Seleção tenta superar altos e baixos na disputa da Copa América
O Brasil tem uma história irregular na disputa da Copa América, com a conquista de títulos inesquecíveis e também alguns fracassos marcantes. Depois de fazer figuração nas duas primeiras edições, quando chegou na terceira posição, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título da Copa América na edição de 1919, quando sediou o evento, disputado no […]
O Brasil tem uma história irregular na disputa da Copa América, com a conquista de títulos inesquecíveis e também alguns fracassos marcantes. Depois de fazer figuração nas duas primeiras edições, quando chegou na terceira posição, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título da Copa América na edição de 1919, quando sediou o evento, disputado no campo do Fluminense, atual sede das Laranjeiras, onde já não se disputam mais jogos oficiais. O torneio era para ter sido realizado em 1918, mas foi adiado em um ano devido a uma epidemia de gripe que assolava o Rio de Janeiro. Comandado pelo implacável artilheiro Artur Friedenreich e Neco (os dois dividiram a artilharia com quatro gols cada) o time canarinho foi impecável. Estreou fazendo 6 a 0 no Chile, bateu a Argentina por 3 a 1 e empatou em 2 a 2 com o Uruguai, que foi seu adversário na final. O título contra a Celeste foi ganho após Friedenreich marcar o gol único do duelo na segunda prorrogação de um confronto que durou cerca de 150 minutos.
Em 1922 o Brasil voltava a sediar uma Copa América e novamente a conquistaria. Outra vez jogando nas Laranjeiras, a Seleção Brasileira teve um troféu bem mais contestado, pois terminou a primeira fase empatada com Paraguai e Uruguai. O time canarinho fez uma campanha irregular, empatando com Chile, Uruguai e Paraguai, e vencendo apenas a Argentina. Para tirar ainda mais a credibilidade do evento, os uruguaios abandonaram a disputa se queixando da arbitragem e os argentinos, que ficaram na última posição, não contaram com os jogadores de seus principais clubes. Na grande final o Brasil não encontrou maiores problemas para fazer 3 a 0 no Paraguai. Neca foi o grande destaque do time, que já não contava mais com Friedenreich.
Em 1923 o Brasil fez uma de suas piores campanhas, perdendo todos os jogos e chegando na última posição. No ano seguinte, devido a problemas financeiros a Seleção Brasileira sequer participou, voltando no ano seguinte para ser vice-campeã. Porém a irregularidade seguia e os brasileiros voltaram a ficar algumas edições ausentes devido a problemas políticos e financeiros. Reapareceu em 1937, outra vez para ser vice.
Depois de ausências e fracassos, a Seleção Brasileira voltaria a se sagrar campeã em 1949, dessa vez com um futebol vistoso. Apesar da derrota de 2 a 1 para o Paraguai, os brasileiros ficaram marcados por goleadas impiedosas, como os 9 a 1 contra o Equador e os 10 a 1 contra a Bolívia. No jogo-desempate novo show: 7 a 0 nos paraguaios. O ataque brasileiro marcou 46 gols e a edição foi recorde em termos de gols: 135. Zizinho, Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes foram os destaques de um time que no ano seguinte perderia a final da Copa do Mundo no Maracanã para o Uruguai. Em 1949 a Copa América foi disputada em vários estádios, curiosamente não nas Laranjeiras, palco dos dois primeiros títulos canarinhos.
Em 1959 Pelé jogou a sua única Copa América, foi vice-campeão ao perder para a Argentina numa final, no Estádio Monumental de Núñez, que a arbitragem fez de tudo para os platinos ganharem. Apesar disso o Atleta do Século tem boas recordações do torneio, pois foi escolhido o melhor da competição e terminou na artilharia com oito gols. Ainda em 1959 a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) realizou uma segunda edição para atender a um pedido do anfitrião Equador, que queria inaugurar o Estádio Modelo de Guayaquil. Porém o Brasil não valorizou o torneio e ficou em terceiro lugar, sendo representado por um combinado de Pernambuco.
Por muito tempo a Seleção Brasileira perseguiu o título sem sucesso, inclusive passando por algumas humilhações, como quando em 1987 foi goleada por 4 a 0 pelo Chile. Apenas quarenta anos depois da última conquista, em 1989, quando voltou a sediar a Copa América, que o Brasil enfim sentiu novamente o gostinho de ser campeão. O time dirigido por Sebastião Lazaroni começou o torneio sob as desconfianças da torcida. Para piorar os três primeiros jogos aconteceram em Salvador e sob vaias da torcida baiana, que não entendia o porquê de Charles Baiano, do Bahia, não ser titular de um time que tinha a dupla de ataque formada por Bebeto e Romário. Alguns jogos mais tarde eles entenderiam o porquê. Depois de vencer a Venezuela por apenas 3 a 1 (levando o primeiro gol marcado pelos venezuelanos sobre o Brasil em toda a história) e empatar sem gols com Peru e Colômbia, o escrete canarinho seguiu para Recife, onde bateu o Paraguai e ganhou fôlego para a fase final, jogada toda no Rio de Janeiro. No Maracanã, com um show de Romário e Bebeto, o Brasil passou pela Argentina por 2 a 0 e atropelou os paraguaios por 3 a 0 antes de fazer a final com o Uruguai. Diante de 170 mil torcedores (público recorde no torneio) o Baixinho fez o gol do título num 1 a 0 histórico. Bebeto foi o artilheiro com seis gols.
“Aquela Copa América foi importante porque o Brasil vinha de um longo jejum e o início não foi nada fácil, com aqueles problemas na Bahia. Mas fomos crescendo com a competição, encorpando e enfim chegamos ao estágio ideal”, recordou Lazaroni.
