'Cruzeiro é a coisa que mais amo': médica organiza rotina para acompanhar as Cabulosas na Liberta
Paixão pelo Cruzeiro faz médica cruzar fronteiras para acompanhar final
A médica Natália Simões Teixeira, de 31 anos, não mede esforços para ver as Cabulosas em campo. A cruzeirense saiu de Belo Horizonte (MG) com destino a Quito, no Equador, para presenciar ao vivo o capítulo inédito que o time construiu ao chegar na final da Libertadores Feminina. Ela garante que o clube é ‘a parada’ mais importante da sua vida. “Com todo o respeito à minha esposa, aos meus pais, e ao meu irmão, é a coisa que eu mais amo”, diz em entrevista ao Terra.
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Criadora da Torcida (Des)organizada Cabulosa, ela conta que a paixão vem de berço e inspirada em seu pai, que é outro grande torcedor do Cruzeiro. “Cresci indo ao Mineirão, desde muito novinha e meu irmão também”, relembra.
Apesar de sempre amar futebol, ela começou a acompanhar o time feminino somente em 2023, após se formar em uma faculdade no interior de Minas, e não parou mais. Tanto que a sua rotina de trabalho e de vida é organizada em torno da agenda da equipe esportiva.
“Eu vivo ‘em função’ do Cruzeiro. É claro que eu trabalho, tenho família, minha esposa e tudo mais para fazer, mas eu organizo e gerencio a minha rotina diária, a minha rotina semanal ao redor dos jogos”, explica.
Foi assim que também nasceu a proximidade com as jogadoras. Fã de Byanca Brasil desde antes de a atleta chegar ao time do coração, a médica conta que a presença constante nas partidas permitiu que as duas se aproximassem. “É um prazer e um orgulho poder ser fã e também ser tão próxima da Byanca”, reforça.
Isso acontece porque as arquibancadas dos jogos femininos, infelizmente, ainda são vazias. Olhando pelo lado bom, essa situação ainda permite que os torcedores troquem uma ideia com as jogadoras e criem um vínculo muito real e próximo.
Paixão que atravessa qualquer distância
A viagem para Quito, que já dura quase 20 dias, custou para a médica cerca de R$ 10 mil entre hospedagem, passagens de avião e alimentação. Mas essa não foi a única loucura que ela já fez para ver o elenco jogar. Entre as lembranças mais marcantes, ela destaca a recepção organizada para as atletas antes de uma partida contra a Ferroviária, em Nova Lima (MG), na temporada passada.
Na ocasião, integrantes da torcida viajaram em três ônibus e prepararam uma festa com direito a rua de fogo. “Foi o jogo em que a gente assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro do ano passado, esse jogo foi muito marcante, muito importante para a gente”, afirma.
O jogo da ida, que rolou na Arena Barueri, na zona oeste da Grande São Paulo, na semifinal do mesmo campeonato contra o Palmeiras. As Cabulosas viraram e emplacaram 3 a 1 nas Palestrinas. “Ali caiu a ficha de que a gente ia pôr grandes coisas, não só nos próximos jogos, mas também nas próximas temporadas”.
O que é uma verdade: o Cruzeiro enfrentou um ano difícil, com seis atletas lesionadas durante a temporada, mas, apesar disso, conseguiu se superar e entregar uma campanha histórica e inédita na Libertadores, ganhando o protagonismo que merece. Com esse resultado, o elenco enfrentará o Corinthians, um oponente importante e já velho conhecido. As Brabas eliminaram as Cabulosas nas quartas de final do Brasileiro deste ano, além de terem sido campeãs do mesmo campeonato em 2025.
Se depender da paixão de Natália, a torcida estará presente até o último minuto e só existe uma condição: que a decisão não precise ser definida nos pênaltis. “Não quero, não tenho condição. Meu coração não aguenta”, afirma.
A dedicação não é só das jogadoras, mas também da torcedora, que abriu mão do trabalho para acompanhá-las até o último segundo. Natália atua em regime e plantão e como é PJ, portanto, não recebe se não tiver exercendo a sua função.
A esposa, que também passou a torcer pelo Cruzeiro por influência da médica, não conseguiu vir desta vez. “Minha esposa ficou em casa trabalhando para pagar as dívidas que estou acumulando aqui”, brinca.
Para Natália, entretanto, o investimento vale cada centavinho, independentemente do resultado. Ela destaca que a campanha das Cabulosas já entrou para a história do clube, especialmente por ter levado a equipe à primeira final de Libertadores Feminina.
“Independentemente do resultado, elas construíram cinco páginas heróicas e imortais, com os três jogos da fase de grupos, quartas e semi ”, afirma. A torcedora também ressalta o orgulho de ver um elenco jovem alcançar um feito tão importante.

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