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“Eclético”, Brasil atinge meta. Mas sai menos vitorioso

Gaspar Nóbrega / Inovafoto

Delegação brasileira repete 141 medalhas de Guadalajara, mas conquista menos medalhas de ouro do que há quatro anos

27 jul 2015
11h24
atualizado às 11h48
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A delegação brasileira deixa Toronto, no Canadá, com o sentimento de dever cumprido por ter conseguido atingir a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de repetir o número de medalhas conquistado em Guadalajara 2011. Com a prata conquistada pela equipe masculina de vôlei, no domingo, o País chegou a 141 medalhas, mesmo número de quatro anos atrás. Porém, chama a atenção o fato de mesmo repetindo a marca, a equipe ter saído menos vitoriosa do que no México. No total, o hino nacional tocou 48 vezes nos ginásios e estádios há quatro anos contra 41 vezes na edição deste ano.

Se engana quem acha que o fato do Brasil diminuir os números de medalhas de ouro preocupa o COB. A entidade, por sinal, olha com atenção para “a metade do copo cheio” ao invés de olhar para o copo meio vazio. Segundo dirigentes, o importante é ver que o Brasil conquistou resultados expressivos em mais modalidades do que havia feito em 2011. Esportes como canoagem, tênis de mesa e badminton são alguns exemplos.

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“Acho que é muito mais importante ganhar pelo número total de medalhas do que pelas medalhas de ouro. A Guatemala foi top 10 aqui em Toronto por conta de 6 medalhas de ouro, mas não vai ser definitivamente uma potência olímpica em Rio 2016 e nem nas próximas edições dos Jogos, pois apenas 10 medalhas no total em poucas modalidades. A pluralidade mostra o País como uma potência olímpica e potência pan-americana”, afirmou o superintendente executivo do COB, Marcus Vinicius Freire.

“Acho que não tem que ter foco (em poucas modalidades). O Brasil é um país múltiplo não só pelo tamanho, mas também pela sua etnia. A gente tem o mais escuro, o italiano e o alemão grande, o mais baixinho que corre. Temos uma pluralidade de biótipo e de esportes. Você vê 300 caras chegando ao Brasil com essas medalhas no peito valem muito”, completou.

Freire também declarou, em programa do canal SporTV, que o País aguarda mais um ouro, pois tem informações de que um atleta de nome e modalidade não revelados foi pego no antidoping e um brasileiro herdará a medalha após o anúncio da punição.

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De fato, este ponto serve sim para o COB comemorar, só que com ressalvas. A equipe do Terra fez um levantamento comparando todo o quadro de medalhas do Brasil nas últimas duas edições do Pan. Ao todo, o País melhorou sua participação em 21 modalidades, piorou em 16 e fez o resultado exatamente igual no hipismo. Porém, o “asterisco” que se deve ressaltar nesta conta é que três das modalidades que evoluíram seu desempenho não farão parte dos Jogos Olímpicos de 2016: boliche, caratê e patinação artística.

QUEM PIOROU
Analisando profundamente este cenário dá para se dizer claramente que a modalidade que mais decepcionou neste Pan, comparando ao de quatro anos atrás, é definitivamente o atletismo. Em Guadalajara foram 27 medalhas, sendo 10 de ouro. Em Toronto, a equipe brasileira subiu apenas uma vez no topo do pódio com Juliana dos Santos, nos 5000 m, e o número total de medalhas foi muito inferior: apenas 13 conquistadas.

Juliana conquistou único ouro brasileiro no atletismo
Juliana conquistou único ouro brasileiro no atletismo
Foto: @timebrasil / Twitter

A justificativa de atletas e comissão técnica é que em 2011, como o Pan foi realizado em outubro, as outras equipes levaram  times inferiores, pois o principal tinha acabado de disputar o mundial da categoria. Isso, porém, não ameniza o sinal de alerta com o qual a delegação deixa Toronto, já que se o nível estava mais forte, o Brasil também tinha que mostrar evolução para brigar bem no Rio de Janeiro, em 2016.

