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Futebol

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Mikel Merino decide em 6 minutos, Espanha avança e decreta fim de Copa para Cristiano Ronaldo

Seleções, que fizeram bom duelo no primeiro tempo, perdem qualidade no segundo, mas espanhóis são brindados pela paciência

6 jul 2026 - 18h17
(atualizado às 18h26)
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ARLINGTON - Quanto tempo um craque precisa para decidir? Cristiano Ronaldo e Lamine Yamal tiveram os 90 minutos para fazer a diferença para Portugal e Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Foi Mikel Merino, porém, que decretou o fim do Mundial para os portugueses e provocou euforia espanhola na vitória por 1 a 0.

O camisa 6 entrou aos 39 minutos do segundo tempo. Seis minutos depois, ele fechou o último capítulo de Cristiano Ronaldo em Copas com um toque na saída de Diogo Costa. Após seis edições, o maior jogador português se despede da sua última participação de forma precoce.

Luis de la Fuente falou, na véspera do duelo, que acreditava ter os melhores jogadores do mundo. Completou dizendo que Roberto Martínez deveria pensar o mesmo. Em campo, Portugal e Espanha tanto mostraram por que os treinadores podem pensar desta forma quanto por que podem estar errados.

Os dois times fizeram boa briga no meio-de-campo e tiveram goleiros salvando chances bem construídas. A segunda etapa, porém, perdeu qualidade. À medida que a cautela pareceu virar prioridade para os times, menos oportunidades apareceram. O gramado quadriculado do AT&T Stadium dava a dica de que o campo de futebol também se tratava de um tabuleiro de xadrez.

O que se viu em Arlington também foi dual na representação da Copa para Portugal. Por um lado, entendeu-se como o time pôde não avançar em primeiro lugar de sua chave, adiantando o que poderia ser uma final já para a fase de oitavas. João Neves e Vitinha não repetiram o sucesso que têm no PSG. Cristiano Ronaldo ficou isolado.

Por outro lado, a seleção portuguesa fez seu melhor jogo para enfrentar a adversária mais difícil até aqui. Entretanto, na batalha do meio-de-campo, a Espanha foi superior, apesar de também ter sido atacada com jogadas trabalhadas. Os espanhóis dominaram o gramado.

Como foi o jogo entre Portugal e Espanha

Os primeiros minutos já confirmaram a expectativa de uma partida de disputa pela posse de bola. Quem não a tinha tentava pressionar o adversário para recuperá-la. Já quem dominava buscava transições rápidas.

Com 10 minutos, ambos os times haviam tido chances. João Cancelo e Cristiano Ronaldo por Portugal, e Mikel Oyarzabal, duas vezes, pela Espanha. A melhor foi a segunda do espanhol. Ele recebeu cara a cara com Diogo Costa e chutou cruzado. O goleiro português foi batido, mas a bola triscou a trave e saiu. O arqueiro ainda salvou de fato outras três vezes no primeiro tempo.

À beira do gramado, Luis de la Fuente e Roberto Martínez pareciam imitar um ao outro com gestos aos seus comandados. Braços erguiam-se. Os pés frequentemente ultrapassavam o limite da área técnica. Até o momento de voltar ao banco e discutir ideias foi simultâneo, com auxiliares ocupando o espaço na faixa lateral.

Um torcedor mirim sentiu o melhor momento da Espanha a partir da pausa para hidratação. Com sua estridente voz infantil, entoou o ritmado canto "Cristiano Ronaldo" e conquistou companheiros de torcida para repeti-lo.

Coincidência ou não, foi quando Portugal reagiu. João Félix escorou cruzamento para o camisa 7, que finalizou fraco, mas exigindo que Unai Simón saltasse para defender. O banco português levantou-se junto de Martínez e permaneceu em pé para reclamar de faltas. Dali, poderiam ter partido para a comemoração se o chute de Nuno Mendes, desviado pela defesa, não tivesse parado no travessão.

O retorno do intervalo, sem mudanças nas escalações, poderia ser uma continuação sem pausa do primeiro tempo, com intensidade desde o primeiro minuto. O problema foi que isso durou pouco. As chances ficaram menos claras. Houve mais desperdício de oportunidade nos ataques dos dois times.

O duelo pessoal entre Lamine Yamal e Nuno Mendes rendeu, em todo o jogo, bons lances, com superioridade do português na maioria deles. O lateral, porém, deixou a partida aos 10 minutos do segundo tempo, com dores. Desolado, ele conseguiu caminhar vagarosamente até o banco de reservas.

Cristiano Ronaldo voltou a ter uma chance, mas o cruzamento foi longo. Ele até completou, com Unai Simón tendo facilidade para defender. A Espanha perdeu espaço no ataque. A seleção portuguesa estava com desempenho melhor na defesa do que no meio.

A entrada de Rafael Leão levou um tempo a ser assimilada por Portugal. Em um lance no qual ele se posicionou mal, Vitinha apontou para onde ele deveria estar no ataque. Dando razão ao colega, Leão fez com que a linha ofensiva portuguesa tivesse mais vigor para ameaçar os espanhóis.

A reação da Espanha foi voltar a atacar e empurrar o adversário para seu campo. Os possíveis contra-ataques de Portugal não se concretizavam.

A paciência espanhola foi brindada, enfim, aos 45 minutos da segunda etapa. Ferran Torres, que entrou aos 30, estava cercado, mas girou e encontrou Mikel Merino já dentro da área. O camisa 6 estava em campo há seis minutos. Bastou um toque para tirar de Diogo Costa.

A Espanha vai enfrentar Estados Unidos ou Bélgica. Os anfitriões enfrentam os belgas nesta segunda-feira às 21h (de Brasília), em Seattle. Ainda antes da partida, a polêmica em torno da suspensão da expulsão de Folarin Balogun aquece o jogo.

PORTUGAL 0 X 1 ESPANHA

  • PORTUGAL - Diogo Costa; João Cancelo (Diogo Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes (Nelson Semedo); João Neves e Vitinha (Bernardo Silva); Pedro Neto (Francisco Conceição), Bruno Fernandes e João Félix (Rafael Leão); Cristiano Ronaldo. Técnico: Roberto Martínez.
  • ESPANHA - Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Marc Cucurella; Rodri, Pedri (Fabián Ruiz) e Dani Olmo (Mikel Merino); Lamine Yamal, Mikel Oyarzabal (Borja Iglesias) e Álex Baena (Ferran Torres). Técnico: Luis de la Fuente.
  • GOL - Mikel Merino, aos 45 minutos do segundo tempo.
  • CARTÕES AMARELOS - Renato Veiga; Bernardo Silva; Fernando Torres.
  • ÁRBITRO - Anthony Taylor (Inglaterra).
  • PÚBLICO - 70.649 presentes.
  • LOCAL - AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.
Estadão
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