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Presidente do São Paulo defende volta da torcida visitante em clássicos: 'Valorização do espetáculo'

Sugestão pelo fim da medida, implementada há 10 anos, é apresentada às autoridades

18 mar 2026 - 05h42
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O presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, endossou o fim da torcida única em clássicos no Estado. Após uma proposta pelo fim gradual da medida ser apresentada às autoridades, o dirigente falou publicamente para defender o retorno dos visitantes aos estádios paulistas.

A proibição foi implementada em 2016 pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) depois de conflitos entre palmeirenses e corintianos, que deixaram um morto e dezenas de feridos. A medida passou a valer para clássicos dos quatro grandes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) e para o Dérbi Campineiro, entre Guarani e Ponte Preta.

"O retorno da torcida visitante nos clássicos em São Paulo é uma medida importante para a valorização do espetáculo no estado. Hoje, temos mecanismos dentro e fora dos estádios para garantir a segurança da torcida", defende Massis.

Desde 2016, torcedores visitantes não acompanham clássicos dos quatro grandes no estádio em SP.
Desde 2016, torcedores visitantes não acompanham clássicos dos quatro grandes no estádio em SP.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

"A consolidação do reconhecimento facial, a instalação de câmeras de segurança e o controle rígido na comercialização de ingressos nos ajudam a imaginar que a proibição está chegando ao fim. A decisão será tomada pelo Ministério Público e pela Polícia Militar, mas sabemos a importância de ter o torcedor ao nosso lado e faremos todos os esforços para colaborar com as autoridades", complementa.

A proposta apresentada à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol foi elaborada pelo advogado Renan Bohus da Costa, com atuação especializada em Direito do Torcedor e gestão jurídica de eventos esportivos. Ele trabalha junto à Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que representa as agremiações desde 2014.

No documento ao qual o Estadão teve acesso, é sugerida a realização de jogos-testes com participação controlada de visitantes. Inicialmente, eles representariam até 10% da capacidade do estádio. "Número compatível com padrões internacionais de segurança e suficiente para avaliação técnica dos impactos operacionais, sociais e de segurança pública", diz a proposta.

O setor visitante teria ingressos com prioridade para sócios e membros cadastrados de torcidas organizadas, mediante identificação prévia. Como já é feito em outros jogos, os setores visitante e mandante seriam previamente delimitados e articulados com rotas logísticas seguras.

Os testes seriam apenas em estádios que contam com a tecnologia de reconhecimento facial, obrigatória em arenas com mais de 20 mil lugares desde junho de 2025, conforme a Lei Geral do Esporte.

Dois exemplos são citados como casos de sucesso. O mais recente é a Supercopa Rei deste ano, em que o Mané Garrincha, em Brasília, foi dividido pelas torcidas de Corinthians e Flamengo. Em 2023, pelo mesmo torneio, São Paulo e Palmeiras dividiram o Mineirão.

O movimento vai na contramão do que a Justiça de São Paulo discutiu no fim de 2024, após uma emboscada de palmeirenses a cruzeirenses, no quilômetro 65 da rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). Um torcedor do time mineiro foi morto.

Depois disso, o Juizado Especial de Defesa do Torcedor do Tribunal de Justiça de São Paulo discutiu estender a imposição de torcida única para clássicos do futebol nacional. A proposta era aplicar a medida para Palmeiras x Flamengo e Palmeiras x Cruzeiro, sempre quando o time alviverde for o mandante e esses jogos ocorrerem na capital paulista, mas não houve avanço.

Estadão
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