Veja o que representantes de clubes brasileiros falaram sobre a MP das bets durante audência no STF
Equipes da Série A do Brasileirão enviaram dirigentes e advogados para discursarem contra a suspensão das casas de aposta
Durante a audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 3, sobre a proibição das apostas esportivas do Brasil, representantes de clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians se posicionaram contra a suspensão do mercado no país. Advogados e dirigentes fizeram críticas à MP das bets, assinada pelo presidente reeleito Lula (PT), e apontaram os prejuízos às equipes.
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A audiência pública é presidida pelo ministro do STF Luis Fux, que é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A entidade pede a derrubada da MP das bets.
O primeiro nome a falar foi o vice-presidente do Flamengo, Flávio de Araújo Willeman. O dirigente afirmou que o Rubro-Negro terá um prejuízo de 430 milhões com a proibição das bets e que isso ainda impactará na manutenção de mais de mil funcionários empregados pelo clube. Willeman alegou que, quando assinou contratos com casas de aposta, entendia que este seria um mercado perene no Brasil.
"O Flamengo se organizou financeiramente para os quatro ou cinco anos com base nos contratos assinados de acordo com a legislação vigente. O Flamengo contraiu obrigações financeiras com atletas e empregados com base nesses contratos. O Flamengo acreditou que o Brasil regulou as apostas", afirmou.
O dirigente ainda citou altos investimentos feitos pela equipe e justificou que os valores foram baseados no que se projetava de ganho com o mercado comercial e publicitário das apostas. Entre, eles, está a compra do meio-campista Lucas Paquetá, que custou mais de R$ 300 milhões aos cofres do clube.
Presidente do Fluminense citou o 'drama do desemprego'
Assim como Willeman, do Flamengo, citou em seu pronunciamento, o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, destacou que há um impacto direto no emprego de funcionários ligados ao mercado da bets, seja de forma direta ou indireta.
O dirigente ainda comparou o endividamento de famílias por conta do vício em apostas, tema que é constantemente levantado por Lula ao falar da proibição das bets, com o "efeito do desemprego". "O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, principalmente nas agremiações menores com essa perda de receita", disse Montenegro.
"O ponto que me chamou atenção é que ouvi muito se falar sobre o drama das famílias, o drama do endividamento. Isso é verdade, o Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar?", completou o presidente do Fluminense.
Mattheus Montenegro ainda destacou o impacto que a medida terá para os clubes de menor expressão no Rio de Janeiro e citou impacto negativo de R$ 200 milhões ao Fluminense. "Mexer com essa MP vai no coração de todos os clubes, acaba com a principal fonte de sobrevivência", disse.
Segundo Matheus Montenegro, representante do clube de futebol do Fluminense, "o drama de famílias endividadas" tem menos importância do que pessoas que ficarão desempregadas por conta do fim das bets. É dessa forma que pensam os times de futebol: em nome do suposto benefício de alguns [porque pessoas conseguem arrumar outros trabalhos e empregos, mas podem não se livrar de um vício destruitivo como de jogos de azar], pode-se sacrificar uma sociedade inteira. É assim que pensam aqueles que defendem as bets.
— donib (@bigdonniz) November 3, 2026
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