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Buffon tenta título inédito para evitar hexa-vice da Juve

Tony Gentile / Reuters

Capitão espera conquistar sua primeira Liga dos Campeões e evitar que clube sofra derrota que resultaria em recorde negativo

5 jun 2015
07h59
atualizado às 08h02
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Campeão do mundo, multicampeão italiano e dono de uma das maiores carreiras já feitas por um goleiro. Gianluigi Buffon, 37 anos, tem uma lacuna significativa no seu currículo vitorioso: jamais levantou a taça da Liga dos Campeões.

Ele terá uma nova, possivelmente última, chance de conseguir isso neste sábado, às 15h45 (de Brasília), no Estádio Olímpico de Berlim. De volta ao palco da vitória italiana na Copa do Mundo de 2006, o camisa 1 da Juventus terá a difícil missão de segurar o Barcelona dono do ataque mais badalado dos últimos tempos: Messi, Suárez e Neymar.

Em seu 20º ano como jogador profissional, Buffon não deixou a pressão afetá-lo nas semanas que antecederam a decisão. Campeão italiano e da Copa da Itália (título inédito com a camisa da Juve) nesta temporada, ele teve tempo para se preparar física e mentalmente para sua segunda grande final europeia.

"Ele é tão experiente que ainda não está preocupado com isso. A sabedoria dele é muito grande, muito refinada para neste momento ficar preocupado se vai ou não vai ganhar. Mas eu creio que a expectativa, como de todos nós, é de chegar lá e fazer o melhor possível para conseguir esse campeonato", comentou o brasileiro Rubinho, parceiro de vestiário de Buffon, em entrevista ao Terra .

Ascensão

Na Juventus desde 2001, o goleiro conquistou seu único título continental quando estava no Parma na temporada 1998/99: uma Copa Uefa, antigo nome da atual Liga Europa. A mudança para Turim alterou o patamar da carreira do jogador, que logo em seu primeiro ano no clube alvinegro foi campeão nacional.

A primeira chance para levar a Liga dos Campeões não demorou. Sua segunda temporada na Juventus terminou em bicampeonato italiano e decisão europeia contra o rival Milan. Em um duelo equilibrado, pesou a suspensão do astro Nedved, suspenso para a final. Sem o meia, a equipe de Turim não furou o bloqueio adversário, mas Buffon também impediu que Shevchenko, Inzaghi ou qualquer atleta do time de Milão vazasse suas redes no tempo normal.

Buffon teve a chance de vencer a Champions em 2003, mas perdeu a final para o Milan
Buffon teve a chance de vencer a Champions em 2003, mas perdeu a final para o Milan
Foto: Laurence Griffiths / Getty Images

Ambos os clubes passaram em branco na prorrogação, e a decisão foi para os pênaltis. Dida e Buffon travaram um duelo particular no Old Trafford, mas foi o brasileiro que levou a melhor no fim: três defesas contra duas do italiano. Sexto título para o Milan, quinto vice-campeonato europeu para a Juventus.

Com histórico idêntico ao Benfica – sete finais de Champions alcançadas, apenas duas vitórias – o time de Turim é um dos donos do ingrato retrospecto de pior aproveitamento ao chegar às decisões dentre os campeões europeus. O Bayern de Munique, por exemplo, também foi “penta-vice”, mas pode se vangloriar de um pentacampeonato além dos fracassos no momento derradeiro.

Crise

Igualar a marca de ineficiência do clube português não diminuiu o poder da Juventus dentro de casa. A temporada seguinte ao vice não foi de título, mas as duas próximas, 2004/05 e 2005/06, sim. Entretanto, embora conquistados dentro de campo, os dois troféus foram tirados pela Justiça da posse da equipe de Turim, principal pivô do escândalo Calciopoli.

Não só isso: a Juventus foi mandada para o buraco, rebaixada à segunda divisão italiana, na qual iniciaria a temporada seguinte com um déficit de 30 - posteriomente reduzido a nove. No meio dessa bagunça, Buffon e seus companheiros de seleção da Itália foram encarregados o improvável: conquistar a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha.

Copa do Mundo ele já tem: em 2006, faturou a principal taça do futebol com a seleção da Itália
Copa do Mundo ele já tem: em 2006, faturou a principal taça do futebol com a seleção da Itália
Foto: Clive Mason / Getty Images

À la 1982, a Azzurra deixou para trás os problemas de casa e surpreendeu no Mundial. A final, realizada no mesmo Estádio Olímpico da decisão deste fim de semana, foi para os pênaltis, mas desta vez o camisa 1 saiu vitorioso, levando seu país ao tetra 24 anos depois do último título.

Toda a glória foi temporária. Buffon optou por ficar na Juventus apesar do rebaixamento à Serie B, decisão não compartilhada por todos seus companheiros do bicampeonato anulado. Remodelada, a equipe não teve problemas para ser campeã e retornar à primeira divisão, mas ao chegar na elite seu poder não era o mesmo dos anos anteriores.

O time de Turim até terminou as temporadas 2007/08 e 2008/09 bem posicionada, classificada à Liga dos Campeões, mas não desafiou a Inter de Milão na briga pelo título. Ídolo da torcida não só pelo jogador que era, mas pelo "fico" no momento de crise, Buffon era o porto seguro do time, por isso suas lesões nos dois anos seguintes afundaram os resultados do time, que ficou mais próximo do meio da tabela ao final das campanhas do que da liderança.

Redenção

A chegada de Antonio Conte no meio de 2011 mudou tudo. O técnico montou uma equipe com base em uma defesa sólida, que se tornou a base da seleção italiana, com Buffon no controle de dentro da área. O primeiro ano sob comando do novo treinador resultou em título invicto do Campeonato Italiano, torneio que o clube de Turim venceu todos os anos desde então - o último deles com Massimiliano Allegri no banco de reservas.

Capitão da Juventus neste período de renascimento, Buffon terá a responsabilidade de liderar seus companheiros em uma missão considerada improvável pela maioria dos fãs de futebol e especialistas. Seu time não é o favorito contra o Barcelona, porém tem plena capacidade de surpreender favoritos, que diga o Real Madrid.

“Só pela figura dele, não precisa nem abrir a boca. A figura dele no gol impõe respeito à nossa equipe e a adversária”, definiu Rubinho.

Buffon tem capacidade de parar Messi e companhia, e fará seu melhor para escrever mais um capítulo de superação na história do Estádio Olímpico de Berlim, conquistar o título que falta na sua vitoriosa jornada pelo futebol e evitar que a Juventus seja dona sozinha de um recorde negativo europeu.

Como disse o capitão à revista oficial da decisão, "nas partidas que joguei, eu definitivamente tive mais satisfação sucedendo como zebra". Caso a Juventus vença no domingo, será difícil encontrar alguém mais satisfeito que Buffon em campo.

 

Fonte: Terra
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