Certezas pré-Copa desmoronam, e Seleção precisa se reinventar ainda na 1ª fase da Copa
O desempenho ruim contra o Marrocos e a situação de Neymar trouxeram ao ambiente da Seleção ainda mais dúvidas do que na véspera do Mundial
Nesta quinta-feira, 18, completa-se um mês desde que Carlo Ancelotti anunciou os 26 convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Ainda que a lista tenha tido contestações por parte da imprensa e da torcida, algumas poucas certezas e unanimidades desmoronaram em menos de uma semana após o empate com o Marrocos na estreia.
Se o corte de Wesley, quando o time já estava nos Estados Unidos, obrigou Ancelotti a rever até mesmo a estrutura do elenco que montara – com um defensor a menos e um meio-campista a mais –, o desempenho ruim contra os africanos e a situação de Neymar trouxeram ao ambiente da Seleção ainda mais dúvidas do que na véspera do Mundial.
Nas laterais, o contestado Danilo mostrou segurança ao entrar no lugar de Ibañez no intervalo contra o Marrocos e ganhou força para assumir a titularidade, calando quem dizia que ele estava em decadência.
No meio-campo, Fabinho, visto sempre como um bom substituto, passou a virar fantasma real para Casemiro, a quem substituiu também no intervalo da estreia. O camisa 5, por sua vez, nem de longe lembrou seu auge e pareceu um jogador pesado e desmotivado em campo, certamente o pior da partida.
E no ataque, outro titular certo, Raphinha, mais uma vez deixou a desejar em eficácia, apesar de ser quem mais correu em campo. Do lado dele, Igor Thiago, aclamado por boas entradas nos amistosos pré-Copa e por seus 22 gols na Premier League, tirou a paciência da torcida em seu primeiro jogo oficial como titular.
Para o setor, fica cada vez mais difícil a Ancelotti não colocar Endrick, pedido pela torcida e empurrado por uma ótima temporada no Lyon e pelo que os próprios companheiros admitem: ele tem “estrela”.
Para completar, a expectativa da comissão técnica de que Neymar poderia estar disponível para o segundo jogo da Copa não se confirmou, e o atacante santista, que se recupera de lesão na panturrilha, agora é dúvida até para a terceira partida, já que ainda não iniciou os treinos em grupo com bola.
Em entrevista coletiva, Danilo admitiu que o grupo se "assustou" com a performance ruim do primeiro tempo contra o Marrocos e alertou para a urgência de uma virada de chave.
"Assustou. Tinha tanta expectativa interna de fazer um jogo grande, de domínio, e quando as coisas não acontecem e a equipe adversária tem controle, isso não é fácil digerir. "
Pelo pouco que a imprensa pôde ver dos treinos, bem como pelos testes feitos pré-Copa e pela necessidade de o Brasil fazer um bom saldo de gols contra o Haiti, dificilmente Ancelotti repetirá o time da estreia. Considerando que vai encarar um time forte fisicamente, mas menos criativo do que o Marrocos, deve levar a campo novamente quatro atacantes.
“Todo time tem o núcleo duro, que são 6, 7 jogadores titulares. E tem 3, 4 que estão sempre numa rotação em base ao jogo, adversário e estratégia”, afirmou Danilo sobre a possibilidade de mudanças nos titulares. “A gente tem um time 80% definido e 4 jogadores que ainda não se sabe. Por indecisão do treinador, questão tática, física, ou por mania do técnico mesmo.”
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