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Mundial de Clubes

Conheça Homi Danchi, a "Cohab brasileira" em solo japonês

8 dez 2012 - 19h15
(atualizado em 8/12/2012 às 03h12)
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A primeira impressão de quem chega ao Japão, além do frio intenso, da mão inglesa nas ruas e da culinária exótica, dentre outras curiosidades, é que a mímica torna-se a única ferramenta de comunicação com o povo local, pouco fluente no inglês, muito menos em outras línguas. Mas em Toyota, na província de Aichi, bem próximo ao estádio onde o Corinthians fará seu debute no Mundial de Clubes da Fifa, na próxima quarta-feira, existe uma comunidade onde todas as placas têm instruções em português, é fácil encontrar nas bancas gibis da Turma da Mônica e revistas brasileiras, cartazes espalhados divulgando as baladas da semana, feijão em fartura e até picanha, em um país onde a carne é artigo de luxo. Estamos falando de Home Danchi, a "Cohab japonesa", um pedaço verde e amarelo em terras nipônicas, onde se estima que vivem mais de cinco mil brasileiros.

Comunidade em Toyota reúne brasileiros; às vésperas do Mundial, corintianos agitam a região
Comunidade em Toyota reúne brasileiros; às vésperas do Mundial, corintianos agitam a região
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

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"Aquí todo mundo fala português", alerta Roberto Inoue, paulista, dono de uma lanchonete que faz misto quente e vende esfiha, e morador do Homi Danchi "só há 25 anos". O apelido de “Cohab brasileira" no Japão vem do fato de o conjunto de 67 prédios, todos com apartamentos de espaço reduzido, com mais de dez habitações por andar (o número varia entre cada edifício), em muito se assemelha aos conjuntos habitacionais tão difundidos pelo Brasil, principalmente em São Paulo. "Todo mundo chama por esse apelido mesmo", atesta.

Por lá, vivem muitos brasileiros que chegam ao Oriente em busca de uma melhor condição de vida e veem no "Rômi" - como é mais conhecido o local, no apelido com pronúncia japonesa - a oportunidade certa para juntar o dinheiro necessário para ter um carro próprio e realizar o sonho da casa própria no Brasil. Foi com esta missão que, há sete anos, Paulo César Santos, natural de Cotia (SP), chegou ao conjunto habitacional junto da mulher.

Operário do setor de pneus da Toyota, que detém um grande parque industrial na região, e corintiano "até na alma", já conseguiu comprar um terreno em São Roque (SP), e já tem o dinheiro para pagar todo o ensino fundamental das duas filhas, que ficaram morando no Brasil junto com o sogro. "Há sete anos que eu só as vejo pelo Skype, mas é o sacrifício, jamais conseguiria as coisas que tenho hoje se morasse no Brasil", explica.

Além de possuírem, gratuitamente, um sistema de van, que leva os operários brasileiros diretamente para as fábricas, quem vive no Homi Danchi ainda tem a oportunidade de pagar um aluguel muito mais em conta em um país onde tudo custa "os olhos da cara". O conjunto é dividido entre os apartamentos Kodan (42 edifícios), cujos aluguéis têm preço médio de 55 mil ienes (R$ 1650), e são todos particulares (da Agência Nacional de Planejamento Urbano - UR Toshi Kiko), com contrato via imobiliária. E os chamados "Ken-ei", pertencentes ao governo de Aichi que, a partir de um atestado de baixa renda e certificação de que os postulantes possuem crianças para criar e sustentar, mesmo a distância, os concede por irrisórios 6.500 ienes (R$ 195). É o caso do personagem em questão.

“Por isso que brasileiro, quando chega no Japão, quer morar aqui, onde todo mundo fala português, tem acesso a produtos que o deixam perto de casa. Tudo isso ajuda a matar a saudade", explica Paulo César Santos, que chama a atenção ainda para outro detalhe. "Reparou no som do elevador? Era uma rádio lá do Paraná", explica. Via internet, o sinal é replicado por todos os cantos. Jeitinho brasileiro com a tecnologia japonesa.

Invasão corintiana

A reportagem do Terra passou a tarde da última sexta-feira no Homi Danchi a convite de Ronaldo Ihigashi, morador da comunidade há quatro anos, corintiano fanático e membro ativo da subsede da torcida organizada Gaviões da Fiel no Japão. Foi ele quem reuniu diversos torcedores alvinegros, que estão espalhados em alguns apartamentos do local. Até a estreia do Corinthians no Mundial, no dia 12, o bando de loucos vai aumentar.

"É um pedacinho do Brasil, e uma comunidade agora corintiana", assegura ele, enquanto o hino do Corinthians ressoa pelo ambiente já tomado "de irmãos que vão ver o Corinthians ser campeão mundial". Ninguém cobra nada de ninguém, e todos ajudam no almoço, no supermercado e nas tarefas diárias do apartamento. Da sacada do apartamento, é possível avistar o estádio de Toyota, onde na próxima quarta-feira todos estarão juntos.

"Conheci o Curau (apelido de Ronaldo) em 2003, quando trabalhamos juntos numa fábrica aqui no Japão. Agora, o 'bagulho vai ficar louco'. Estão chegando vários camaradas, e é claro que todo mundo se ajuda", conta o corintiano, que regressou ao Oriente para ver o Corinthians sagra-se bicampeão mundial.

Preços mais populares também no comércio

Enquanto lava o cabelo de um cliente, obviamente brasileiro, Luciano França, há 11 anos na "Cohab nipônica", comemora. Após muito trabalho, enfim, possui há 18 meses o próprio salão de beleza. Natural de Registro (SP), ele comemora o fato de que "aqui a gente faz preço que as pessoas possam pagar". O trabalho da manicure, por exemplo, que nas grandes cidades japonesas (pé e mão) chega a custar facilmente 3.300 ienes (R$ 100), sai no estabelecimento pela metade do preço.

O mesmo ocorre com as agências de turismo, locadoras e escolas de música, sendo que muitos destes empreendimentos são nas próprias habitações, e até mesmo com as aulas de reforço de português, para que as crianças não esqueçam a língua, já que as escolas são em japonês, com o preço da picanha bovina (R$ 40 por 1 kg) e até mesmo na esfiha do seu Roberto Inoue (aquele do início da reportagem), que cobra "módicos" 300 ienes (R$ 9, sendo que ele paga pela importação dos produtos, como a carne) pelo salgado feito “com muito carinho". "Vai lá, conta para os seus leitores que bem longe, mas bem longe mesmo como diz a música, existe um pouquinho de Brasil, ia, ia", diz, sem segurar a gargalhada.

Fonte: Terra
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