Com menos de um ano nos esquis, Josi mira resultados para "projeto 2018"
Após trocar ginástica por esquis, atleta paulista diz que meta é disputar resultados na Olimpíada de Inverno de 2018: "não quero apenas participar"
A paulista Josi Santos foi atleta da ginástica artística por mais de duas décadas, sem jamais ter participado de competições como Jogos Pan-Americanos ou Olimpíadas. Em 2013, convencida a mudar de modalidade, foi para Whistler (Canadá) para realizar treinamentos de esqui, além de trabalhos em trampolins e rampas de água. Menos de um ano depois, ela chegava à sua primeira Olimpíada. De Inverno.
A trajetória curta surpreendeu até mesmo a própria Josi, que disputa a modalidade esqui aéreo e que não esperava conquistar a vaga para os Jogos Olímpicos de 2014, em Sochi (Rússia). “A gente não estava programado para vir em 2014. O projeto era realmente para 2018”, conta ela, que quer aproveitar a primeira chance para poder aprender, mirando resultados de expressão na Olimpíada de Pyeongchang, daqui a quatro anos. “Vamos ver como é que é. Mas meu projeto mesmo é 2018. Vou querer ir para disputar, não quero ir para participar.”
Com uma carreira recente sobre os esquis, de menos de um ano, Josi conquistou resultados de destaque. Em 2013, foi sexta colocada na Copa Americana, em Park City (onde treina), e 19ª na Supercopa Europeia, disputada na Finlândia. Segundo ela, o trabalho de mais de 20 anos na ginástica artística ajudou na adaptação à nova modalidade.
“Por causa da ginástica é que eu consegui vir para o aéreo. A acrobacia ajudou bastante: concentração, noção espacial... Tudo isso na ginástica ajudou bastante”, disse ela, que só começou sua carreira de ginástica na infância por recomendação de uma professora, que aparentava dificuldades para lidar com o “excesso de energia” da pequena Josi em Santos.
“Eu comecei com 5 aninhos. Eu era uma menina – e ainda sou – muito atentada, muito levada. Uma professora minha da pré-escola, Ana Lúcia, pediu para minha mãe comparecer na escola. Ela chegou lá e mostrou um jornalzinho: ‘leva sua filha nesse lugar de esportes para ela descarregar as energias dela’. Minha mãe levou ,me colocou na ginástica, e eu me apaixonei. Foi amor à primeira vista”, contou ela.
Afastada da ginástica, Josi admite até mesmo que o caminho escolhido por ela – e também por Laís Souza, que sofreu um grave acidente em janeiro e não competirá em Sochi - pode ser o mesmo de outras ginastas. Ela não cita nomes, mas diz ter sido procurada por ex-companheiras que se interessaram pelos esquis.
“Já teve algumas. Só não tiveram a oportunidade de fazer o teste (com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve). Mas muitas meninas vieram procurar a gente, sim. É diferente, é legal. Muita gente critica o Brasil pelo fato de não ser um país da neve. Quem tiver vontade, deve ir se aventurar nessas novas modalidades, que são muito legais”, contou ela, incentivando o intercâmbio entre esportes.
“Para quem quer, há a possibilidade, sim. É só ligar na CBDN e marcar (o teste). Se você estiver mesmo a fim de se aventurar... É um esporte de aventura mesmo, é um esporte radical. A gente está aí. É só saber fazer um mortalzinho”, brincou ela, que compete nesta sexta-feira (14).