Depois de ver a Argentina se sagrar bicampeã e perder um título nos pênaltis para o Uruguai, a Seleção Brasileira voltaria a ser campeã em 1997, pela primeira vez fora de seu próprio território. Na altitude boliviana um time com o goleiro Taffarel, os laterais Cafu e Roberto Carlos, o volante Dunga e os atacantes Romário e Ronaldo não encontrou adversários do mesmo nível e chegou a aplicar uma histórica goleada de 7 a 0 sobre o Peru nas semifinais. Na grande decisão o Brasil, mesmo sem Romário, lesionado, bateu a Bolívia por 3 a 1, com gols de Denilson, Ronaldo e Zé Roberto. O atacante Ronaldo foi o artilheiro da competição, com sete gols. Após o torneio, irritado com as críticas de alguns segmentos da imprensa, o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo soltou uma frase em tom de desabafo que seria eternizada: “Vocês vão ter que me engolir”.
Dois anos mais tarde, no Paraguai, o Brasil, dessa vez sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, seria pela primeira vez bicampeão. Nunca a Seleção Brasileira teve um desempenho tão brilhante, ganhando todas as partidas, marcando 17 gols e sofrendo apenas dois. Logo na estreia, nos 7 a 0 sobre a Venezuela, o país seria apresentado ao gênio Ronaldinho Gaúcho, que estreava com a camisa amarelinha marcando um gol de placa. Depois o Brasil fez 2 a 1 no México, 1 a 0 no Chile, 2 a 1 na Argentina, 2 a 0 novamente nos mexicanos e 3 a 0 na grande final contra o Uruguai. Ronaldo e Rivaldo dividiram a artilharia com cinco gols. O torneio marcou a estreia do Japão, que atendeu a um convite da Conmebol.
Em 2001 a Copa América foi disputada num clima de guerra civil, devido aos problemas da Colômbia, a sede, com guerrilhas e com o narcotráfico. O fato assustou a Argentina, que sequer enviou delegação. Liderado pelo técnico Luiz Felipe Scolari o Brasil cometeu outro histórico vexame ao ser eliminado pela modesta seleção de Honduras. Um ano depois a Família Scolari daria a volta por cima e se sagraria pentacampeã do mundo.
Em 2004, no Peru, a Seleção Brasileira conquistou um título histórico. O técnico Carlos Alberto Parreira decidiu fazer experiências e poupou as principais estrelas. Com isso o destaque do Brasil foi o atacante Adriano que, com sete gols, obteve a artilharia. A primeira fase foi complicada e após vitórias sobre Chile e Costa Rica e derrota para o Paraguai os brasileiros ficaram com a segunda posição. Nas quartas-de-final uma goleada sobre o México por 4 a 0 que escondia a fragilidade do time, que penou para superar o Uruguai nos pênaltis nas semifinais após empate por 1 a 1 no tempo normal.
Na grande final a Argentina, com seu time principal, ficou duas vezes em vantagem, com gols de Killy González e César Delgado. Luisão tinha marcado para o Brasil. Mas o empate veio aos 47 minutos, num chute de fora da área de Adriano, pouco tempo depois de Carlito Tevez, considerando o título ganho, ter feito firulas para menosprezar os brasileiros. o jogador viraria ídolo do Corinthians um ano depois. Nos pênaltis, os argentinos, abalados, caíram por 4 a 2.
Já em 2007 o técnico Dunga enfrentou muitos problemas antes da disputa do torneio, que foi na Venezuela. Os meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho não quiseram jogar a competição alegando cansaço. O meia Zé Roberto pediu dispensa considerando que seu ciclo no escrete canarinho tinha chegado ao fim. Apesar de algumas dificuldades na primeira fase a Seleção Brasileira cresceu na reta final, mas mesmo assim chegou desacreditada para decidir com a Argentina. Porém, os brasileiros deram um verdadeiro show, ganhando por 3 a 0: gols de Júlio Baptista, Ayala (contra) e Daniel Alves.
Em 2011 o Brasil era dirigido por Mano Menezes, que não conseguiu organizar o time, que penou na primeira fase e caiu nos pênaltis diante do Paraguai nas quartas de final. O drama se repetiu em 2015, novamente nas quartas de final, novamente nos pênaltis e novamente diante do Paraguai.
A ATUAL SELEÇÃO BRASILEIRA
A Seleção Brasileira chega desacreditada para esta Copa América. O fantasma dos 7 a 1, a eliminação nas quartas de final para o Paraguai na edição passada e a campanha irregular nas Eliminatórias para a Copa do Mundo fazem o time de Dunga não ser visto como poderoso, estando atrás de Argentina e Uruguai na lista de postulantes ao caneco. Para piorar ainda mais o cenário, a principal estrela da companhia, Neymar, está fora por conta de um acordo entre a CBF e o Barcelona, uma vez que o atacante vai disputar os Jogos Olímpicos de agosto, no Rio de Janeiro. O Brasil sonha com uma inédita medalha de ouro.
Além de Neymar, a Seleção Brasileira perdeu outros jogadores por conta de lesão, como o goleiro Ederson, o lateral Rafinha e os atacantes Douglas Costa e Ricardo Oliveira. As principais esperanças recaem em um habilidoso trio de meias composto por Philippe Coutinho, Willian e Renato Augusto. Eles terão a missão de municiar o artilheiro Jonas, destaque do Benfica na última temporada.
No banco de reservas, nomes como o volante Casemiro, e o meia Lucas, do Paris Saint-Germain,tornam o elenco um pouco mais encorpado. Além disso, os jovens santistas Lucas Lima e Gabriel podem dar um pouco mais de alegria ao plantel.
TIME-BASE: Alisson, Daniel Alves, Miranda, Gil e Filipe Luís; Casemiro, Elias, Renato Augusto, Willian e Philippe Coutinho; Jonas