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Opinião: Fifa rasga compromisso com direitos humanos ao aceitar absurdos de Trump na Copa do Mundo

Entidade que comanda o futebol dá de ombros para vistos negados, perseguição e problemas no Mundial de 2026

9 jun 2026 - 11h35
(atualizado às 14h51)
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14 comentários
‘Acho que eles têm um problema com o meu país’, diz árbitro da Somália barrado pelos EUA:

O esporte é historicamente um instrumento de inclusão e de transformação social. Porém, pela 3ª edição seguida da Copa do Mundo, a Fifa mostra que não faz mais questão de disfarçar e deu de ombros para a preocupação com os direitos humanos, rasgando qualquer manifesto quando escolhe países como Rússia, Catar e Estados Unidos para receber a principal competição de futebol do mundo.

O ápice do descaso acontece neste ano. Primeiro, o ridículo prêmio da paz dado por Gianni Infantino para Donald Trump. Sim, o presidente da Fifa achou que o mandatário norte-americano era digno de receber tamanha honraria. Talvez ele esteja com dificuldade de se informar sobre a captura de Nicolas Maduro, da guerra no Irã ou da perseguição contra imigrantes dentro dos EUA. Será que o dirigente não tem redes sociais e nem gosta de ler ou ver noticiários?

“Ah, mas quando chegar a Copa vai ser diferente”. Não, não vai. Na real, está pior. O Irã, por exemplo, foi impedido de dormir nos Estados Unidos, mesmo que faça todos os jogos da primeira fase do Mundial no país. Eles terão o México como base e terão que fazer bate e volta.

Você pode estar se perguntando: Tá, mas qual é a chance de o Irã ganhar a Copa do Mundo? Só não podemos dizer que são nulas porque estamos falando de futebol, não de uma ciência exata. Porém, a Fifa está renegando um direito básico de qualquer seleção aos iranianos: isonomia.

Infantino e Donald Trump durante o sorteio da Copa do Mundo
Infantino e Donald Trump durante o sorteio da Copa do Mundo
Foto: Emilee Chinn - FIFA / Getty Images

Isonomia é o direito de garantir condições iguais para todas as seleções. Será que algum outro time teve um jogador interrogado por 7 horas na sua chegada aos Estados Unidos? Pois é, isso aconteceu com o atacante Aymen Hussei, herói da classificação do Iraque.

Enquanto isso, o brasileiro Éderson, por exemplo, contou com um funcionário da Fifa, que o buscou na porta do avião e o conduziu para todo o processo de imigração.

Os absurdos não param de acontecer e a Fifa continua com o silêncio ensurdecedor. No domingo foi o árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália, que foi impedido de entrar nos EUA. O que a entidade fez? Nada! Apenas comunicou que ele estava fora da competição.

Hoje, a Federação do Irã afirmou que os Estados Unidos barraram ingressos de torcedores iranianos. As normas da Fifa estipulam que cada federação receba 8% das entradas de cada uma das suas partidas, mas isso não aconteceu com a seleção do Irã.

E tudo isso acontece com os maiores astros alheios a todos esses problemas. Nenhuma declaração, nenhuma reclamação... O mundo do futebol se cala mais uma vez e mostra que não se preocupa com o próximo.

Sem Neymar, mas com Éderson! Seleção treina na semana de estreia da Copa do Mundo:
Fonte: Portal Terra
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