Secretário admite que despoluição da Guanabara está distante
Principal promessa do governo do Rio de Janeiro quando a cidade ganhou a condição de sediar os Jogos de 2016, a despoluição da Baía de Guanabara não vai sair do papel. Pelo menos, na sua totalidade. Inicialmente, o projeto previa que um parceiro (leia-se Eike Batista) faria o tratamento da água para tornar realidade um sonho dos cariocas.
O tempo passou, o empresário quebrou e o governo se viu diante de um dilema: como fazer para que a promessa não fosse plataforma política? Falta pouco mais de um ano para o início dos Jogos Rio 2016 e o secretário de Esportes, Lazer e Juventude do Rio de Janeiro, Marco Antônio Cabral, admite que não será possível despoluir 100% da Baía de Guanabara.
"A Baía de Guanabara antes do governo anterior tinha 10 a 12% de saneamento básico. No governo anterior terminou com 49%. A Baía de Guanabara vai estar própria para banho? Não. Mas vai estar própria para as provas? Sim. Apta para banho é um sonho de todo carioca e que vai demorar alguns anos, mas eu acredito. Sonho em ver a Baía 100%. Em alguns pontos, a população pode fazer uso da água, como na praia da Bica (na Ilha do Governador) e na Urca", ressaltou Marco Antônio, em entrevista ao programa Bradesco Esporte Clube, no Rio de Janeiro.
O atraso no cronograma das obras para a Olimpíada preocupa os esportistas, mas o representante do governo do Rio garante que tudo estará pronto até o início das competições. "É claro que você ainda não chegou no patamar dos 80%, mas tem obras sendo feitas que farão que ela chegue", garantiu Cabral, que é filho do ex-governador Sergio Cabral Filho.
Outro problema para o esporte no Rio é o estádio Célio de Barros. Desde a reforma do Maracanã, o local destinado aos praticantes de atletismo virou um enorme estacionamento. O Consórcio que administra o complexo Maracanã alega que não teve a chance de fazer valer o que está no edital e, por isso, não mexeu no local. Com isso, o estádio segue em uso para os atletas.
"Célio de Barros é uma prioridade na minha gestão. Até 2018 vai estar entregue. O Estado não abre mão de ter aquele equipamento de volta. O Consórcio se comprometeu e vai reformar o Célio de Barros", prometeu o secretário Marco Antônio Cabral.
Aos 24 anos, ele assumiu a secretaria de Esportes, Lazer e Juventude e sofreu acusações de não ter experiência para o cargo e de só estar ocupando a cadeira por ser filho do ex-governador do Rio.
"Sempre fui atuante nas representações de classes estudantis. Ser novo não indica que não tenho capacidade. O governador Pezão me deu esta responsabilidade e estou cumprindo conforme planejamos", argumentou o secretário.
Caio Martins
O estádio localizado em Niterói e muito utilizado pelo Botafogo ficou de lado nos últimos anos. No entanto, Marco Antônio Cabral garante que vai revitalizar esta praça de esporte em breve.
"Estamos estudando com a Prefeitura de Niterói uma reforma imediata do Caio Martins. Quero transformar o Caio Martins em algo agradável em Niterói. Uma área de lazer que as pessoas possam usufruir", destacou.
Apoio aos clubes do Rio
Dentro de campo, a união dos clubes é impossível e tornar a rivalidade algo sadio, mas fora das quatro linhas, a sonhada união entre os dirigentes é tida como o caminho para que o esporte possa ter sucesso no Rio de Janeiro. Atualmente, somente dois clubes estão adequados às leis que possibilitam obtenção de recursos.
"O dirigente do Flamengo responde na pessoa física. Isso é um avanço importante no futebol carioca. Hoje, dois clubes podem pegar Lei de Incentivo: Vasco e Flamengo. Porque eles não estão no cadastro de inadimplência. Ouvi do Eurico algo da Lei de Incentivo para a base de Remo, Atletismo, Basquete e reforma da piscina. Acho que os quatro têm papel importante no esporte olímpico, amador, de base. O que o poder público puder fazer, ele vai. Excluindo o futebol, estamos aqui para apoiar as modalidades olímpicas, com certeza", assegurou Marco Antônio Cabral.
Arena Flamengo
O clube de maior torcida do país, o Flamengo tenta encontrar uma solução a curto prazo para quando o Maracanã for fechado para a disputa dos Jogos Rio 2016. Segundo o secretário de Esportes, há a chance de construção de uma arena na Gávea, sede do clube, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
"Seria uma arena multiuso e parece que o Flamengo já iniciou as tratativas com diversos órgãos. Mas ainda não conversamos sobre isso com parte do governo do Estado. Eles falaram da intenção de criar a arena, mas sem nenhuma tarefa por parte do governo. E ainda falaram do sonho de construção do estádio do Flamengo", contou Marco Antônio, deixando claro que o poder público não vai participar desta construção.
Olho na base dos atletas
A formação de novos talentos é um dos legados prometidos pelos Jogos Rio 2016. Para que isso se torne realidade, olhar a base dos clubes tornou-se um objetivo imediato. "Quando eu tive a reunião com o Flamengo eu comentei que a necessidade era ter uma resolução regularizando a contrapartida social. A gente vai fazer duas escolinhas de basquete do Flamengo esse ano e quatro ano que vem, uma no Mackenzie", afirmou o secretário, revelando que o clube do Méier, na Zona Norte, vai voltar a ser formador de talentos.
No próximo dia 28, o Ministério do Esporte vai fazer no Rio um seminário para discutir violência no futebol.