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Trump, preços elevados e clima extremo: a maior Copa do Mundo da história começa sob tensão

Torneio sediado na América do Norte conta com formato inédito, seleção brasileira em baixa e uma complexa rede de polêmicas que envolvem geopolítica, diplomacia e guerra

11 jun 2026 - 05h41
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A maior Copa de todos os tempos dá seu pontapé inicial nesta quinta-feira em um torneio regado a polêmicas prévias à sua realização. O histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, com capacidade para mais de 85 mil pessoas, abriga o jogo inaugural entre os mexicanos e a África do Sul, a partir das 16h (de Brasília).

As seleções foram repartidas em 12 grupos, com quatro integrantes cada. O caminho para o título ficou mais longo. Antes, eram necessários sete jogos. Nesta Copa, serão oito. Avançam para a segunda fase os dois melhores países de cada grupo além das oito melhores terceiras colocadas.

Essa nova etapa, introduzida neste Mundial, vai opor 32 seleções em duelos mata-mata, em jogo único. Mas há uma matemática complexa para a indicação dos confrontos entre líderes de alguns grupos e os classificados em terceiro lugar. São 495 combinações possíveis. Times da mesma chave não podem se enfrentar na segunda fase. A depender dos grupos dos quais as seleções terceiras colocadas são originárias, o cenário é alterado.

A seleção brasileira não viverá esta situação se avançar em uma das duas primeiras colocações do seu grupo. Os comandados de Carlo Ancelotti estão no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. O cruzamento na segunda fase será com um adversário do Grupo F: Holanda, Japão, Suécia ou Tunísia. A estreia da equipe pentacampeã será no sábado, às 19h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, diante dos marroquinos, que foram semifinalistas na Copa de 2022.

O estádio em East Rutherford será também o palco da grande final da Copa do Mundo, no dia 19 de julho. Ao todo, o torneio conta com 16 estádios, espalhados pelos três países anfitriões: Estados Unidos (11 estádios), México (três) e Canadá (dois).

Será terceira Copa disputada em território mexicano. Nas duas anteriores, um sul-americano saiu campeão: Brasil, em 1970, e a Argentina, em 1986. Já os EUA recebem o torneio pela segunda vez, mas o panorama é positivo. Foi lá que a seleção brasileira faturou o tetra, em 1994.

A abertura da Copa do Mundo no Azteca promete uma homenagem aos campeões de 1970 e 1986. O evento também contará com show de Shakira, a cantora que virou marca registrada em Mundiais com canções que se tornaram febre e marcaram gerações. Burna Boy, cantor nigeriano, fará companhia para a colombiana no palco. Haverá outras celebrações prévias às estreias dos EUA (com participação de Anitta) e do Canadá na sexta-feira.

No Azteca, o Brasil também estará no centro das atenções. Isso se deve ao fato de que um trio brasileiro foi escolhido para arbitrar o jogo entre México e África do Sul. Wilton Pereira Sampaio estará no apito e contará com o auxilio de Bruno Pires e Bruno Boschilia nas bandeiras. Eles serão os primeiros no Mundial a cumprir com as novas regras do futebol, cuja meta é diminuir a cera, acelerar a reposição de bola e saída de campo de jogadores lesionados ou substituídos.

Organizar uma Copa do Mundo em três países-sede foi um desafio logístico e político para a Fifa. Para conseguir se adequar a fusos e equilibrar distâncias, a entidade fez uma divisão das cidades em três blocos: regiões leste, central e oeste. Dessa forma, a definição dos locais dos jogos seguiram tal ordenamento para evitar que seleções tivessem de cruzar os países. Ainda assim, há alguns desvios necessários, como a favorita Espanha, que jogará em Atlanta duas vezes antes de ir a Guadalajara, no México.

Tratando de favoritos, além da atual campeã europeia, são indicadas como fortes candidatas: França, Portugal, Inglaterra e Argentina, que defende o título. Diferentemente de outras edições, os países com maior número de títulos, Brasil e Alemanha, estão em uma prateleira inferior e correm por fora. Marrocos, Holanda, Japão, Senegal, Noruega, Bélgica e Croácia podem surpreender. Os anfitriões, por sua vez, fizeram ciclos instáveis, mas devem lutar para avançar ao mata-mata.

Essa Copa do Mundo vai marcar um recorde para o argentino Lionel Messi, o português Cristiano Ronaldo e o mexicano Ochoa. Se entrarem em campo, estabelecerão o recorde de participação em Mundiais: seis.

Calor e tempestades: os adversários da Copa do Mundo

Para celebrar a Copa do Mundo no Catar, a Fifa alterou seu calendário e levou o torneio para o fim do ano, a fim de coincidir com o fim do outono no país do Oriente Médio. Conseguiu, assim, amenizar o calor, somando-se ao fato a existência de sistemas de refrigeração nos estádios.

Na América do Norte, o fim da primavera e o início do verão prometem temperaturas elevadas. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), os EUA registram a segunda primavera mais quente da história. A World Weather Attribution (WWA) aponta que um quarto dos jogos da Copa podem ser afetados por clima extremo, com calor e umidade.

Neste período, Trump acumulou polêmicas e envolveu os EUA em conflitos internacionais, passando pela captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e pela guerra com o Irã ao lado de Israel.

O conflito com os iranianos foi cercado por ameaças de boicote ao torneio por parte do país persa, recomendações de Trump para que eles não fossem ao país, e a Fifa teve de acionar mecanismos de diplomacia para contornar o impasse. A delegação iraniana demorou para conseguir vistos - alguns integrantes sequer conseguiram -, teve sua base para treinamentos deslocada de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, e será obrigada a fazer bate-volta para disputar seus duelos nos EUA.

Esta Copa também fica marcada pela deportação do melhor árbitro da África, o somali Omar Artan, que tentou entrar nos EUA com um passaporte diplomático, que foi recusado. O país anfitrião alega que o juiz teria ligações com terroristas. "Estamos trabalhando atentamente para ter certeza de que as pessoas certas entrem no país", afirmou Trump.

A atuação do ICE, serviço de imigração americano, é outro elemento em questão. O órgão tem sido ativo na busca por imigrantes ilegais nos EUA. Seleções têm passado por revistas rigorosas na entrada no país, assim como alguns atletas e membros de delegações passam horas na imigração.

A política de preços de ingressos, com valores variáveis de acordo com a demanda, foi um ponto criticado por torcedores. A Fifa promete rever a medida para o próximo Mundial. Um ticket para a final pode custar até R$ 170 mil. O mercado de revendas tem entradas por R$ 10 milhões.

Chegar ao palco da final também é caro. O trajeto normalmente é feito por trem e custava cerca de R$ 70 para ir de Nova York a East Rutherford. Com a Copa, o preço saltou para R$ 800 e, após contestações, regrediu para o equivalente a R$ 500. O cenário fez com que o governo de Nova York colocasse ônibus escolares à disposição de torcedores com passagem ao equivalente a R$ 100.

No México, o cenário tampouco é confortável. Nos primeiros meses de 2026, uma onda de violência foi desencadeada na região de Guadalajara após a morte do chefe do Cartel Jalisco Nova Geração. Nos últimos dias, protestos de professores que reivindicam aumentos salariais tomam as ruas da Cidade do México, com derrubada de estátuas para a Copa e ocupação de vias importantes.

Estadão
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