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Copa Coca-Cola

Para Amarildo, Garrincha faria mais falta que Pelé em 62

6 set 2012 - 07h19
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Substituir o maior jogador de todos os tempos e corresponder às expectativas do torcedor não é tarefa das mais fáceis. Mas foi justamente isso o que aconteceu com um dos heróis da seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 1962. Após uma estreia brilhante contra o México, quando passou por três jogadores e fez um dos gols da vitória brasileira por 2 a 0, Pelé se machucou diante da Tchecoslováquia. Como não havia substituição naquela época, o rei permaneceu no gramado durante os 90 minutos, mas não teria mais condições de atuar no restante do torneio. Entrou em cena então Amarildo, atacante do Botafogo, que fez gols importantes e foi fundamental para a conquista do nosso segundo título mundial.

Garrincha corre para abraçar o camisa 20 Amarildo, que marcou o gol de empate na final contra a Tchecoslováquia
Garrincha corre para abraçar o camisa 20 Amarildo, que marcou o gol de empate na final contra a Tchecoslováquia
Foto: Getty Images

"Sabia que se o Brasil não fosse campeão a culpa iria cair em cima de mim. Minha carreira estava em risco. Mas eu não era o tipo de jogador que deixava de dormir por causa de uma grande responsabilidade. A pressão serviu de incentivo para que eu fizesse o meu melhor", lembra o camisa 20 do Brasil.

Sua estreia se deu diante da poderosa Espanha, que contava com o craque húngaro Puskas naturalizado. Os europeus saíram na frente e ainda tiveram um pênalti não marcado pelo juiz em um lance que entrou para a história por causa da malandragem de Nilton Santos. O brasileiro derrubou o adversário dentro da área, mas deu dois passos para fora, iludindo o árbitro.

"Nós demos risada no vestiário, porque o Nilton tinha servido o exército e ficou quase em posição de sentido. Ele encarou o juiz sério, olho no olho. Acho que o árbitro ficou com medo e por isso acabou marcando fora da área", explica Amarildo.

Após esse lance, o Brasil cresceu na partida e o avante marcou os dois gols que deram a virada para o Brasil. Ambos os lances saíram de atletas do Botafogo. No primeiro, Zagalo recebeu na lateral, driblou o marcador, e como o Vavá fechou no segundo pau, Amarildo correu para o primeiro, chegou antes do goleiro deixou tudo igual no placar. "Foi um gol que só saiu porque eu conhecia a forma como o Zagalo cruzava", diz.

O outro lance saiu dos pés de Garrincha, que veio pela direita e cruzou. Dessa vez, Vavá estava no primeiro pau, mas o bola veio mais alta e o camisa 20 cabeceou no meio da área para dar a vitória ao país. O botafoguense lembra que quando o Mané pegava na bola os demais jogadores deixavam ele brincar e só depois que o zagueiro adversário caia no chão é que o time se movimentava para receber.

"Com o Garrincha ninguém falava nada. A gente só ficava quieto e deixava ele se divertir, porque quase sempre ele fazia a coisa certa. O Mané foi decisivo naquela Copa. A gente não tinha ninguém que pudesse substituir ele, por isso acho que se ele tivesse se machucado faria mais falta do que o Pelé", opina.

Nas quartas de final, contra a Inglaterra, a seleção verde-amarela encontrava dificuldades para apresentar seu melhor futebol. A situação mudou na metade do primeiro tempo, quando o placar ainda marcava 0 a 0 e um cachorro invadiu o campo e paralisou a partida. Quase todos os jogadores estavam com medo levar uma mordida ao tentar tirar o animal do gramando, exceto um: Garrincha.

Lá foi então o gênio das pernas tortas correr atrás do cãozinho, que fez com o camisa 7 o que ele costumava fazer com os marcadores. "O Mané levou vários dribles até cair no chão. Isso ajudou a equipe a relaxar, e quando a bola rolou de novo nós jogamos muito melhor e ganhamos por 3 a 1."

O próximo adversário era o Chile, que além de contar com o apoio da torcida por estar jogando em casa, também tinha um ataque bastante perigoso. O Brasil, porém, não deu chances e abriu vantagem logo no início com dois gols de Garrincha, que comandou a vitória por 4 a 2.

Em 17 de junho daquele ano o Brasil entrou em campo para disputar o título mundial contra a Tchecoslováquia, que saiu na frente com Mesopust logo aos 15min. Dois minutos depois, Amarildo recebeu a bola de um arremesso lateral, se livrou dos marcadores e foi em direção à linha de fundo. "Quando eu ia cruzar, vi que o goleiro deixou o canto aberto e bati forte de três dedos no gol. Peguei ele no contrapé. O empate tão rápido foi fundamental, e mostrou que seríamos campeões se nos soltássemos e jogássemos nosso melhor futebol", afirma o camisa 20.

O segundo gol veio em uma jogada parecida. Amarildo recebeu de Garrincha na ponta esquerda, mas dessa vez, quando chegou na linha de fundo, viu que o goleiro permaneceu junto à trave. O avante então cortou para dentro tirando do marcador e cruzou de direita na cabeça do Zito, que só empurrou para as redes. Mais tarde, o artilheiro Vavá aproveitou uma falha do goleiro adversário, que se atrapalhou com o sol, e fez o terceiro.

"Quando o juiz apitou o final foi como um sonho realizado. Sinto muito orgulho por ter cumprido minha missão. Passados cinquenta anos, a imagem que ainda me vem à cabeça é do nosso capitão Mauro erguendo a taça, jamais vou esquecer isso", encerra Amarildo.

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Fonte: PrimaPagina
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