Seleções sul-americanas têm segundo pior início de Copa do Mundo no século; veja números
Argentina e Colômbia se destacam na estreia, mas Brasil e demais seleções tropeçam na rodada inicial
A Argentina brilhou na estreia da Copa do Mundo 2026 e derrotou a Argélia por 3 a 0, em Kansas City, com três gols de Lionel Messi. A Colômbia também fez bonito e bateu o estreante Uzbequistão, por 2 a 1, na Cidade do México. As demais seleções da América do Sul, porém, decepcionaram — incluindo o Brasil. A primeira rodada marcou o segundo pior início dos sul-americanos no Mundial neste século.
Com seis representantes da América do Sul na atual edição de 48 seleções, as seleções sul-americanas têm um aproveitamento de 44%, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Além dos resultados de Argentina e Colômbia, o Brasil e o Uruguai empataram por 1 a 1 com Marrocos e Arábia Saudita, respectivamente, enquanto o Equador perdeu para a Costa do Marfim, por 1 a 0, e o Paraguai foi arrasado pelos anfitriões Estados Unidos, sofrendo goleada por 4 a 1.
O desempenho dos sul-americanos na edição deste ano representa uma piora significativa em relação à Copa de 2022, quando a Argentina se sagrou campeã, no Catar. Naquela ocasião, o aproveitamento do continente na primeira rodada foi de 58,3%. A campanha começou com o Equador vencendo o Catar por 2 a 0, com o revés da Argentina para a Arábia Saudita por 2 a 1 na sequência. Depois, o Brasil derrotou a Sérvia por 2 a 0 e o Uruguai empatou sem gols com a Coreia do Sul.
O melhor início das seleções sul-americanas no século aconteceu na Copa do Mundo de 2006, quando o continente alcançou 75% de aproveitamento na primeira rodada.
Naquela edição, todas as seleções estrearam com vitória, com o Equador derrotando a Polônia por 2 a 0, a Argentina vencendo a Costa do Marfim por 2 a 1 e o Brasil superando a Croácia por 1 a 0. O único resultado negativo foi a derrota do Paraguai para a Inglaterra por 1 a 0. A campanha também teve um dos melhores começos coletivos do continente, com três vitórias em quatro partidas e nenhum empate. A Itália acabou como a grande campeã naquele ano.
O desempenho de 2026 fica à frente apenas da Copa do Mundo de 2018, quando os sul-americanos tiveram somente 33,3%. A campanha deste ano também fica abaixo de 2002 (46,6%), 2014 (66,6%) e 2010 (73,3%).
Não tem mais bobo no futebol
Os tropeços de Brasil, Uruguai, Paraguai e Equador também chamaram atenção por terem ocorrido diante de adversários pouco tradicionais no futebol mundial. A seleção brasileira foi amplamente dominada nos primeiros 15 minutos do empate com Marrocos, que nada parece com o time que foi atropelado por Ronaldo e cia na Copa de 1998. Com um projeto sólido de hegemonia no continente africano, os marroquinos ocupam a sexta posição no ranking da Fifa e foi semifinalista no Mundial do Catar, em 2022.
"Assustou", admitiu o lateral Danilo sobre a pressão sofrida pelo Brasil no empate por 1 a 1 com Marrocos, pelo Grupo C. "Existia muita expectativa interna em fazer um jogo grande, de domínio, de pressão a todo tempo. Quando acontece o contrário, com o adversário tendo várias ocasiões, não é fácil de gerir", disse o lateral Danilo, em entrevista coletiva, nos Estados Unidos, sobre o empate."
Entre os maus resultados dos sul-americanos, a goleada por 4 a 1 sofrida pelo Paraguai diante dos norte-americanos, em jogo do Grupo D, foi o resultado que chamou mais atenção. Apesar de o futebol não ser o esporte mais popular nos EUA, a seleção anfitriã jogou de maneira vistosa e deixou os paraguaios nas cordas.
Quem está pouco habituado a acompanhar a nível mundial pode até estranhar o placar, mas cabe ressaltar a distância entre os países no ranking da Fifa. Enquanto o Paraguai, que já teve nomes de destaque como Romerito, Gamarra, Arce, Chilavert e Roque Santa Cruz, ocupa a 42ª posição, os EUA, que busca alavancar o futebol em solo americano, especialmente após o desembarque de Messi, já é o 15º.
"Obviamente, os Estados Unidos ganharam com justiça. Sabíamos que era um adversário completo. Nos superaram nos planos táticos, técnicos e físicos. Temos que ajustar. Temos duas partidas pela frente. Precisamos trabalhar rápido. Assumir os erros e as dificuldades que tivemos", comentou Gustavo Alfaro, treinador do Paraguai.
Já Marcelo Bielsa, treinador do Uruguai, não escondeu a irritação pelo empate com a Arábia Saudita, em partida que a seleção celeste foi notavelmente superior, mas precisou correr atrás do prejuízo para ao menos ficar na igualdade do placar de 1 a 1, em jogo do Grupo H. "Um rival que devíamos superar. Concedemos minutos no primeiro tempo, que não indicam que fizemos as coisas bem. Um futebol parado, sem dinâmica, sem pressão, profundidade. Tínhamos que ganhar a nossa partida", lamentou.
Quem também demonstrou descontentamento foi Sebastian Beccacece, treinador do Equador, que reclamou da arbitragem por não ter expulsado um jogador da Costa do Marfim, que venceu por 1 a 0 já nos acréscimos da partida pelo Grupo E.
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