Vilão em 94, Baggio deu cara brasileira ao futebol italiano
Por nós brasileiros, ele é lembrado como um dos heróis do tetracampeonato. Para o resto do mundo, porém, Roberto Baggio foi o jogador que mostrou que o futebol italiano pode ir muito além de um eficiente sistema defensivo. Não por acaso, o meia-atacante ganhou o prêmio de Jogador Europeu do Ano (Bola de Ouro) e foi eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 1993.
Apesar do sangue italiano, entre suas inspirações de infância estavam dois brasileiros: Zico, com quem chegou a ser comparado no início da carreira, e o ex-palmeirense Chinesinho, cuja qualidade com a bola o encantou na primeira vez em que foi ao estádio ver um jogo do Vicenza. E foi justamente por este clube que fez sua estreia profissional, com apenas 16 anos.
Em 1985, sofreu uma grave lesão. O sucesso na recuperação fez com que o jovem se convertesse ao budismo e passasse a usar o cabelo comprido, visual que acabou caracterizando ele pelo resto da carreira. Cinco anos depois foi comprado pela Juventus por US$ 13,5 milhões, maior transação da história do futebol até então.
No entanto, o Baggio afirmou que havia sido forçado a deixar a Fiorentina e se recusou a bater uma penalidade contra o ex-clube. Substituído após o lance, o craque pegou uma bandeira da Fiorentina atirada no gramado e a beijou, dizendo que seu coração seria eternamente violeta. No entanto, nada disso o impediu de brilhar pela equipe de Turim, onde ganhou um Campeonato Italiano e uma Copa da UEFA.
E foi justamente neste momento vitorioso da carreira que ele chegou para disputar a Copa do Mundo de 1994. Ao longo da campanha, marcou uma série de gols decisivos. Nas oitavas, contra a Nigéria, empatou o jogo a dois minutos do fim e deu a vitória à Itália na prorrogação. Na fase seguinte, marcou o gol da classificação contra a Espanha aos 44min do segundo tempo. Diante da Bulgária, na semifinal, fez os dois gols da sua equipe logo no início do jogo, encaminhando a vaga para a decisão.
Apesar de todos esses feitos, o que acabou entrando mesmo para a história foi a penalidade perdida diante de Taffarel, que pôs fim ao sonho italiano de chegar à sua quarta conquista em mundiais. Mais de dez anos após o ocorrido, o craque mostrou que também era habilidoso com as palavras ao comentar o lance. Baggio lembrou que aquele foi o mesmo ano da morte de Ayrton Senna, mas ele jamais havia errado um pênalti daquela maneira. "A bola partiu para o céu... acho que foi um presente para o Ayrton", resumiu.
Após este episódio, "o rabo de cavalo divino", como era chamado, se reergueu com a camisa do Milan e ganhou um Campeonato Italiano. Chegou ainda a jogar na Internazionale ao lado de Ronaldo, e fez sua última temporada pelo Brescia, em 2004. Depois de pendurar as chuteiras, ficou muitos anos longe dos gramados dedicando-se exclusivamente a causas humanitárias como Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas. O reencontro com o esporte se deu em 2010, quando foi nomeado presidente do setor técnico da Federação Italiana de Futebol. Recentemente, ele tornou público seu desejo de se tornar treinador.
Quer saber mais sobre a Copa Coca-Cola? Então, clique aqui e confira