Em séria crise econômica, Grécia questiona investimento em Olimpíada
Oito anos após os Jogos Olímpicos de Atenas, a Grécia se encontra em uma série crise econômica, e os altos investimentos feitos na época foram colocados em questão, segundo a revista Time.
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O Complexo Olímpico Helliniko deveria deixar um legado próspero após os Jogos. Os planos de tornar a maior parte do local no maior parque metropolitano da Europa, no entendo, nunca aconteceram, muito por causa da burocracia que dificulta o desenvolvimento no país. Hoje, o local encontra-se praticamente abandonado.
Quando os gregos se lembram de quando sediaram a competição, o sentimento que deveria ser de orgulho atualmente se aproxima mais do arrependimento, diante da situação financeira em que o país se encontra. Para o ginasta Christos Libanovnos, a situação era cômoda porque o país "era o centro do mundo" durante o evento, e é difícil não ver uma conexão entre os investimentos feitos na ocasião e a crise atual, concluindo que talvez não tenha valido a pena receber os Jogos.
Contudo, a conclusão parece equivocada quando se lembra que, na época, o euro, adotado pelo país pouco tempo antes, elevou-o a um novo patamar em um curto período de tempo. A instabilidade financeira da Grécia e da Europa parecia inimaginável.
Apesar disso, de fato, a Olimpíada de 2004 foram uma amostra dos problemas econômicos atuais: estimativas de orçamentos perdidas, planejamento pobre e má gestão financeira. Isso custou à Grécia 11 bilhões de dólares (R$ 22,35 bilhões), no mínimo o dobro do previsto pelo governo, o que não incluía o dinheiro gasto com tentativas de manter os investimentos olímpicos durante os oito anos seguintes. Além disso, o país foi forçado a gastar sozinho, principalmente pelos EUA e pelo Reino Unido, 1,2 bilhões de dólares (R$ 2,5 bilhões) em segurança por medo de terrorismo, e nos meses próximos à cerimônia de abertura, Atenas teve que correr para se adequar ao calendário para completar as construções a tempo.
Por anos, estudos comprovaram que sediar os Jogos Olímpicos geralmente traz impactos negativos à economia dos anfitriões, apesar da temporária impulsão no turismo e na atenção mundial. A competição entre as cidades frequentemente faz com que seus governos não meçam esforços financeiros simplesmente para ser escolhidos como sede. Uma vez que as construções começam a se erguer, o orçamento geralmente é feito de forma errada. E depois das competições, muitas cidades permanecem com a infraestrutura que, de repente, não têm nenhum uso efetivo.
Porém, nem todos aceitam isso. Há argumentos de que, sediar os Jogos traz às cidades muitos projetos necessários para a melhoria da infraestrutura local. Isidoros Kouvelos, do Comitê Olímpico Helênico, por exemplo, lembra que o país conta com metrô, um aeroporto e rodovias novas, ainda que abrigue estádios que podem ser chamados de "elefantes brancos".
Os Jogos de Londres não parecem muito diferentes. Mesmo com o governo britânico realizando diversos cortes no orçamento, na tentativa de reduzir o déficit, um relatório da Universidade de Oxford mostra que a Olimpíada está no caminho para ser a que mais ultrapassou o orçamento desde Atlante 1996.
Muitos gregos, que estavam alegres diante da chegada dos Jogos há oito anos, hoje encontram-se até mesmo ignorando o acontecimento neste ano. Vassilis Sambrakos, radialista e colunista, diz que "ninguém quer falar sobre Olimpíadas", ainda que o país tenha representantes em Londres. Para Sambrakos, gregos acreditam que os Jogos de Atenas foram construídos como uma grande mentira, que agora parece fazer parte da história antiga. Segundo ele, "uma mentira que tínhamos dinheiro para pagar".
Londres 2012 no Terra
O Terra, maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.