Como em 90, alemães desafiam "sortudo" pegador de pênaltis
Sergio Romero tem mais em comum com Sergio Goycochea do que o primeiro nome e a nacionalidade. Como o xará em 1990, o argentino decidirá uma Copa do Mundo diante da Alemanha - tentará vingar o ídolo, aliás. E logo após se apresentar como um pegador de pênaltis de destaque. Ou de sorte, como ele próprio disse ao bater a Holanda, na semifinal.
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"Essa é a realidade que as pessoas precisam entender. Um goleiro pode acertar o canto e tocar na bola, mas não conseguir defender, como ocorreu hoje (na cobrança de Maxi Rodríguez, que o holandês Jasper Cillessen chegou a espalmar, sem evitar que a bola entrasse). Porém, eu também tinha muita confiança no trabalho e agradeço a Deus por ter corrido tudo bem", disse o goleiro, na quarta-feira.
Em 1990, quando assumiu a meta no decorrer do jogo contra a União Soviética (a segunda da fase de grupos), por conta de lesão de Nery Pumpido (campeão mundial quatro antes, também após enfrentar a Alemanha na decisão), Goycochea dividiu méritos com o acaso. "A sorte deve acompanhar toda grande equipe", dizia, depois de salvar a seleção nas quartas de final (contra a Iugoslávia) e na semifinal (Itália), defendendo dois pênaltis em cada disputa. No Mundial de 1990, Goycochea tinha os mesmos 27 anos que Romero tem hoje. A diferença é que o atual goleiro da seleção (cinco centímetros maior, com 1,92m) foi muito contestado quando convocado pelo técnico Alejandro Sabella. Sua redenção foi tardia, justamente no jogo passado, quando defendeu cobranças de Wesley Sneijder e Ron Vlaar e classificou a Argentina para a final pela primeira vez justamente depois de 24 anos. A comparação se tornou inevitável.
"Não, Goyco há um só", discordou o jogador do francês Monaco, ciente de que o ex-jogador se notabilizou por ser um verdadeiro pegador de pênaltis. "Na época em que jogou, ele fez de tudo para que a Argentina ganhasse. Agora, é a minha vez de me esforçar pela seleção para que meus companheiros continuem desfrutando da Copa do Mundo".
Mesmo que não aceite se comparar, Romero terá neste domingo a oportunidade de alcançar um feito de que o ex-jogador não foi capaz. Vinte e quatro anos atrás, na segunda e última final contra os alemães até esta tarde, Goyco foi brilhante e fez, no mínimo, três grandes defesas durante a partida. Mas não conseguiu impedir que o time europeu vencesse por 1 a 0 e se tornasse tricampeão mundial. Com um gol de pênalti, batido com perfeição por Andreas Brehme, em seu canto direito, a cinco minutos do apito final.
Neste sábado, véspera do novo confronto, o técnico alemão, Joachim Löw, admitiu que torce para o resultado ser definido com bola rolando e, em tom de brincadeira, sacou um bolso do papel, dando a entender que já tinha uma cola sobre os batedores argentinos. "Todos os goleiros se preparam para a disputa de pênaltis", disse, um dia antes de desafiar a sorte argentina.

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