Cléber Machado relembra histórias e destaca humildade de Pelé: 'Era grato com tudo que aconteceu'
Em entrevista à Rádio Eldorado, jornalista e narrador esportivo comenta legado do Rei do Futebol no dia em que completa um ano de sua morte
A morte de Edson Arantes do Nascimento completa um ano nesta sexta-feira. Mas Pelé é eterno. A distinção entre as duas personalidades é consenso entre fãs do Rei do Futebol, familiares, jornalistas, e tantos outros que acompanharam o mineiro de Três Corações ao longo de seus 82 anos de vida. Em entrevista à Rádio Eldorado em memória ao seus feitos dentro e fora dos gramados, o jornalista e narrador esportiva Cléber Machado exaltou a humildade do eterno camisa 10 do Santos e da seleção brasileira e deu risada relembrando histórias de bastidores.
"Quando eu penso no Pelé, neste ano, eu jamais pensei no Pelé porque ele morreu. Às vezes vem na cabeça 'puxa, o Pelé morreu'. Mas, eu tenho claro na minha cabeça que são duas pessoas. É uma pessoa só, mas, são duas. O Edson, como a gente, falível, errou e acertou, e o Pelé, que é uma coisa extraordinária", disse Cléber, quando o nome do Rei vem em mente.
Para o narrador, Pelé foi um marco na história do esporte mundial. "A gente conta o tempo antes de Cristo e depois de Cristo. E para mim, sem nenhuma blasfêmia, o futebol é antes de Pelé e depois de Pelé. Não tem como Pelé morrer, entende? Pelé não morre."
Como jornalista com mais de 40 anos de profissão, Cléber Machado já teve oportunidade de encontrar Pelé algumas vezes. Em uma delas, na Copa do Mundo de 1994, o narrador pediu um autógrafo. O lendário jogador não titubeou e, com muita gentileza, atendeu ao pedido. Mesmo sem ser pessoalmente, por entre as redações e os inúmeros colegas com quem conviveu, histórias sobre o Rei do Futebol é que não faltam.
"O Pelé sempre foi muito humilde", contou Cléber. "O Pelé estava na Copa da Itália e ele pagou o jantar para uma turma. Ele era um pouco comedido financeiramente. Chegaram em Roma e começaram a pedir os pratos mais caros, evidentemente. Um pouco antes de ir embora o dono do restaurante fez uma foto com o Pelé. E aí a conta foi paga."
"Claro que ele deve ter tido uma orientação ou outra, mas naquela época nem tinha media training. Era muito dele mesmo, sabe? Ele era tão grato com tudo que aconteceu com ele, muito por causa do talento dele, que ele não esquecia o começo. Deve ser difícil alguém falar que pediu uma foto pro Pelé e ele não deu. Acho isso espetacular", acrescentou o jornalista.
Como um comunicador, Cléber Machado fez a lição de casa. Por mais que, segundo ele próprio, não tenha visto muito de Pelé em razão da idade, documentos não faltaram para entender a magnitude que o Rei representa. Ele destaca o filme 'O Rei Desconhecido', de Ernesto Rodrigues, longa só com imagens do Santos jogando na Europa e com jornalistas europeus falando sobre Pelé.
E, por mais que não tenha tido a oportunidade de trabalhar narrando um jogo do astro, Cléber teve oportunidade de narrar um gol do lendário camisa 10. "Eu escolhi aquele que, ao contrário da maioria que acha que é o gol do Maradona contra a Inglaterra em 1986, para mim é o gol mais bonito da história da história das Copas do Mundo. É o gol do Pelé contra a Suécia na final, quando o Nilton Santos cruza, ele só mata no peito, dá o chapéu e faz o gol com a bola caindo e pega de primeira na final da Copa do Mundo."
Momento delicado
Coincidência do destino ou não, desde a morte de Pelé, das duas camisas que vestiu estão passando por intensas crises. A seleção brasileira faz um campanha esquecível nas Eliminatórias para a Copa de 2026 e, ainda nesta sexta, viu o sonho de ter Carlo Ancelotti como treinador ser dilacerado. O Santos, clube o qual tornou famoso mundialmente, foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez.
"O cara é tão abençoado que chego a pensar que (o Santos) não cairia (risos). Ia chegar uma hora que ele ia no vestiário falar 'pô, gente. Entende? Assim não dá'", brincou Cléber. "Mesmo nas horas mais difíceis, nas horas mais tristes, eu acho que ele tinha um jeito de levar. Eu vi pouca gente preparada para ser famosa, para ser gigante. Eu arrisco a dizer que é um dos cinco nomes mais famosos de todos os tempos, o Pelé."
"Acho que ele levaria na boa. A mensagem dele, como de costume, principalmente publicamente, ele sempre dava um toque de otimismo e esperança. Quero crer que não cairia se ele estivesse vivo", contou o jornalista.