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Rogério Ceni e Sylvinho: São Paulo e Corinthians se voltam para os treinadores pratas da casa

Rivais que se enfrentam esta noite no Morumbi deixam de lado o 'modismo' de contratar estrangeiros e confiam seus times a técnicos que conhecem a fundo o clube

18 out 2021 05h11
| atualizado às 09h06
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O futebol brasileiro vive há dois anos um "boom" de técnicos estrangeiros. A porta foi aberta pelo sucesso de Jorge Jesus no Flamengo em 2019. Porém, São Paulo e Corinthians, que se enfrentam hoje, às 20h, no Morumbi, decidiram neste momento olhar para o próprio quintal. Ambos têm como treinadores dois personagens que conhecem bem seus clubes, Rogério Ceni e Sylvinho.

Ceni, de 48 anos, e Sylvinho, de 47, têm a carreira e a vida definitivamente ligadas a São Paulo e Corinthians, respectivamente, desde os tempos de garotos nas categorias de base. Coincidentemente, eles chegaram ao Morumbi e ao Parque São Jorge no mesmo ano, na distante temporada de 1990.

Anos mais tarde, ao se profissionalizarem, seguiram caminhos diferentes. O ex-goleiro passou a carreira no Tricolor. O ex-lateral partiu após cinco anos para a Europa (Inglaterra e Espanha). Porém, eles jamais esqueceram suas raízes.

Ídolo maior da rica e recente história são-paulina, desde os tempos em que vestia luvas, Ceni já avisava que um dia queria treinar o time. Em novembro de 2016, 13 meses após deixar os campos onde defendeu o time principal por incríveis 1.237 vezes, marcando 131 gols - 62 deles de falta e 69 de pênalti -, e ganhando títulos importantes, como Estaduais e Mundial, ele realizou seu sonho.

Era sua primeira experiência como treinador, mas não deu muito certo. Durou apenas 37 jogos e menos de oito meses - tinha contrato de dois anos. Sem resultados, teve o destino de todo treinador sem resultados: foi demitido. "Um dia eu volto", prometeu.

Bom filho...

Esse dia chegou na última quarta-feira. Depois de mais de quatro anos (1.563 dias), excelentes trabalhos no Fortaleza, passagem curta e equivocada pelo Cruzeiro e uma trajetória de altos e baixos no Flamengo, Rogério Ceni retornou ao São Paulo com a obrigação comum a todos os técnicos: colocar o time no rumo das vitórias e de títulos. Mais do que isso, neste ano precisa ainda livrar o São Paulo da ameaça do rebaixamento.

"Foi tudo muito rápido. Se não fosse o São Paulo, não aceitaria o convite neste momento da temporada", disse Ceni, que só pretendia voltar à ativa no início de 2022, justamente para poder fazer um trabalho desde o começo do ano.

"A opção correta era o Rogério Ceni. Já havia deixado claro que, em caso de vacância no cargo, ele seria a nossa primeira alternativa se estivesse livre no mercado", justificou o presidente Julio Casares. "Como bom são-paulino, não precisou de mais de 15 minutos para acertar sua volta para casa."

O São Paulo tem certa tradição de colocar gente da casa como treinador. Muricy Ramalho e o várias vezes interino Milton Cruz são dois exemplos. Mas nos últimos anos o clube havia se voltado para os estrangeiros, antes mesmo do "boom" atual. Juan Carlos Osorio, Edgardo Bauza, Diego Aguirre e o último deles, Hernán Crespo, passaram pelo Morumbi recentemente. Agora, porém, o clube decidiu olhar para a própria sala.

Santo de casa

Foi o que havia feito pouco mais de quatro meses antes o Corinthians. Ao procurar um substituto para Vagner Mancini, a diretoria optou por alguém com ligação com as cores de sua bandeira. É fato que parte da torcida torceu o nariz, pois Sylvinho não tem lá muita experiência como treinador - foi auxiliar em algumas ocasiões, inclusive no próprio Corinthians e depois de Tite na seleção brasileira, mas como técnico mesmo tivera uma meteórica (11 partidas) e malsucedida passagem pelo Lyon, da França.

O Corinthians procurou medalhões como Renato Gaúcho e Diego Aguirre. Sem sucesso, optou por alguém que, como jogador, fez 269 jogos pela equipe entre 1993 e 1999.

Sylvinho aceitou de pronto. "Não precisei consultar ninguém. Vim porque era hora, porque era tempo. Estava esperando. Tenho monitorado. É um clube que conheço há muitos anos. Foram três minutos de boa conversa", disse.

Mas o time demorou para engrenar e o treinador esteve na corda bamba. Não caiu porque o presidente Duilio Monteiro Alves resistiu às pressões. E também porque quando recebeu reforços - Giuliano, Renato Augusto, Roger Guedes e Willian -, a maré mudou. Além disso, uma vitória sobre o rival Palmeiras, como a que ocorreu por 2 a 1 em 25 de setembro sempre ajuda. E ajudou.

"Nunca existiu dúvida em relação ao seu trabalho'', garantiu Duilio, aliviado, após a vitória sobre o alviverde.

O bom momento do Corinthians deu a Sylvinho, antes visto com desconfiança, a tranquilidade que precisava para trabalhar. Hoje, espera manter o mar calmo, até por saber que ser ídolo não dá imunidade. Em Ceni, grande parte dos são-paulinos confia. Apesar da idolatria, a paciência e a boa vontade podem sumir se o time não reagir. Clássico conta pontos com o torcedor.

Estadão
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