Filho de Popó é denunciado pelo MP-PR por tentar aliciar Reinaldo e jogadores das Séries B e C
Jogador do Mirassol recusou abordagem para participar em esquema de aposta, assim como os atletas da equipe paranaense; defesa não respondeu
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou três suspeitos de tentativa de manipulação em esquema de apostas esportivas. Um deles é Igor Gutierrez Freitas, filho do tetracampeão mundial de boxe Popó Freitas. O trio teria tentado aliciar pelo menos três jogadores do Londrina e Reinaldo, do Mirassol. Todos recusaram as abordagens.
Contatada, a defesa de Igor não respondeu. Assim que houver uma manifestação, esta reportagem será atualizada.
Em setembro, o MP-PR havia cumprido mandados de busca e apreensão na Operação Derby, em endereços de Salvador e Itapema (SC). Os três acusados, que atuavam como empresários esportivos, foram enquadrados na prática de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo.
A investigação foi conduzida pelo Gaeco de Londrina após o recebimento de informações da Polícia Federal sobre abordagens a jogadores do Londrina antes de uma partida contra o Maringá pela Série C de 2025.
Depois de iniciado o inquérito, a Procuradoria apurou a abordagem além desta partida, incluindo a tentativa de cooptar Reinaldo, que joga pela Série A. Foram verificadas outras tentativas a jogadores que estavam na elite e também a atletas da Série B.
"Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão", respondeu Reinaldo, à tentativa de aliciamento, conforme print anexado na denúncia.
Segundo o MP-PR, os denunciados utilizavam redes sociais e WhatsApp prometendo pagamentos por forçar cartões amarelos. Em um dos casos, foi oferecida a quantia de R$ 15 mil. A Procuradoria aponta para a possibilidade de que o dinheiro oferecido tenha origem ilícita.
Além da condenação dos acusados às penas previstas na Lei Geral do Esporte (veja abaixo), o Ministério Público requer a determinação do pagamento de dano moral coletivo no valor de R$ 150 mil, como forma de reparação do prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.
A partida do Londrina, que deu origem às investigações, ocorreu em 26 de abril, pela terceira rodada da Série C. Os acusados pediam que fosse forçado um cartão amarelo até os 27 minutos do primeiro tempo.
Ainda conforme o MP-PR, foi Igor quem fez o primeiro contato, pelo Instagram. Ele se apresentou como "empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional" e "atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias".
O próprio Londrina relatou o caso à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que acionou a Polícia Federal. São citados na acusação os artigos 198, 199 e 200. Cada um deles prevê pena de reclusão de dois a seis anos e pagamento de multa.
Lei Geral do Esporte
- Artigo 198 - Solicitar ou aceitar, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem patrimonial ou não patrimonial para qualquer ato ou omissão destinado a alterar ou falsear o resultado de competição esportiva, ou evento a ela associado;
- Artigo - 199 - Dar ou prometer vantagem patrimonial ou não patrimonial com o fim de alterar ou falsear o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado;
- Artigo 200 - Fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado.
Londrina e Maringá protagonizam o chamado "Clássico do Café", que inspirou o nome da operação. Após as diligências, Lucas Magalhães, executivo de futebol do Londrina, concedeu uma entrevista coletiva sobre o caso.
"Obviamente, isso assusta na hora. Eu de pronto chamei Paulo (Assis), que era o CEO à época, e a gente acionou a Federação Paranaense na mesma hora. Eles nos passaram um departamento da CBF para oferecer a denúncia. A gente formalizou isso na segunda-feira, logo após o jogo do Maringá", contou na época.
Ainda segundo o executivo, ele comunicou ao zagueiro Wallace Reis, capitão da equipe na partida. "Eu falei: 'Wallace, aconteceu isso, esses três atletas foram abordados, vamos ficar de olho aqui e tal'. Nenhum dos três atletas aliciados tomaram cartão na partida", disse.
A partida teve 10 cartões amarelos, dos quais quatro foram para atletas do Londrina. Desses, três foram antes dos 27 minutos do primeiro tempo, mas nenhum aplicado aos jogadores aliciados.
O Londrina também se manifestou por meio de nota. "Expressamos nosso profundo respeito e admiração pelos atletas que, além de recusarem a proposta ilícita, tiveram a coragem de procurar a diretoria para denunciar a atitude maliciosa", diz um trecho. O clube ainda reafirmou ser "veementemente contra qualquer forma de manipulação de resultados".