Vices da CBF foram escolhidos para silenciar oposição
Pela primeira vez em mais de 100 anos, a CBF (que se chamava CBD até 1979) vai ter uma diretoria com oito vice-presidentes. Isso ficou acertado em mudança recente de seu estatuto. O presidente eleito nesta terça (17), Rogério Caboclo, fez uma composição política e agregou nomes que ultimamente vinham se distinguindo por adotar uma posição crítica em relação ao comando do futebol nacional.
Ao mesmo tempo, manteve os quatro vices da gestão Marco Polo Del Nero – eram cinco até novembro de 2016, quando houve a tragédia com o voo da Chapecoense na Colômbia. Um dos passageiros, Delfim Peixoto, era vice da confederação e opositor declarado de Del Nero desde quando estouraram escândalos de corrupção que apontavam para o gabinete central da CBF. Com a morte de Delfim, seu cargo ficou vago.
Quem são os oito vices de Caboclo:
Coronel Antônio Nunes – Ex-presidente da Federação do Pará, oficial reformado da PM, é um testa de ferro de Caboclo e Del Nero. Não tem autonomia para tomar nenhuma decisão e já usou o helicóptero da entidade para viagens de lazer com a família.
Fernando Sarney – Vice desde o período em que Ricardo Teixeira era presidente, só foi alçado ao cargo para agradar ao pai, José Sarney, ex-presidente da República e então presidente do Senado - uma das figuras mais importantes da política nacional nas décadas de 80, 90 e início dos anos 2000.
Gustavo Feijó – Prefeito da cidade de Boca da Mata, em Alagoas, alvo de investigações feitas pela Polícia Federal e Justiça Eleitoral de seu Estado por acusações de caixa 2. É tratado na CBF com reservas. Muda de lado de acordo com as conveniências.
Marcus Vicente – Deputado federal pelo PP-ES, preza pela indiscrição, mas nunca escondeu seu objetivo de se tornar presidente da CBF.
Antônio Aquino, o Tuniquim (novo) – Presidente da Federação do Acre, tem um passado folclórico. Em eleição para presidente da CBF em 1986 prometeu, em acordos paralelos, votar nos dois candidatos, Medrado Dias e Otávio Pinto Guimarães. Revelou depois ter votado em Guimarães e ouviu de Dias insinuações de que teria recebido dinheiro para se decidir.
Castellar Guimarães (novo) – Presidente da Federação Mineira, ganhou o cargo porque os presidentes das federações do Rio e de São Paulo não fecharam acordo com Caboclo. É considerado um garoto mimado em Minas.
Ednaldo Rodrigues (novo) – Ex-presidente da Federação da Bahia, sempre foi crítico em relação à gestão de Del Nero e deixava isso claro publicamente. Era cotado para ser candidato à presidência da entidade por causa de seu prestígio no Norte e Nordeste.
Francisco Novelletto – Presidente da Federação do Rio Grande do Sul, se notabilizou por bravatas contra os dirigentes da CBF envolvidos em escândalos de corrupção. Convidado para ser vice da CBF, aceitou imediatamente a honraria.
Veja também: