada por equipes e o bronze no super-G.

"Eu sabia que seria muito difícil vencê-lo (Pinheiro Braathen) hoje, ele mereceu", disse Odermatt. "Eu estive ⁠aqui em todas as provas, pude mostrar meu desempenho. Nem sempre 100%, mas sempre 99%, e isso é uma conquista incrível."

Há apenas três anos, Pinheiro Braathen surpreendeu os adeptos do seu desporto ao desistir depois de ter sido coroado campeão da Taça do Mundo de slalom nesse ano, na sequência de um desentendimento com a federação norueguesa, afirmando que já não conseguia expressar a sua personalidade vibrante.

Ao se abrir em um documentário intitulado "Lucas Pinheiro Braathen: On My Terms", ele disse que o esqui o estava deixando infeliz.

Mas ele redescobriu a alegria após retornar com as cores do país natal de sua mãe, Alessandra, em 2024, e nesta temporada se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma prova da Copa do Mundo.

No entanto, tudo isso se torna insignificante em comparação com o que ele conquistou no sábado, quatro anos depois de não ter conseguido terminar nenhuma das duas provas em sua estreia olímpica.

A vitória de Pinheiro Braathen também impediu uma vitória suíça, já que as três medalhas de ouro até agora no programa alpino masculino foram para Franjo von Allmen.

O brasileiro terá outra chance de conquistar o ouro no slalom de segunda-feira.

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