Só na Guanabara? Rio lembra poluições em 4 sedes olímpicas
Com a promessa de despoluição da Baía de Guanabara descumprida, restou ao governo do Estado do Rio de Janeiro tentar se justificar com o Comitê Olímpico Internacional (COI), apresentando dados sobre as condições adversas dos locais de competição de vela em quatro edições dos Jogos: Barcelona (1992), Sydney (2000), Pequim (2008) e Londres (2012). Esse foi um ponto específico do encontro que marcou a 11ª visita da Comissão de Coordenação do COI à sede dos Jogos de 2016. O secretário da Casa Civil do Estado, Leonardo Espindola, levou para a reunião um documento que listava os problemas enfrentados pelos velejadores em outras Olimpiadas.
O Terra teve acesso ao documento com exclusividade. Na sua primeira parte, ressaltava a reclamação de atletas de vela da Austrália, Dinamarca, Nova Zelândia e Estados Unidos que viram no local da competição dos Jogos de 1992 sacos plásticos, carcaças de animais, duas geladeiras e até uma cama de casal flutuando. Isso quando faltava uma semana para os Jogos.
No mesmo tópico, o documento registrava a consequência do "esgoto aberto" da água que desembocava de vários rios para o Mar Mediterrâneo. Vários atletas precisaram de atendimento médico por causa de irritação nos olhos e ficaram mais suscetíveis a gripes e outras viroses - destacava o texto. Acrescenta ainda que vários receberam vacina contra hepatite B.
Quanto à Sydney, a ressalva era sobre o lixo tóxico na Baía de Homebush, onde estavam as raias de competição, o que gerou protestos de ativistas do Greenpeace. As condições para a prática de vela em Pequim (2008) também mereceram destaque na apresentação do governo do Estado, que discorreu sobre a area "infestada" da cidade de Qingdao, dois meses antes dos Jogos. O local abrigou o inicio das competições de vela e preocupou atletas por causa da grande quantidade de algas às vesperas das disputas. Na ocasião, o exército chinês retirou 50 toneladas de algas das águas de Qingdao.
Por fim, o Estado tentou lavar as mãos ao citar problemas também em Londres, por causa da poluição por ozônio, crítica na sede dos Jogos de 2012. "As medições de coliformes fecais estão dentro do aceitável para as competições na Baia de Guanabara e na Lagoa Rodrigo de Freitas (onde haverá provas de remo e canoagem)", declarou, em entrevista, Leonardo Espindola.