Outros três esportes que tiveram um desempenho abaixo de Guadalajara foram judô, vela e vôlei. Os judocas repetiram o número expressivo de medalhas de 2011, com 13 pódios no total, porém tiveram um ouro e uma prata a menos. A justificativa principal foi o fato de ser uma equipe mais jovem e sem passagem em eventos mutiesportivos em algumas categorias.

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Já a vela, que veio com praticamente sua equipe que estará nos Jogos Olímpicos de 2016 e obteve três medalhas de ouro a menos, viu como principal vilão o local de competição, que não batia muito vento, condição que brasileiros não estão muito acostumados.

Jogadoras da Seleção recebem a prata; equipe não foi pra competição com força total
Jogadoras da Seleção recebem a prata; equipe não foi pra competição com força total
Foto: Washington Alves/Exemplus/COB / Divulgação

O vôlei, que tinha feito 100% de aproveitamento em Guadalajara (4 ouros), não subiu uma vez sequer no lugar mais alto do pódio. Porém, a ressalva feita para o judô é ainda mais forte na modalidade. Há quatro anos, o Brasil levou duas duplas experientes no vôlei de praia e um grupo mais rodado nas quadras. Desta vez, a aposta foi especificamente em jovens, que dificilmente estarão em Rio 2016 e são apostas, talvez, para o ciclo olímpico de Tóquio 2020.

CARRO-CHEFE
A natação seguiu como carro-chefe da delegação brasileira. A marca impressionante de 28 medalhas, com os mesmos 10 ouros conquistados em Guadalajara, tem ainda outros pontos positivos a se ressaltar. Primeiro, o crescimento do desempenho das mulheres, que conquistaram seu primeiro ouro da história, com Etiene Medeiros nos 100 m costas. Depois o fato de a delegação não contar com o recordista mundial e campeão olímpico Cesar Cielo, o que poderia enfraquecer a equipe nas provas de velocidade e revezamento, fato que não aconteceu. De quebra, a equipe deixou Toronto com o recorde de Tiago Pereira como o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos, com 23 medalhas conquistadas em quatro edições.

Etiene Medeiros conquistou o ouro inédito dos 100 m costas
Etiene Medeiros conquistou o ouro inédito dos 100 m costas
Foto: Satiro Sodré/SS Press / Divulgação
Ela fez história e quer o ouro no Rio 2016: Etiene Medeiros!

QUEM IMPRESSIONOU
Dois esportes merecem destaques entre os que tiveram evolução mais impressionante, comparados à edição passada: canoagem e tênis de mesa. O primeiro saltou de quatro medalhas em 2011 para 14 em 2015, sendo três de ouro. Muito desta melhora se deve ao fenômeno Isaquias dos Santos, que subiu duas vezes no lugar mais alto do pódio e ainda conquistou uma prata. O atleta entra definitivamente como esperança para 2016.

Campeão mundial de canoagem, Isaquias comemora uma das suas vitórias no Pan
Campeão mundial de canoagem, Isaquias comemora uma das suas vitórias no Pan
Foto: Sergio Dutti / Exemplus / COB

Já o tênis de mesa saltou de uma para sete medalhas em quatro anos. A evolução impressiona, principalmente, pelo desempenho feminino que sai de Toronto com três medalhas conquistadas. Entre os homens, o fato de ter conseguido ouro, prata e bronze no individual foi histórico. Outras modalidades que evoluíram muito e merecem destaque pelos feitos são badminton e caratê.

Outra modalidade que saiu de Toronto sem medalhas, mas tem muito a comemorar é o hóquei sobre a grama. Mesmo perdendo a disputa de bronze para o Chile, o País, que sempre foi tido como um saco de pancadas na modalidade, garantiu uma semifinal e atingiu seu objetivo principal, que era ficar entre os seis primeiros e garantir uma vaga para Rio 2016.

Ranking Geral País Ouro Prata Bronze TOTAL
1 Estados Unidos 103 81 81 265
2 Canadá 78 69 70 217
3 Brasil 41 40 60 141
4 Cuba 36 27 34 97
5 Colômbia 27 14 31 72
Veja o quadro completo aqui
Fonte: Terra

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