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Olimpíada 2016

Governo exige excelência antidoping para chegar a 6 mil exames em 2016

26 out 2012 - 09h31
(atualizado às 10h51)
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Danilo Vital

Diretor-executivo do Ministério do Esporte, Marco Aurélio Klein define assim a situação do Brasil quanto à fiscalização do uso de substâncias proibidas no esporte: "hoje há entidade que faz mais controle, que faz médio, que faz pouco, e há quem não faça". O País que nos próximos anos será o centro do esporte mundial com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 começou a mudar esse quadro na segunda-feira, com o início das atividades da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). O objetivo é buscar a adequação internacional e a formação de novos oficiais, segundo disse ao Terra.

Ex-diretor de esporte de alto rendimento do ministério e ex-empregado do Banco Nacional, além de sociólogo e especialista em marketing esportivo, Klein foi o escolhido para tocar o projeto grandioso de centralização do controle de dopagem no Brasil: todas as entidades atenderão a um padrão que ainda não foi formado, mas será desenvolvido em breve através de um plano nacional. Klein parece ter obsessão por protocolos, termo citado diversas vezes em entrevista por telefone e pelo qual manifesta muita rigidez: o País tem que se adequar à excelência exigida pela Agência Mundial Antidoping (Wada).

A expectativa, assim, é dobrar o número de exames feitos no dia-a-dia para, em 2016, quebrar o recorde de análises, com seis mil delas durante os Jogos Olímpicos - Londres 2012 fez cerca de cinco mil. Em conversa por telefone com o Terra, Klein ainda explicou o projeto de formação de oficiais capazes de conduzir o controle de dopagem. "É uma missão significativa", disse o diretor, que ainda acrescentou: "é um longo caminho que já começou a ser andado".

Veja a entrevista de Marco Aurélio Klein

Terra - Como vai funcionar a Autoridade Brasileira de Controle ao Doping (ABCD)?

Marco Aurélio Klein - A Autoridade Brasileira de Controle ao Doping é uma entidade independente das entidades esportivas para cuidar do combate à dopagem e trabalhar a questão essa questão, que é um compromisso internacional do Brasil. Estudamos muito o assunto, e há dois anos temos olhado as melhores práticas recomendadas pela Agência Mundial Antidoping (Wada). Então olhamos os australianos, britânicos, portugueses, todos aqueles que nos recomendaram. Pegamos tudo, com exceção da China por questões culturais e linguísticas. Criamos e montamos o nosso modelo de trabalho no Brasil, e estamos mais relacionados com Portugal, com quem temos trabalhado mais diretamente.

Terra - Como esse trabalho vem sendo desenvolvido até o início das atividades, na última segunda-feira?

Marco Aurélio Klein - A ABCD foi criada no final do ano passado. Eu mesmo fiz um treinamento na Adop, a autoridade de controle de Portugal, com o meu equivalente de lá para coordenador todo esse processo, e começamos agora. O trabalho de começar a conduzir exames de dopagem com atletas do Bolsa Atleta é o começo dessa atividade. Vamos ter também foco na comunicação para trabalho de educação, que é o ponto-chave nesse trabalho de controle: informar os atletas em uma linguagem adequada. Imagino que adiante a gente use canais mais modernos, porque a maior parte dos atletas é jovem

Terra - A montagem do aparato da ABCD está completa ou ainda tem de ser desenvolvida?

Marco Aurélio Klein - Estamos fazendo esse trabalho, colhendo amostras em Brasília, no Rio e em São Paulo, seguindo rigorosamente todos os protocolos no sentido da comunicação, finalização e estruturas que montamos para esses lugares em termos de estação de controle de dopagem, para utilizar a terminologia correta. Quando a gente montou esses lugares, desde a sala de espera, a sala onde o atleta senta com o oficial para preencher o formulário até o banheiro onde vai colher as amostras, seguimos regras rígidas que garantam a privacidade, a integridade das amostras e a custódia delas. Os kits e materiais são os oficiais recomendados pela Wada. Usamos rigorosamente todos os protocolos.

Terra - Londres anunciou para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que bateria o recorde de exames realizados, com cerca de 5 mil. A ABCD tem o objetivo de quebrar essa marca para 2016?

Marco Aurélio Klein - Podemos dividir essa questão em duas coisas. A primeira delas é a questão do dia-a-dia, fora dos grandes eventos. Temos objetivos de, ao final do ano que vem, dobrar o número de exames que são feitos hoje.

Terra - Como isso vai ser feito e para quanto vai subir esse número de exames

Marco Aurélio Klein - Estamos trabalhando para fechar, em dezembro, um programa nacional de controle de dopagem. É uma proposta a ser discutida com o COB, o CPB e outras entidades para estabelecer o número de controle por modalidade e os critérios para saber que tipo de competição precisa de controle, e para definir como vai ser feito: se por sorteio, se todos os medalhistas, etc. Estabelecido isso, vamos abrir para debate em audiências para construir esse programa. Pela vivência que tenho, vejo que hoje há entidade que faz mais controle, que faz médio, que faz pouco e há quem não faça. A ideia é todo mundo fazer. Então eu arredondei a meta: vou dobrar essa quantidade. E ainda temos o futebol, que tem uma característica particular que é boa: o controle já faz parte do jogo. Vamos conversar com eles, porque é importante que os procedimentos estejam na exigência de protocolos internacionais, sobretudo da Wada.

Terra - E quanto aos grandes eventos?

Marco Aurélio Klein - A segunda questão é quanto aos grandes eventos. Para eles, haverá um crescimento natural. Hoje, faz-se exame em todos os medalhistas, no quarto e quinto colocado e entre alguns finalistas sorteados. Isso significa que para 2016 a previsão é que 6 mil exames sejam feitos em 15 dias. Para poder fazer isso, o COI usa uma forte base local e contingente que ele traz de fora. Como o esforço é hercúleo e o trabalho, 24 horas por dia, precisamos de gente de alto nível. São 33 laboratórios credenciados no mundo, então os outros 32 vão ceder seus melhores profissionais. À ABCD caberá a tarefa de garantir que até lá tenhamos formado número semelhante de oficiais que possam estar informados, capacitados e certificados, e que tenham até tempo até para trabalharem no Pan de Toronto (Canadá), em 2015, e nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi (Rússia), em 2014, de modo a garantir uma vivência nos grandes eventos. É uma missão significativa.

Terra - Esses oficiais já existem no Brasil ou serão convocados em universidades, por exemplo? Como será a formação desse grupo?

Marco Aurélio Klein - Existem oficiais de controle de dopagem: há os que trabalham para o futebol, para outras modalidades e para os dois. A ABCD vai estabelecer parâmetros para qualificar alguém a ser oficial de controle de dopagem. Depois teremos processos de formação e capacitação para poder ter a certificação em nível internacional. Se estimarmos que precisaremos de 300 oficiais nos Jogos de 2016, o que significaria que certo número deles vem de fora, no mínimo precisarei de 200 oficiais reconhecidos por entidades internacionais. Temos que selecionar, capacitar, certificar e depois colocar a possibilidade de treinamento junto dessas competições. É um longo caminho que já começou a ser andado

Foto: Glauber Queiroz/Ministério do Esporte / Divulgação
Fonte: Terra
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