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Ataque imparável: Luizão relembra Paulista de 1996 e aposta em Luxemburgo no Palmeiras

Em entrevista ao LANCE!, ex-atacante, artilheiro do time naquele estadual, falou sobre a conquista histórica e elegeu Palmeiras e Flamengo como melhores times da atualidade

2 jun 2020
08h01
atualizado às 08h25
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Luizão fez 22 gols no Campeonato Paulista de 1996 (Foto: Arquivo LANCE!)
Luizão fez 22 gols no Campeonato Paulista de 1996 (Foto: Arquivo LANCE!)
Foto: Lance!

Linha atacante de raça: essa frase do hino palmeirense faz muito sentido quando se olha para o Palmeiras no Campeonato Paulista de 1996, conquistado no dia 2 de junho daquele ano, há exatos 24 anos. Além de ser o 21º título do clube, a campanha da equipe ficou marcada na história: foram 102 gols feitos, apenas 19 tomados, com apenas uma única derrota em 30 partidas.

- A lembrança que eu tenho daquele time são as melhores da minha vida, uma das melhores. Cheguei menino no Palmeiras, aos 20 anos, mas já era profissional desde os meus 16, e encontrei um grupo maravilhoso, que me acolheu muito bem. Aprendi muito com os jogadores experientes, como Muller, Rivaldo, Djalma eu já conhecia, Cleber, Cafu, Velloso... Foi uma mescla, foi bem bacana, uma lembrança fantástica - iniciou ao LANCE! o ex-atacante Luizão.

- Chegar novo, ser artilheiro do time na competição com 22 gols, mas nenhum de pênalti nem de falta. Perdi a artilharia para o Giovanni (atacante do Santos), que era um grande jogador, por isso não fiquei frustrado, porque ele jogava futebol muito bem, muito bonito. Eu ter feito o centésimo gol... Um menino de Rubinéia (interior de São Paulo), junto com os meus companheiros entrar para a história do clube é maravilhoso - complementou.

Naquela época, o Campeonato Paulista era disputado em dois turnos de pontos corridos, sendo que o campeão de cada fase se enfrentaria na decisão. No entanto, o Palmeiras atropelou todos os seus adversários e evitou um confronto final, tendo sido campeão no dia 2 de junho de 96, após vitória em cima do Santos por 2 a 0. Foram 83 pontos conquistados de 90 possíveis, num aproveitamento de 92%, algo nunca alcançado no estadual. O troféu veio com 28 pontos de vantagem para o segundo colocado, que era o São Paulo. Um dos motivos? Os gols.

- O segredo daquela máquina de fazer gols era que tinha jogadores fantásticos, o time se encaixou muito bem. O Vanderlei (Luxemburgo) foi formando o time em 95, me buscou, buscou o Djalma, trouxe o Júnior, manteve outros jogadores, como o Muller, Rivaldo, Cafu, Cléber, chegou o Sandro, o Cláudio também, Amaral, Flavio Conceição, Galeano... Se eu falar aqui! Nosso time era fantástico! Entrava um, saía outro e era a mesma coisa. Coisa mais linda de se ver! A gente tem coisas boas, maravilhosas, lembranças incríveis, dá saudades demais.

O time-base daquele torneio foi: Velloso; Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Amaral, Flávio Conceição, Rivaldo, Djalminha; Muller e Luizão, com o técnico Vanderlei Luxemburgo no banco, o mesmo que hoje, em sua quinta passagem, comanda o Palmeiras. Para Luizão, é difícil analisar os dois times, o de 1996 e o de agora, mas ele disse que um dos grandes trunfos é exatamente o treinador.

Antes de enfrentar o Santos na
Antes de enfrentar o Santos na
Foto: Lance!

- É difícil a gente dizer o que pode e o que não pode ser feito. O Vanderlei é um treinador fantástico, tem um time fantástico e pode voltar a ser campeão, a qualquer momento. Ele tem equipe, tem uma estrutura fantástica, um ótimo elenco. Não tem, assim, jogadores como tinha em 96, mas tem um time que hoje, no futebol brasileiro, é um dos melhores. Ele e o Flamengo são os melhores times que o Brasil tem, um conjunto muito bom. Pode conquistar com esse treinador, que chama título.

Voltando para 24 anos atrás, o começo da temporada do alviverde foi arrebatador com aquela campanha, e ele virou um dos favoritos aos demais títulos. No entanto, acabou perdendo a final da Copa do Brasil para o Cruzeiro e também foi eliminado do Campeonato Brasileiro, que ainda era disputado no formato antigo, não de pontos corridos.

- Aquele Palmeiras de 96... A Copa do Brasil não ganhou por acaso, porque foi coisa do acaso. A saída do Muller foi difícil pra gente, muitos jogadores não jogaram o segundo jogo e a bola não entrava. Era um dia que não tinha como, tem dia que nada dá certo. Quando começou o jogo fiz 1 a 0, achei que a gente ia fazer dois, três muito rápido...E o Brasileiro a gente classificou em primeiro, fomos eliminados pelo oitavo, mas isso é coisa da vida - lamentou.

Luizão acabou saindo do Palmeiras na temporada seguinte e foi jogar no La Coruña, da Espanha, e voltaria para o Brasil para defender, entre outras camisas, as do Vasco, dos rivais Corinthians e São Paulo, Flamengo e, claro, da Seleção Brasileira, com a qual conquistou a Copa do Mundo em 2002.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini

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