Colorados têm "provocações" e viram minoria em primeira vez na Arena
Muitos torcedores do Inter ainda não tinham ido até a nova casa do rival Grêmio. E nem mesmo pelo apoio à Seleção eles deixaram a rivalidade 100% de fora
Estava na cor dos assentos, no revestimento externo e até nos azulejos dos banheiros. O preto, o azul e o branco deixavam claro que, embora fosse um jogo da Seleção Brasileira contra a França, a casa era tricolor. Era a casa gremista, a Arena do Grêmio, mas essencialmente, no domingo, uma casa também dos colorados. Para muitos dos fãs do Internacional, a primeira vez por lá, inclusive.
Foi o caso de Igor, 20 anos, torcedor colorado. Nunca antes, ele e um dos melhores amigos, o gremista Juliano, também 20 anos, tinham assistido a um jogo juntos no estádio. Em Porto Alegre, só mesmo uma partida entre seleções poderia permitir esse fato incomum.
Ainda foi assim com Angela Aline, 28 anos e colorada fanática. Levou a tiracolo o marido, Eduardo Costa, 26 anos. Gremista, por sinal. “Como é o jogo do Brasil, a gente pode vir. Fica legal para a gente. Mas o importante é que a Copa será no Beira-Rio”, lembra enquanto aguarda, com ansiedade, a conclusão das obras por lá também.
A beleza da Arena do Grêmio, como a de boa parte dos novos estádios brasileiros, é notável. Vicente Leitune e Fabrício Collares, colorados de carteirinha, preferem não admitir. Com muito bom humor, claro, na companhia dos amigos gremistas Rodrigo Tubelo e Eduardo Zanatta. “Emoção? Não, é normal. Só é o primeiro jogo aqui porque o Grêmio teve medo. Não quis fazer Gre-Nal aqui na primeira vez”, zomba Rodrigo. Ele recorda a goleada do Inter na abertura do Olímpico, até.
Aos colorados, porém, a sensação era de uma provocação velada. Natural, claro, por ser a partida na Arena do Grêmio. O serviço de informações no alto falante manteve seu padrão: com “olá torcida gremista” de saudação, e ainda o hino tricolor, tocado na guitarra, a cada entrada do locutor. O jeito era se adaptar, mas até o valor de um ex-destaque do Internacional foi reconhecido.
Autor do primeiro gol da vitória brasileira, Oscar foi aplaudido por gremistas e colorados em sua boa atuação diante da França. À substituição dele por Hernanes, vaias de azuis e também de vermelho se sucederam. Mas o desproporcional clamor pelo volante Fernando, aos 4min de jogo, e até por Elano, antes de uma falta ser batida por Neymar, não deixaram dúvidas: era uma festa brasileira, mas essencialmente dos gremistas.